
Webinário reúne representantes da Marinha do Brasil e da Comunidade Científica
Foi realizado, no dia 4 de agosto de 2020, o Webinário “O Ressurgimento de Fragmentos de Óleo e ações propositivas para eventos futuros”. O evento, organizado pela Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), possibilitou que autoridades nacionais e instituições de destaque discutissem a necessidade de maior articulação e de desenvolvimento de métodos e pesquisas para a promoção de avanços científicos e tecnológicos acerca da poluição por óleo no mar.
O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, ressaltou que “Sistemas de Defesa, em qualquer País, começam com o conhecimento gerado por cientistas e professores”, relevando, ainda, que o Ministério da Defesa vem destinando recursos expressivos para o monitoramento do meio ambiente marinho, para o qual o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) faz-se imprescindível. O Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Alipio Jorge Rodrigues da Silva, e o Diretor-Geral de Navegação, Almirante de Esquadra Marcelo Francisco Campos, foram presenças destacadas nesse encontro.
Na fase alocada para as manifestações, o Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC), Marcelo Morales, destacou a implantação do Programa “Ciência no Mar”, que busca aplicar o conhecimento científico e tecnológico para atingir benefícios sociais, econômicos e ambientais, assim como a implantação do Instituto Nacional do Mar (INMAR), que promoverá o conhecimento técnico-científico, instrumentos julgados essenciais ao gerenciamento de crises ambientais.
O Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, salientou a parceria antiga entre a Marinha e a Comunidade Científica, ressaltando a importância da defesa dos recursos marinhos presentes na “Amazônia Azul”. O Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Evaldo Vilela, salientou a importância da criação do INMAR para garantir a salvaguarda dos recursos marinhos em sintonia com o desenvolvimento do comércio marítimo, além da defesa da “Amazônia Azul”. O Presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, Fábio Guedes, destacou a relevância estratégica da ação coordenada pelas Instituições de Pesquisa e Científicas do Nordeste em prol do enfrentamento dessa complexa situação, que requereu o uso intensivo da Ciência e da Tecnologia.
O Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Pernambuco, Lucas Ramos, realçou o valor do trabalho conjunto para mitigar os impactos ambientais gerados pelo derramamento de óleo no litoral de seu estado, agradecendo a assertiva cooperação da MB nas ações de enfrentamento. Também o Vice-Reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Moacyr Araújo, reiterou que o que chamou de “Batalha de enfrentamento” tem sido vencida graças à parceria próspera entre a comunidade científica e a Marinha para proteção das riquezas da “Amazônia Azul”, defendendo ainda mais investimentos para a ciência e tecnologia. Renomados cientistas, de notório saber, líderes estaduais, além de pesquisadores civis e militares, também atenderam ao convite.

Intervenção do Almirante de Esquadra Ilques, ao lado do Almirante de Esquadra Campos
A programação do Webinário comportou quatro painéis, apresentados pelo Capitão de Mar e Guerra (EN) MÁRCIO Martins LOBÃO (IEAPM), Paulo Nobre (INPE), Beatrice Padovani (UFPE) e Ruy Kikuchi (UFBA), segundo um sequenciamento de temas que dissertaram, respectivamente, sobre: as análises químicas forenses realizadas pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM); o monitoramento e a previsão do óleo no mar; a dinâmica espacial e temporal dos ecossistemas marinhos afetados pelo derrame de óleo e sua reincidência no litoral do Nordeste brasileiro; e as ações emergenciais estabelecidas ante aos impactos gerados pelo derramamento de óleo, incluindo um cronograma de atividades a serem desenvolvidas em prol do monitoramento de impactos ambientais e sociais.
A reunião também abriu espaço para exposições que contribuíram para a magnitude do evento, mediante a ampliação do conhecimento sobre os estudos e processos de gestão em desenvolvimento, mercê de parcerias exitosas entre a MB e a sociedade civil. Foi enfocada, também, a necessidade de maior cooperação entre as instituições representadas, visando buscar mais investimentos para fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.
Foi consenso entre os membros da comunidade científica, autoridades estaduais e Academia que diálogo, liderança e coordenação de ações se fazem imperiosas para enfrentamento a eventuais incidentes futuros de derramamento por óleo. Nesse contexto, a criação de uma Comissão Técnico-Científica pela Marinha do Brasil, que sirva como um mecanismo de articulação entre os entes, e, posteriormente, a ativação do Instituto Nacional do Mar (INMAR), Organização Social a ser qualificada pelo MCTIC, deverão preencher as expectativas de congregar o conhecimento científico necessário para melhor compreensão de ocorrências de semelhante magnitude, sem que haja solução de continuidade.
