Voos Antárticos/FAB
Operar no Continente Antártico é uma capacidade que poucas Forças Aéreas possuem e, por conseguinte, um privilégio de poucos tripulantes ao redor do mundo. Tal fato, por si só, seria suficiente para explicar o fascínio que a missão exerce sobre os integrantes do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte - 1º/1º GT, também carinhosamente chamado de “Esquadrão Gordo”, sediado no Rio de Janeiro.
Aeronave C-130 (Hércules), da FAB na Base Aérea do Galeão
A data era 23 de agosto de 1983. A epopeia da tripulação do Esquadrão Gordo embarcada no C-130 Hércules FAB 2463, nesta data, dava início a um dos mais brilhantes e extraordinários capítulos da história da Força Aérea Brasileira: a Missão Antártica.
Pouso na Base Chilena Aérea Presidente Eduardo Frei Montalva, na Antártica
A missão faz parte do apoio logístico ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Os voos realizados a cada OPERANTAR são imprescindíveis para a substituição de pesquisadores e militares, e o transporte de cargas que possibilitam o abastecimento contínuo da Estação Antártica Comandante Ferraz durante todo o ano.
Desde dezembro de 2021, a aeronave KC-390 Millennium vem sendo empregada nos Voos de Apoio do PROANTAR, realizando o traslado de pessoal e material entre o Rio de Janeiro e as cidades de Punta Arenas (Chile) e Ushuaia (Argentina). De fabricação nacional (Embraer S.A.), o KC-390, operado pelo 1º/1º Grupo de Transporte (GT) – Esquadrão “Gordo” (Rio de Janeiro-RJ) e pelo 1º Grupo de Transporte de Tropa (GTT) – Esquadrão “Zeus” (Anápolis), é mais moderno e veloz, possuindo maior capacidade que o Hércules C-130, substituindo-o. Até o momento, o KC-390 não está homologado para o pouso na Base Frei, na Antártica.
KC-390 da FAB em operação no Aeroporto de Punta Arenas (Chile)
Diante dessa situação, a FAB vislumbrou a possibilidade de pousar na Antártica com um cargueiro de menores proporções, sua aeronave “C-105 Amazonas”, que se destaca por sua capacidade de operar em pistas curtas, não preparadas ou semipreparadas, característica essencial para a integração logística em regiões remotas e de difícil acesso, como a Amazônia e o ambiente antártico.
Assim, em 4 de novembro de 2025, após o processo de homologação de pouso na pista do Aeródromo Teniente Rodolfo Marsh Martin, da Base Aérea Presidente Eduardo Frei Montalva, foi realizado o pouso inaugural da aeronave de transporte C-105 Amazonas, pertencente ao Esquadrão “Onça” (1º/15º GAV). Tal operação representou um avanço significativo na ampliação da capacidade operacional da Força Aérea Brasileira para conduzir missões em ambientes caracterizados por condições meteorológicas severas e altamente desafiadoras.
Aeronave C-105 da FAB pousado na Base Frei, na Antártica
Ainda na mesma Operação Antártica 2025-2026 (OPERANTAR XLIV), em 6 de março de 2026, concretizou-se o primeiro lançamento aéreo de suprimentos na Antártida utilizando a aeronave C-105 Amazonas, desta vez operada pelo Esquadrão “Arara” (1º/9º GAV). Esse marco evidenciou a robustez e a versatilidade do vetor aéreo em cenários de frio extremo e baixa visibilidade, assegurando a manutenção da continuidade logística e do suporte às atividades do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).
VOOS DE APOIO (VERÃO)
Com a incorporação da aeronave C-105 Amazonas às Operações Antárticas (OPERANTAR), os voos de apoio realizados durante o verão austral (outubro a março) passaram a contar novamente com a capacidade de efetuar pousos na Base Presidente Eduardo Frei Montalva, localizada na Ilha Rei George. Tal incremento ampliou de forma significativa a capacidade logística do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), possibilitando maior flexibilidade no transporte de pessoal e suprimentos, além de viabilizar um fluxo mais dinâmico de pesquisadores em regime de rodízio. Como consequência direta, observa-se também a otimização do período de permanência dos navios de apoio na região antártica, que passam a se dedicar de maneira mais contínua às atividades científicas.
Revezamento de pessoal a partir da Base Frei, na Antártica
Nesse contexto, o processo logístico de revezamento de pesquisadores ocorre de maneira coordenada entre os meios aéreos e navais, tanto na Antártica (com o apoio da aeronave C-105 da FAB), como a partir de cidades no sul do Chile ou Argentina. Nesse último caso, durante um voo típico de apoio de verão, a aeronave KC-390 da FAB decola da Base Aérea do Galeão, realizando escala em Pelotas, onde os participantes das OPERANTAR recebem as andainas com as vestimentas antárticas, especiais para as operações em ambientes polares extremos. Em seguida, a aeronave prossegue até cidades estratégicas no extremo sul do continente, como Punta Arenas, no Chile, ou Ushuaia, na Argentina.

