Sinalização Náutica

A Delegacia da Capitania dos Portos em Laguna (DelLaguna) é um dos núcleos de uma atividade iniciada no Brasil há quase três séculos com o acendimento do farol de Santo Antonio, na Bahia, em 1698, primeiro que se tem notícia no Continente Americano.

    O exercício da atividade de sinalização náutica no Brasil é regionalizado. Assim, nas diferentes regiões do País, cabe aos Serviços de Sinalização Náutica (SSN), diretamente subordinados aos Distritos Navais com jurisdição sobre essas áreas, e atuando sob a supervisão técnica do  Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego (CAMR), estabelecer, manter e operar os sistemas de sinais de auxílio à navegação de responsabilidade da Marinha. Fora da sede do CAMR, no Rio de Janeiro, e das sedes dos SSN, localizadas em Rio Grande (RS), Salvador (BA), Recife (PE), Belém (PA), Santana (AP) e Ladário (MS), a manutenção e a fiscalização dos serviços de sinalização náutica fica a cargo das Capitanias dos Portos e de suas Delegacias e Agências.

Atualmente a Sinalização Náutica na área de jurisdição da DelLaguna totaliza os seguintes sinais:

- 04 faróis (desguarnecidos);
- 01 radiofarol DGPS (guarnecido);
- 04 faroletes;

- 02 balizas;
- 02 bóias de luz; 
- 01 bóia cega;
- 01 bóia articulada; e
- 02 respondedores radar.

Cabendo o seguinte destaque ao Radiofarol Santa Marta:

   Localizado próximo ao município de Laguna, o Farol de Santa Marta nasceu da necessidade de segurança reclamada pela navegação em meados do século XIX. 
   Face o alcance luminoso exigido, o aparelho ótico do farol foi construído na França pela empresa Barbier, Benard & Turenne. 
  O Radiofarol de Santa Marta é um conjunto de construções, composto da torre (farol), Estação Rádio, quatro (4) residências acopladas ao corpo do farol, três (3) residências independentes e uma construção destinada à usina onde se encontram os geradores de emergência. O conjunto está situado no Cabo de Santa Marta, cuja área pertencente ao patrimônio da Marinha, está totalmente delimitada por uma cerca.

CARACTERÍSTICAS
  
Número de Ordem: 3956
Latitude: 28º 36´23 S
Longitude: 048º 48´76 W
Carta Náutica: 1911
Finalidade do Sinal: Aterragem (Destinado ao reconhecimento e demanda de um determinado porto e à correção da posição dos navios que vêm de alto–mar.)
Fase Detalhada: BE 15,0 + 5,5 + BE 0,3 + 3,4 + 5,5
Característica Luminosa: OC (3) BE
Período: 30 segundos
Alacance Luminoso: B. 46 Milhas / E. 39 Milhas
Altitude Focal: 74 metros
Altura Focal: 29 metros
Alcance Geográfico: 21 milhas

 

HISTÓRICO

   O Cabo de Santa Marta marca uma notável inflexão do litoral do Estado de Santa Catarina, lançando-se ao mar com uma elevação de 45 metros. É nesse ponto que a linha da costa muda sua orientação e se torna baixa, com dunas, por mais de 500 km, até a barra do Rio Grande, no extremo sul do país. Sem abrigo natural, esse perigoso trecho tornou-se um cemitério de navios e embarcações menores que, há décadas, clamavam por um auxílio à navegação naquela região.  
A área marítima ao sul de Santa Catarina tem uma história de navegação perigosa e de naufrágios dada às características da costa e do tempo na região.

   Em 1883, a Marinha Imperial decidiu pela construção daquele que seria um dos faróis mais potentes da América Latina. O facho luminoso teria que ser avistado além de 20 milhas náuticas. Para conseguir tal alcance, seria preciso utilizar grandes lentes de cristal que compensassem as fracas fontes de luz disponíveis à época.

FINALIDADE

   Em 11 de junho de 2013 o Rádio Farol de Santa Marta completou 122 anos de serviços ininterruptos, desde a sua inauguração. O prédio é mais que um patrimônio para a história do Brasil. Seu funcionamento garante a vida de muitos pescadores e navegadores.

