O LADO PITORESCO DA MARINHA

"Você vivenciou na Marinha algum caso que seja excêntrico, inusitado ou interessante ?

Durante seu tempo na ativa, já presenciou algum fato que chame a atenção por sua particularidade e unicidade ? Deseja que seu texto seja publicado nesta seção ?

Envie sua contribuição para navegareserva@marinha.mil.br e divulgaremos o seu material."

 

11 de fevereiro de 2019

COINCIDÊNCIA OU CASTIGO E REDENÇÃO

Em junho de 1983, entrei para a Marinha do Brasil (MB), após ser aprovado no concurso para Escola de Aprendizes de Marinheiros de Pernambuco (EAMPE). Esse era o sonho de minha vida. Porém, quando fiz a viagem de Instrução no Navio Transporte de Tropa (NTrT) Ary Parreiras, fiquei muito MAREADO....

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*Texto: SO-RM1-TL Getulio

 

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11 de fevereiro de 2019

VIVER PARA SER TELEGRAFISTA

Ao ingressar para a Escola de Aprendizes Marinheiros, em 1983, descobri que existia a profissão de TELEGRAFISTA (TL) e decidi que seria um deles. Fui Grumete do antigo QSO, que me dava a opção de escolher a profissão de TL. Embarquei como Marinheiro no Navio Aerodromo Ligeiro Minas Gerais....

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*Texto: SO-RM1-TL Getulio

 

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02 de outubro de 2018

CONVESES ROTOS

Conveses rotos 
voltei de tempestades 
cheguei de travessias 
vim do oceano 
do mar-alto 
dos abismos 
tenho o corpo ferido em vento e mar
a alma em fúria 
o coração em fogo 
o peito em dor 
marinheiro andante de rotas e derrotas 
trago as histórias que vivi de portos e mulheres 
eu menino travesso 
eu adolescente triste
eu homem desesperado 
meus pés têm o lanho de conveses rotos 
em navios sem rumo pelos mares da vida 
e minhas mãos as marcas de pesadas enxárcias
cabos trançados 
espringues e lançantes 
voltei de longe 
de horizontes e ventos
de madrugadas lentas e manhãs ardentes 
e muitas horas de vigília em mastros oscilantes 
de noites negras em céu multiestrelado
de plêiades e estrelas solitárias 
constelações e galáxias 
vim de dunas
de alísios 
de praias brancas imensas
litorais ao longe 
oceano infinito 
vim de noites sem dormir em mar encapelado
navios como nozes jogados entre ondas
naufrágios e balsas 
nenhum cais
nenhum porto 
e chego aqui em tua casa 
em teu porto 
em teu cais 
e chego coração 
alma
peito aberto 
na busca do repouso de uma tarde assim,
em brisa mansa e tépido convívio 
para saber tua presença 
teu silêncio 
teu vulto de mulher que me enternece 
e encanta.

*Lucimar Luciano de Oliveira (Oficial de Marinha)
 

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06 de fevereiro de 2018

HOMENAGEM AOS 30 ANOS DA TURMA 1/88 BASE NAVAL DE ARATU

Era o ano de 1988 no dia 18 de janeiro, nascia na Base Naval de Aratu a turma 1/88 na Escola de reservistas navais, no início um período de adaptação... segue um “pequeno relato” de minha memória...

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*Texto: Josafá P. Lima

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29 de novembro de 2017

CENTRO DE INSTRUÇÃO

“Correndo! Correndo! Quero ver todo mundo correndo! Ei você aí, tá rindo de quê?”

Essas foram as palavras de boas-vindas de nosso primeiro dia no Centro de Instrução, ou o então Centro de Recrutamento (CR), no Guandu do Sapê. Era dia 13 de junho de 1994. Saí de casa numa segunda-feira ainda fria, depois de acordar bem cedo e fazer a barba. Estava, porém, ainda cansado por causa do churrasco de despedida dos amigos e parentes no dia anterior. Ainda tivemos que esperar o relógio marcar seis horas da manhã para podermos cruzar o portão. Logo que uma sirene soou, as sentinelas nos orientaram para entrarmos enquanto avisavam: — “Isto aqui é um verdadeiro inferno, senhores!”.

Assustado, assim como todos os outros ao ouvirem o feérico soldado, fui conduzido a um dos três grandes grupos de paisanos que ainda éramos e dali, nos dividiam na medida em que o sargento ia chamando um a um pelo nome completo e nos ordenando para compor outros grupos, que agora eram seis, compostos cada um por sessenta homens. Ainda não tínhamos entrado no “inferno” que se havia anunciado, ou a própria cooptação. Estávamos sendo divididos em pelotões, dois para cada companhia. Quando olhava para os outros, não via seus rostos, via apenas expressões, pois estávamos deixando muitas coisas para trás, e em alguns casos, entregando nossas vidas nas mãos daqueles homens-instrutores, que pareciam impenetráveis para um grupo de recrutas assustados e totalmente despreparados.

