Localizada dentro do complexo da sede do Comando do 2º Distrito Naval, no histórico bairro do Comércio, em Salvador (BA), a Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) ocupa atualmente parte das instalações do antigo Arsenal de Marinha da Bahia, inaugurado no ano de 1770.
Na CPBA, além de algumas edificações, remanesce do antigo Arsenal um elegante guindaste de fabricação inglesa, adquirido nos anos 50 do século 19. Em um registro fotográfico do ano de 1860, é possível verificar a área onde hoje está estabelecido o prédio e a carreira de embarcações da CPBA, no qual é possível observar o guindaste que, até os dias atuais, se encontra no mesmo local.
A despeito do seu valor histórico, o equipamento está longe de ser apenas uma peça de museu. O guindaste é empregado rotineiramente pela CPBA para retirar suas embarcações da água, normalmente para receberem manutenção em terra.
Chama atenção o fato de o guindaste ter conservado suas características originais e, mesmo com o posterior surgimento dos motores elétricos ou a explosão, continuar sendo operado da mesma maneira desde a sua inauguração: manualmente.
De acordo com o Encarregado da Divisão de Manutenção de Embarcações e Viaturas, o servidor civil, Eduardo Bonfim, são necessários três militares para acionar o guindaste, sendo um no freio e dois na manivela. “Preferencialmente, utilizamos o guindaste durante a maré alta para diminuir o esforço dos militares, já que a distância a ser içada será menor”, observou o servidor.
Para o Capitão dos Portos da Bahia, Capitão de Mar e Guerra Ricardo Silva Pinheiro de Souza, o segredo da durabilidade do equipamento, além da qualidade da fabricação, está no trabalho de manutenção, que é realizada mensalmente com a utilização de lubrificante, pintura, tratamento de ferrugem e limpeza. “O uso do guindaste nos dias atuais só é possível graças à dedicação dos militares de bordo, que realizam constantemente a manutenção da peça”, declarou o Capitão dos Portos.