   Até hoje, o sistema de iluminação auxilia embarcações a localizarem a costa brasileira. As luzes do farol atingem uma extensão de 46 milhas náuticas, cerca de 85 quilômetros. Com 29 metros de altura, é um dos mais potentes do Brasil em alcance. Suas lentes de cristal em forma de prismas (Catadiótricas e Diótricas) com a função de direcionar toda a luz emitida pela fonte luminosa para o centro óptico, que é a lente tipo “Olho de Boi”, que concentra a luz, emitindo-a para o navegador. 

   No farol, estão instalados os seguintes equipamentos:
   - Sistema de radar RACON - Este é um radar “transponder” comumente usado para marcar perigos para a navegação marítima. A palavra é uma junção de radar e farol. Quando um racon recebe um impulso de radar, ele responde com um sinal na mesma frequência, o que coloca uma imagem no display do radar. Este toma a forma de uma curta linha de pontos e traços, formando em Código Morse a identificação do sinal náutico, bem como a sua localização.

a) Código: Z (- -. .);
b) Banda : S e X;
c) Alcance: 25 Milhas; e
d) Modelo SEABEACON.

   - Sistema AIS - O sistema serve para identificar e localizar embarcações por intermédio da troca eletrônica de dados com outros navios e estações de serviços de tráfego de embarcações. Informações tais como identificação, posição, curso e velocidade podem ser exibidas em uma tela. O sistema AIS destina-se a auxiliar os oficiais das embarcações e permitir que as autoridades navais rastreiem e monitorem os deslocamentos das embarcações. Este equipamento permite obter informações vitais para a segurança nacional, como o destino da embarcação, a velocidade e o tipo de carga.

   - RADIOFAROL NDB - (muitas vezes referido pela sigla NDB, de Non-Directional Beacon ou Radar Não Direcional) é uma estação transmissora instalada numa posição geográfica fixa e precisamente conhecida, que emite sinais de radiofrequência com um formato pré-determinado que permite a estações de rádio móveis (terrestres, aéreas ou marítimas) fazer a sua identificação e determinar a sua posição relativa face ao ponto geográfico de emissão. O sinal consiste na emissão de uma portadora de onda longa contendo sinais radiotelegráficos (Código Morse), codificando grupos de letras que compõem o prefixo designador da estação. O sinal dos NDB é captado e descodificado por um instrumento conhecido por ADF (do inglês, Automatic Direction Finder ou Detector Automático de Direção). Os radiofaróis, apesar do aparecimento dos equipamentos de navegação por satélite, ainda são bastante utilizados face às distorções ou black-outs que ocorrem em equipamentos que emitem sinais acima da ionosfera. A sua principal utilização é para a navegação aérea, sendo comum a instalação de estações NDB nas proximidades de aeródromos e em pontos específicos ao longo de rotas aéreas mais utilizadas. Como serviço adicional, foi adicionado ao sinal dos radiofaróis informação corretora dos sinais dos sistemas de navegação por satélite DGPS, o que permite a sua utilização em modo diferencial, melhorando assim em muito a sua confiabilidade e precisão.

   a) Código: SW (… .-)
   b)  Indicativo: PWY 88;
   c) Frequência: 310 Khz; e
   d) Alcance: 300 Milhas.

METEOROLOGIA

   Diariamente nos horários 00:00Z, 03:00Z, 06:00Z, 09:00Z, 12:00Z, 15:00Z, 15:00Z, 18:00Z e 21:00Z, são colhidos e registrados dados meteorológicos para envio ao Centro de Hidrografia da Marinha, fim auxiliar nas previsões.