Não demorou muito para que alguém viesse para as apresentações. Fomos informados de que deveríamos ficar parados naquela posição, sempre respeitando a altura: os maiores na frente; e ficar de frente para o instrutor, com as pernas separadas nos seus aproximados quarenta e cinco centímetros, braços para trás, mãos se encontrando num entrelace e a postura corretamente ereta, bem como a cabeça, mantendo o olhar sempre no horizonte. Estávamos aprendendo a posição correta de “descansar” militarmente numa formatura.

Dali então, partimos quartel adentro andando, um atrás do outro, a descortinar cada canto, enquanto a banda, que eu ainda não tinha reparado, nos recepcionava com uma canção militar chamada “Cisne Branco”, como se tudo aquilo fizesse parte de um serviço de bordo completo. Lembro-me de ter ficado até bastante emocionado – na verdade eu nem acreditava no que estava acontecendo!

Trecho do livro FUZILEIROS NAVAIS - SOLDADOS DA LIBERDADE.

 

*Márcio Costa de Oliveira

 

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09 de novembro de 2017

VIAGEM DE BARCO

Ao largar as espias,
Às vezes dói o coração
Tem marujos nos conveses
E outros tantos nos porões.
A doutrina nos ensina
A zelar pela pátria e a família
Cada um tem um motivo
Pra voltar, ser útil, e isso cativa.
Às vezes, nos momentos de banzo
O bom marujo entoa um canto
O horizonte acalenta e distrai
Sua amada da mente não sai.
O melhor porto do mundo
É o da nossa cidade natal
É hora de ver a família
A esposa, a mãe, o filho, a filha, o pai
Se não tiver quem os acolha
Com certeza vão a um bar
Esquecer as mazelas da vida
Pensando em voltar pro mar.
Quando finda a viagem
Alivio pro coração
Certeza do dever cumprido
Aguardando nova missão

*1º SG - AM (Ref.) Edson Rodrigues Valadares
 

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01 de novembro de 2017

DESPEDIDA DE UM VELHO MARINHEIRO

 

Hoje é um dia muito especial pra mim, o dia em que eu finalizo o meu sonho de servir a Pátria como militar da Gloriosa Marinha do Brasil. Ingressei nas Forças Armadas para cumprir com o meu Serviço Militar Obrigatório, escolhendo a Marinha, um sonho que tinha desde pequeno, pois sempre que assistia ou lia algo sobre a Marinha eu me imaginava fardado naquele uniforme branco impecável, dando orgulho a minha família e aos meus amigos. Quando cheguei a Marinha jamais imaginei que as coisas aconteceriam dessa forma, no começo, quando pisei na Base Naval de Aratu pela primeira vez, a primeira coisa que eu avistei foram os navios docados para reparos, achei aquilo uma coisa de outro mundo, jamais tinha visto de perto um navio de guerra, era tudo diferente pra mim, parecia que eu estava em outro mundo. Quando começou o período de adaptação cai na realidade e achei tudo muito difícil, cansativo e até mesmo impossível, nas noites em que eu tinha uma folga e me isolava dos demais, parava para refletir e me perguntava o que eu estava fazendo ali, pois meu sonho se tornara um pesadelo, eram atividades muito estranhas, toda uma rotina nova na minha vida, desde a alvorada até o horário do silêncio como: Exercícios físicos obrigatórios, mudanças de hábitos, horários da alimentação, dormir em treliche em um alojamento com mais de 60 alunos, estudo integral, inclusive após o jantar até a hora da ceia, faxinas e principalmente ralação, este último, quase que me fazendo desistir, pois os instrutores eram casca grossa e muitas outras atividades, tudo, para fazer de mim um “Soldado do Mar” para servir ao meu País.

 

Ao longo de minha carreira passei por momentos memoráveis, dentre os quais posso citar a minha formação no Curso de Especialização de Escrita e Fazenda, o embarque em diversos navios de guerra, meus diversos voos em aeronaves da Marinha, aprovação no Curso de Formação de Sargentos e a mais almejada de todas, a promoção a Suboficial. Aqui aprendi o espírito de camaradagem e fiz colegas, amigos e irmãos, transmiti meus ensinamentos aos mais novos, o que é um motivo de orgulho pra mim.

Com trechos da música despedida do Rei Roberto Carlos: “Já está chegando a hora de ir, venho aqui me despedir e dizer. Em qualquer lugar por onde eu andar, vou lembrar de você. E depois o meu caminho seguir, o meu coração aqui vou deixar, não ligue se acaso eu chorar mas agora adeus”. Minha querida e amada Marinha.

