
MARINHA DO BRASIL
DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO
Niterói, RJ, 28 de setembro de 2023.
ORDEM DO DIA Nº 8/2023
Assunto: Dia do Hidrógrafo
Família hidrográfica, seja bem-vinda ao Complexo Naval da Ponta da Armação. Seja bem-vinda à nossa Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).
Há 194 anos, em 28 de setembro de 1829, nascia o pernambucano, natural do Recife, MANOEL ANTÔNIO VITAL DE OLIVEIRA. A sua conduta exemplar na Revolução Praieira e a morte prematura em combate como Comandante do Monitor “Silvado”, por ocasião da Guerra do Paraguai, em Curupaiti, encerram exemplo sincero do cumprimento do estrito dever militar.
Rememora-se, também, a habilidade marinheira empregada por ele ao trazer da França para o Brasil o Monitor “Nêmesis”, posteriormente renomeado “Silvado”, próprio para navegação fluvial, que por pouco não viera a soçobrar durante a travessia.
Por derradeiro, a tenacidade e competência técnica demonstradas a bordo do iate “Paraibano”, ao representar a costa brasileira de modo sistemático, inicia a fase autóctone da cartografia náutica no Brasil, até então totalmente executada por prumos estrangeiros.
Essas são apenas algumas efemérides da fugaz e marcante carreira que tornaram o Capitão de Fragata VITAL DE OLIVEIRA o Patrono da nossa Hidrografia.
Hoje, uma vez mais, reunimo-nos no Pátio da Bandeira da DHN para reverenciar o nosso Patrono e manter-nos atentos aos valores emanados dos exemplos dos vultos do passado, que permanecem a nos inspirar frente aos desafios atuais e do futuro.
Neste ano, também comemoramos 40 anos da transferência da sede da DHN da Ilha Fiscal para a Ponta da Armação, ocasião em que peço permissão e faço uso das sábias palavras proferidas em 1983, pelo DHN à época, o então Contra-Almirante VALBERT LISIEUX MEDEIROS DE FIGUEIREDO:
“Vislumbramos aqui, hoje, a Hidrografia do futuro. A Hidrografia que se avizinha de um novo século. Vislumbramos um serviço moderno, a incorporar tecnologia atualizada, o emprego de computadores para a produção automática de cartas, o uso controlado e sistemático de imagens de satélite em cartografia e meteorologia, mas também e, principalmente, uma possibilidade maior de congregar, em curto prazo, os estudiosos dos grandes problemas técnicos nas amplas áreas de interesse de nossa Diretoria”.
40 anos depois, as lides hidrográficas empregam o estado da arte em termos de evolução tecnológica e estão intimamente ligadas à proteção de infraestruturas críticas e manutenção de cadeias logísticas, bem como trazem luz sobre a utilização dos recursos vivos e não vivos dos oceanos e rios de maneira sustentável. Figuram, assim, como elemento-chave à consecução da Economia Azul de forma eficiente, além de reduzir o Custo Brasil.
Como exemplo, os confiáveis produtos meteoceonagráficos disponíveis atualmente, até mesmo nos dispositivos móveis telefônicos – como os aplicativos Previsão Ambiental Marinha (PAM) e Sistema de Previsão de Correntes de Maré em Águas Rasas (SISCORAR) – podem, a priori, induzir a uma interpretação simplória da atividade. Porém, carregam importante e elevada quantidade de modelos matemáticos robustos e avançados, exaustivamente analisados e estudados por corpo técnico qualificado desta Diretoria.
Seus resultados são empregados para o planejamento das operações navais, em apoio ao emprego do Poder Naval. Acrescenta-se a ampla e expedita divulgação dos avisos de mau tempo e de ressaca, que, objetivamente, salvam vidas, evitam perdas de bens materiais e contribuem para a preservação do meio ambiente, em plena consonância aos conceitos associados à “Década dos Oceanos”, declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e vigente até 2030.
Faz-se claro que o Almirante VALBERT anteviu o futuro que se aproximava. Hoje, a Hidrografia mundial está diante de um novo desafio, a implementação do S-100, modelo universal de dados hidrográficos. Tal tecnologia possibilitará um novo formato de cartas eletrônicas, que permitirá a total integração com outros produtos necessários à segurança do navegante. Na tela do computador (ECDIS), estarão disponíveis informações de Cartografia, Hidrografia, Meteorologia, Oceanografia e Auxílios à Navegação, todas congregadas em acuradas representações do ambiente marinho e hábeis a atualizações constantes e padronizadas.
Diante da estatura geopolítica e econômica que as nossas Águas Jurisdicionais conferem ao Brasil, nós, marinheiros e marinheiras do “Bode Verde”, tal como na era do prumo de mão, hoje, na era do multifeixe de alta resolução e dos veículos autônomos não tripulados, jamais poderemos prescindir da contínua capacitação técnica e do destemor necessários ao contexto belicoso.
Por fim, no dia em que a Diretoria de Hidrografia e Navegação se embandeira em arco e ilumina-se em festa, saúdo os 26 agraciados com o título de “Hidrógrafo Honorário” e parabenizo nossos hidrógrafos. Concito-os a manterem o Fogo Sagrado e reafirmo o nosso inestimável compromisso de honrar o legado patriótico e naval do Patrono da Hidrografia brasileira.
“Hidrógrafos, Rumo ao Mar!”
“Viva a Marinha!”
“Tudo pela Pátria!”
CARLOS ANDRÉ CORONHA MACEDO
Vice-Almirante
Diretor