INAUGURAÇÃO

   O farol teve iniciada sua construção em 1890 e foi inaugurado em 11 de junho de 1891, em alusão à Batalha Naval de Riachuelo. O farol lançava sua luz branca a 46 milhas da costa. Filtros especiais cobriam com um setor de luz encarnada a perigosa Pedra do Campo Bom, causadora de tantos acidentes marítimos e a qual até hoje é protegida pelo lampejo encarnado do farol.
   Segundo uma história local,  no mesmo instante em que a luz do farol brilhou pela primeira vez, nasceu Chico André, humilde pescador que, até o fim de seus 90 anos de idade, viveu sob a luz daquele que ele considerava, com orgulho, seu irmão gêmeo.
   Na época de sua construção, o acesso ao farol era uma verdadeira aventura. A partir de Laguna, seguia-se de barco  pelos canais que ligam diversas lagoas, até alcançar a barra. Depois, continuava-se, a pé ou a cavalo, por entre as dunas da Praia de Campo Bom, até alcançar a base do Morro de Santa Marta Grande. Hoje, chega-se a Santa Marta por estrada de terra, num percurso de 12 km, desde Laguna.

   O cinqüentenário do farol foi lembrado com a inauguração, em fevereiro de 1941, dos geradores a diesel, indispensáveis à eletrificação do sinal, antecipando-se à energia elétrica comercial, que só lhe chegaria em 1981.

FABRICAÇÃO

- Fabricado sob encomenda pela firma francesa Barbier, Benard & Turenne (BBT), que já fornecera ao Brasil 24 conjuntos semelhantes, o aparelho foi entregue em 1890. O sistema luminoso é constituído por uma lanterna que mede 3 metros de altura e 2,66 metros de diâmetro. O aparelho lenticular do tipo hiper-radiante, pesa acima de uma tonelada;

- É a maior estrutura, no mundo, inteiramente construída com óleo de baleia (franca);

- A iluminação provêm de uma lâmpada halogena de 220V 1000 watts;

- Possui 142 degraus até o aparelho lenticular;

- Durante a 2º guerra, o farol permaneceu apagado por bastante tempo e até no farol havia alguns canhões e a guarnição era trocada constantemente;

- Após a inauguração do sinal luminoso no cabo de Santa Marta em 1891, os naufrágios registrados foram de origem mecânica ou resultado da imperícia humana;

- A máquina de rotação manual que funciona normalmente, quando necessário, é desde sua inauguração, essa máquina é do tipo relojoaria, tendo como propulsor um peso pendente de 50 kg em uma corda metálica que por efeito da gravidade faz girar o tambor principal;

- Em 7 de fevereiro de 1941, recebeu energia elétrica, (gerador). Atualmente possui dois geradores de 15 KVA, o mesmo grupo de motor-gerador instalado na época e ainda funciona como novo;

- Para qualquer emergência o farol possuía uma lâmpada aladim e um bico incandescente de 85 mm ambos de funcionamento a querosene; e

- A energia elétrica no Farol só chegou em 1981, ficando como emergência os motores geradores.

Um pouco mais sobre o Radio Farol Santa Marta:

   Quando anoitece, uma luz começa a emitir lampejos brancos e vermelhos a cada 15 segundos. Até a manhã seguinte, essa luz, projetada por uma lâmpada de 1000 watts no interior de um aparelho lenticular, formado por um globo giratório, emite seus lampejos.
   O segredo do farol está na chamada lanterna hiper-radiante de 4.600 mm, um conjunto de 24 lentes planas de 1,5 por 1,18 metro e 12 nas dimensões de 0,71 X 1,18. Os painéis lenticulares que projetam a luz vermelha fixa sobre a pedra do Campo Bom, possuem oito elementos óticos, 19 dióptricos e 38 catadióticos, fabricada na França, pelo mecânico Victor Alinquant (sobre quem existem poucas informações, sabe-se que ele representava  a firma Francesa Barbier, fabricante e fornecedora dos tecnicamente chamados aparelhos lenticulares dióptricos) serve de guia para os navios que se aproximam do Cabo de Santa Marta, localizado exatamente a 28 graus e 36 minutos, latitude Sul, e 48 graus 48 segundos, longitude Oeste.
   Le Phare de Santa Marta, como diriam os franceses que o construíram em 1891, exatamente às 17 horas, 6 minutos e 21 segundos do dia 11 de junho de 1891, foi aceso pela primeira vez. Possui 29 metros de altura, altitude de foco de 74 metros e alcance geográfico de 38,892 quilômetros.
   Conforme escrituras lavradas em 28 de agosto e 28 de setembro de 1882, o território foi vendido ao governo do império por 400 mil réis.
   Pedra, areia, barro e óleo de baleia, foi à mistura usada para erguer as grossas paredes do farol projetado por Barbier Bérnard e Turne. Quando foi inaugurado, em 11 de junho de 1891, era alimentado por querosene. Mais tarde, em 7 de fevereiro de 1941, recebeu energia elétrica, (gerador). Atualmente possui dois geradores de 15 KVA,  o mesmo grupo de motor-gerador instalado na época e ainda funciona como novo.

