
Na eclusagem, foram empregadas duas embarcações da Capitania Fluvial de
Juazeiro, além do Vapor do São Francisco, voltado ao turismo náutico
A Marinha do Brasil (MB) apoiou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na ação de eclusagem, com passagem de embarcações, que marcou a retomada das atividades da Eclusa de Sobradinho, no Rio São Francisco, inoperante desde 2019. Na operação, realizada no dia 25 de março, foram empregadas duas embarcações da Capitania Fluvial de Juazeiro (CFJ), além do Vapor do São Francisco, que é voltado ao turismo náutico na região.
Na qualidade de Autoridade Marítima Brasileira, a MB converge esforços em ações que fomentem o desenvolvimento do setor hidroviário. As eclusas revestem-se de importância fundamental para o setor, uma vez que possibilitam a passagem de embarcações nas hidrovias com desníveis, utilizando comportas que separam os diferentes níveis do curso d’água. Assim, a operacionalização das eclusas tem sido um pleito constante da Autoridade Marítima Brasileira para possibilitar que as hidrovias assumam um maior papel na matriz de transportes do País, haja vista a ainda baixa utilização do modal hidroviário brasileiro.

A Marinha apoiou o DNIT na ação que marcou a retomada das
atividades da Eclusa de Sobradinho, no Rio São Francisco
A aposta no desenvolvimento do setor considera que as hidrovias são um fator de integração nacional, pelo viés econômico, social e político, que fomentam o bem-estar das populações da área em que estão presentes. O transporte hidroviário possui grande capacidade de movimentação de carga, baixo custo da tonelada transportada e reduzidas emissões de poluentes, o que o torna um modal adequado à movimentação de grandes volumes de mercadorias de baixo valor agregado (commodities) por grandes distâncias. Segundo o estudo “Aspectos Gerais da Navegação Interior no Brasil”, da Confederação Nacional dos Transportes, o Brasil não possui hidrovias, apenas rios naturalmente navegáveis, sendo que utiliza apenas um terço da sua ampla rede hidrográfica, composta por 63.000 quilômetros de rios com potencial para navegação.
A construção da Eclusa de Sobradinho foi realizada em junho de 1973 e foi finalizada em novembro de 1979. A obra permitiu que as embarcações superem os 32,5 metros de desnível criado pela barragem da Represa de Sobradinho. Com isso, restabeleceu a navegação do Rio São Francisco, no trecho de 1.371 quilômetros entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA). A Eclusa possui uma câmara de 120 metros de comprimento e 17 metros de largura, com volume de eclusagem de 72.000 metros cúbicos.
