
Fernando de Noronha, declarado em 1988 como Parque Nacional Marinho e, em 2001, Patrimônio Natural da Humanidade
Em 05 de junho de 1972, em Estocolmo, na Suécia, teve início a primeira das Conferências das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Durante tal evento, estabeleceram-se princípios para nortear a política ambiental de todo o planeta. A partir daí, as questões ambientais passaram a ser vistas de forma distinta, tendo-se em mente que os recursos naturais são limitados, e não inesgotáveis. Assim, 5 de junho ficou marcado como o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tem como objetivo chamar a atenção de todas as esferas da sociedade para as questões ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.
Em virtude da importância da conscientização e da dimensão do impacto gerado pela humanidade, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data que merece destaque no calendário mundial.
Apesar da crescente consciência global sobre os perigos da degradação ambiental, como a elevada emissão de gases poluentes e do efeito estufa, perda de biodiversidade e a ocorrência de lixo nos oceanos; os avanços no combate as essas ameaças têm sido insuficientes. É necessário haver um equilíbrio entre os três pilares do desenvolvimento sustentável - social, econômico e ambiental - para que se possa caminhar em direção a uma realidade em que essas questões recebam a atenção que merecem.
A Marinha do Brasil tem entre as suas atribuições legais, como Autoridade Marítima, a prevenção da poluição causada por navios, plataformas e suas instalações de apoio. Além disso, contribui com a sustentabilidade ao preservar áreas verdes sob sua responsabilidade, como pode ser observado em diversas das suas Organizações Militares distribuídas por todo território nacional.
A data é propicia também para lembrar o legado e a dedicação à preservação ambiental de um dos pioneiros da causa no Brasil: o Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, considerado um dos mais importantes ambientalistas brasileiros; falecido em 31 de julho de 2014, aos 90 anos. Ao longo de sua bem-sucedida carreira militar, alertava para a importância dos cuidados com o meio ambiente, numa época em que pouco se falava nesse assunto. Sua atuação foi importante na criação de unidades de conservação tanto marinhas, como a do Atol das Rocas e Fernando de Noronha, como também na Amazônia.
Em 1981, após 41 anos de serviço, transferiu-se para a reserva no posto de Vice-Almirante, quando passou a se dedicar exclusivamente à causa ambiental. Presidiu a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN) e atuou por mais de dez anos no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Como cientista colaborou em centenas de pesquisas e ações para a conservação da Mata Atlântica, Caatinga, Amazônia e Cerrado, sendo reconhecido internacionalmente através do Prêmio Henry Ford de Conservação Ambiental, em 2002. Foi membro do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza desde sua criação, em 1990, até julho de 2014, quando faleceu.
Que neste Dia Mundial do Meio Ambiente o exemplo do Almirante Ibsen inspire em todos uma reflexão sobre interação da mentalidade marítima e as questões ambientais para o desenvolvimento sustentável da economia do mar.

O Almirante Ibsen, um entusiasta do meio ambiente