   O motor que possibilita o movimento de rotação (ele dá uma volta a cada dois minutos na lanterna), funciona nos moldes de um relógio. Possui um peso de 50 quilos na extremidade de um cabo, que funciona como um pêndulo. Leva quatro horas para descer, Para dar corda (o cabo é enrolado manualmente), leva-se de 10 a 15 minutos. Quase todas as peças são de bronze.

   Uma escada em caracol, com 142 degraus conduz os faroleiros e os visitantes ao topo do farol. Lá em cima pode-se obter uma bela visão das lentes, que ainda são originais. Uma parte permite a projeção de luz em círculos (olhos óticos) e a outra é sem projeção de luz (retangular). A torre, de onde partem os potentes lampejos duplos de luz, a cada 15 segundos, tem a altura de um edifício de 9 andares. Do alto da torre da construção, contempla-se as belas praias do Farol, Cardoso, Cigana e Camacho.

   Militares da Marinha do Brasil, residem no local. Além dos cuidados com o instrumento de auxílio à navegação, coletam dados meteorológicos que são enviados para o Centro de Hidrografia da Marinha, no Rio de Janeiro. Atualmente encontra-se também instalado um equipamento de rádio-farol que emite um bip sonoro a cada sete segundos na freqüência de 310 Kilohertz para a orientação não só da navegação marítima, mas também aérea, com alcance de aproximadamente 700 quilômetros.

   No verão, contudo, ele se transforma numa das principais atrações turísticas da tricentenária cidade de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, situada a 126 quilômetros de Florianópolis. Para se chegar até o farol de Santa Marta é preciso antes fazer uma travessia de mil metros pelo canal da barra, numa balsa que funciona continuamente das 6:00hs as 23:00hs, e na alta temporada vinte quatro horas por dia. É muito interessante e pitoresca a travessia feita por balsa confortável e segura, que pode transportar uma média de 25 veículos do pontal à passagem da Barra.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Os radiofaróis são estações transmissoras de sinais-rádio especiais, que permitem a determinação de sua direção em relação a uma estação móvel.

Os radiofaróis são divididos em três tipos:
Radiofaróis Direcionais;
Radiofaróis Rotativos;

Radiofaróis Circulares, que transmitem sinais-rádio com a mesma intensidade em todas as direções, permitindo aos navios obterem suas marcações por meio do radiogoniômetro. Este é o tipo mais comum de radiofarol e a ele pertencem todos os radiofaróis, destinados à navegação marítima, instalados no Brasil.

PRINCIPAIS CONSTRUÇÕES

As residências são num total de sete unidades distribuídas em quatro no  corpo do Farol e três em seu entorno:
Residências nº 1 e 4 com 91,80m2,  construídas em 1950;
Residências nº 2, 3, 5 e 6 com 86,50 m2,  construídas em 1890;
Residência nº 7 com 70,15 m2, construída em 1941; e 
Usina/Oficina com 101,26 m2, construída em 1960, Tombo nº 23009/0 ST 003/72.

VISITAS 

   Cabe ressaltar que a visitação à área interna do farol impõe restrições, que se fazem necessárias por diversas razões onde se ressalta:

- O radiofarol opera continuamente e requer a condução cuidadosa e precisa de seus equipamentos.

- A guarnição é restrita e realizam também a coleta e transmissão de importantes dados meteorológicos, além da manutenção de equipamentos e a conservação das instalações e adjacências ao farol.