Missão cumprida, deixo o Serviço Ativo com o sentimento de dever cumprido, aos que ficam, desejo tudo de bom e que cada um cumpra com o seu dever e não permitam que destruam a nossa Marinha. Prestar minha última continência ao Pavilhão Nacional, como Militar da Ativa, com os olhos cheios de lágrimas agradeço a Deus e a Marinha do Brasil por ter me dado a honra de ter me tornado um Marinheiro.

EM CONTINÊNCIA! BRASIL, MARINHA.

*Suboficial RM1-ES DÊNIO NOVAES DUARTE
 

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05 de setembro de 2017

LAGO PARANOÁ

Durante o tempo em que estive na ativa, servindo por 7 anos na área do Com7ºDN, o fato que me chamou atenção, por sua particularidade e unicidade, foi o lago Paranoá. Assim, compus um samba em sua homenagem.

Clique aqui para visualizar.
 

Ouça aqui.

*Suboficial-RM1-ES Valdir Braz de Azevedo
 

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02 de agosto de 2017

UMA SEREIA EM MINHA VIDA

Minha história começa em uma das comissões que o Navio-Oficina “Belmonte” fez na costa de Marataízes, litoral do Espírito Santo, no ano de 1994. Estávamos participando de uma operação com os Fuzileiros Navais. O grupo embarcado era o de RECONTER e nossa missão seria desembarcá-los o mais próximo da praia, para que pudessem fazer o reconhecimento do terreno e tomar a praia sem serem vistos. Na madrugada, chegamos à praia, desembarcamos o grupo e seguimos para o ponto de fundeio. Outros navios fizeram o que estava determinado e fundearam próximos.
 

Dois dias depois do início da missão, por volta das 14h, eu estava de serviço de Cabo Auxiliar e, pela estrutura do Navio-Oficina “Belmonte”, o Cabo Auxiliar ficava do lado de fora da estrutura coberta do navio. Tendo toda visão do mar e pela posição do Navio eu conseguia ver nitidamente a terra, ou melhor, a praia. Procurei saber e me informaram que estávamos a 12 quilômetros da praia. O céu estava limpo, o mar azul. Pela tranquilidade das ondas, podia-se dizer que estava um “mar de Almirante”.
 

De repente pude perceber algo nadando em direção ao Navio, no sentido praia mar aberto. O nado era parecido aos dos golfinhos, com movimentos de cauda muito próximos à superfície. Ao nadar, não tinha batimento de braços da água e vinha aproximando-se rapidamente. Quando percebi que o seu trajeto seria a estrutura do Navio, corri para saber o quê vinha em nossa direção, uma vez que o Navio estava em exercício e sua integridade teria que ser preservada. Nesse momento, percebi que o Cabo-MR Delfino, que estava de vigia do ferro (âncora), havia avistado o que eu vi e também veio correndo em minha direção. Do ponto em que ambos estávamos não dava para termos contato visual um do outro, mas vimos a mesma coisa. E, por isso, nos deparamos um de frente para o outro sem entender o ocorrido. Ao olharmos para a água, tive uma grande surpresa. Eis que ali, diante de nós, estava parada uma mulher de pele morena clara, cabelos negros abaixo da linha da cintura, seios à mostra, um rosto com expressão saudável, pele limpa, olhos negros. Aparentava, comparando-se a uma mulher humana, ter seus vinte anos de idade. Porém, ficamos pasmos olhando-a, cerca de uns 10 metros do casco do navio. Enquanto boiava e nos olhava sem nada dizer, de repente ela começou a elevar seu dorso da água e dava para ver as escamas na altura da cintura, que brilhavam ao sol. Nada dissemos. Só a observávamos, sem reação. Outros dois militares que estavam em pontos diferentes do navio teriam visto a mesma coisa, ao mesmo tempo. Em algum momento, algo lhe chamou a atenção e ela se virou e mergulhou mostrando sua imensa nadadeira, levantando um bom volume de água. Quando percebemos, ela já havia ido embora e ouvimos o Oficial que estava no passadiço nos gritando, querendo saber o que tinha acontecido. Subimos e fomos contar o que vimos e o Oficial nos levou ao Comandante do Navio, onde mais uma vez relatamos tudo o que aconteceu. Ele balançou a cabeça e disse: “voltem aos seus postos!”.
 

Essa minha experiência foi única! E, até hoje, sei que há algo que não podemos explicar nas profundezas do mar. Mas a sereia que vi, sei que continua por aí. Sua imagem em minha cabeça é nítida até hoje.

*Suboficial-RM1-PL Renato Bento