ENERGIA ELETRICA (comunidade)

   A comunidade do  farol de Santa Marta está com energia elétrica desde o dia 17 de abril de 1981, com a inauguração da primeira rede submarina de energia elétrica do estado. O Ato inaugural, no Clube da Praia da Ponta da Barra, contou com a presença do Governador Paulo Afonso. A obra, que custou R$ 573 milhões, compreende a instalação de um cabo submarino tripolar especialmente projetado pela empresa Pirelli, sem emendas, com 400 metros de extensão.
 
A Escola Básica Santa Marta
 
   Primeira  Escola da localidade criada em 18 de abril de 1941, estava presente e prestigiando a cerimônia o Vice-Almirante  - Tácito Reis de Moraes Rego - Diretor Geral de Navegação da Marinha e toda a guarnição do Farol de Santa Marta.

   Em substituição ao estabelecimento escolar inicial, surgiu, em 1955, a então Escola Isolada e que hoje se denomina Escola Básica Santa Marta. Funcionou desde o início no prédio construído pela Marinha, através da Capitania dos Portos, criado  pelo decreto nº 053/55, destinada aos filhos de faroleiros da guarnição do Farol e aos filhos de pescadores locais.
   As obras tiveram início em 06 de abril de 1955 e foi inaugurada em 19 de junho do mesmo ano, data em que foi realizada a festa de Santa Marta, a padroeira da localidade.
   A ajuda da Marinha do Brasil foi através da DHN, que deu uma quantia de Cr$ 216.820,00. O mobiliário para funcionamento da escola foi fornecido pela Secretaria  Estadual de Educação, a pedido do então Comandante do 5º Distrito Naval.
   Em 1983, com o Decreto nº 198/83, passou a funcionar como Escola Reunida.  
   Em 1991 é tornada Escola Básica, em função do Parecer nº 010/91, do Conselho Estadual de Educação, aprovado em 5/02, pela Portaria que foi publicada no Diário Oficial no dia 06 de março do mesmo ano de 1991. Desde então a escola Básica Santa Marta passou a ter de 1º a 8º série do Ensino Fundamental.

   Em 1993 foram construídas mais três salas de aula e no ano seguinte passou a funcionar o pré-escolar. A rede elétrica foi totalmente reformada em 1995. No total a escola possui cinco salas, três banheiros, uma biblioteca, dois depósitos, uma sala de professores, direção e secretaria, com uma média de 242 alunos e 13 professores com índice de aproveitamento de 80%.
 
CAPELA
 
 

   A Capela de Santa Marta, no alto do morro, nas proximidades do Farol foi construída em 1946 pela Marinha. Obra de 38 metros quadrados em alvenaria, com forro de madeira e cobertura de telha.

 ORIGEM DE UMA LENDA

   Uma nau espanhola denominada Santa Marta naufragou no ano de 1737, ao sul do Cabo de Santa Marta. Em conseqüência deste naufrágio, “O acidente foi decorrente de uma sublevação a bordo, o que faz crer que a nau foi propositalmente encalhada na praia”, cerca de 200 náufragos seguiram para Laguna, onde foram socorridos pelo fidalgo residente João da Távora.

   Do incidente se originou uma lenda, que com inúmeras variações, permanece até hoje. Ulysséa registrou em 1947 a versão de que uma nau espanhola denominada Santa Marta, navegava no pacífico para a Espanha conduzindo barras de ouro e prata e outros valores. Nas imediações do Cabo de Santa Marta naufragou, sendo salvo os valores das colônias do pacifico. O carregamento de ouro e prata, entretanto, não podendo ser transportada, acabou sendo enterrada no morro do Cabo.

   Naquele tempo, segundo a lenda, não havendo população no litoral catarinense, exceto em Desterro (atual Florianópolis), foi onde os náufragos resolveram pedir ajuda. Na volta “trazendo cargueiros, foram massacrados pelos indígenas no lugar denominado Paulo Lopes, não sobrevivendo quem soubesse o lugar onde fora enterrado o tesouro”.

 

FONTES

Lista de Faróis, editada pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN);
Lista de Auxílios Rádio, editada pela DHN;
Livro "À Esquina do Atlântico" de Celso Martins - Editora Garapuvu; e
Livro "Luzes do Novo Mundo" de Ney Dantas ( História dos Faróis Brasileiros).