Embarque das andainas antárticas no Aeroporto de Pelotas-RS

Voo de Apoio de verão com o KC-390
Nessas localidades ocorre a integração com os navios antárticos, que operam simultaneamente na região. É nesse ponto que se efetiva o revezamento de pessoal: passageiros que retornam da Antártica desembarcam dos navios e são embarcados na aeronave para o regresso ao Brasil, enquanto novos integrantes realizam o movimento inverso, seguindo por via marítima até os seus respectivos locais de pesquisa na Antártica. Paralelamente, há a transferência de cargas, com o embarque e desembarque de materiais científicos, equipamentos e sobressalentes, além de mantimentos e demais suprimentos.

Revezamento de pesquisadores em Punta Arenas com o apoio do KC-390
Esse modelo integrado de logística, combinando vetores aéreos e navais, proporciona maior eficiência operacional, reduz o tempo de exposição dos pesquisadores às condições extremas de travessia marítima e assegura a continuidade das atividades científicas desenvolvidas no âmbito do PROANTAR, mesmo diante das severas condições ambientais características do continente antártico.
VOOS DE INVERNO
Com o retorno dos Navios da Marinha para o Brasil e a chegada do inverno antártico (março a outubro) os voos de apoio da FAB passam a ser a única forma de abastecimento da EACF.

Momento exato do lançamento de cargas com o Hércules C-130
Durante o período de inverno antártico (abril a setembro), caracterizado por condições meteorológicas extremamente severas, longos períodos de escuridão e a inviabilidade de operações regulares de pouso, o apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) é realizado, de forma planejada e criteriosa, por meio de lançamentos aéreos de suprimentos utilizando paraquedas.

Paletes de carga prontificados para lançamento em Pelotas-RS

KC-390 no Aeroporto de Ushuaia (Argentina), em um típico Voo de Apoio no inverno
Nessa fase da OPERANTAR, as aeronaves da Força Aérea Brasileira (KC-390 e o C-105) são empregadas para o lançamento de suprimentos em zonas de lançamento previamente homologadas nas proximidades da Estação.
Militares do Grupo-Base recolhem o material na Zona de Lançamento nas proximidades da EACF
O processo envolve planejamento detalhado, que contempla variáveis críticas como condições de vento, visibilidade, temperatura, altitude de lançamento e precisão de navegação. Os suprimentos — que incluem alimentos, itens médicos, peças de reposição e materiais essenciais à manutenção da habitabilidade da Estação — são equipados com sistemas de paraquedas adequados ao peso e à natureza da carga, garantindo a integridade dos itens durante a descida e o impacto no solo.
A execução do lançamento demanda elevada coordenação entre a tripulação da aeronave e a equipe em solo na EACF, que é responsável por sinalizar e, posteriormente, recuperar os materiais lançados.
Esse tipo de operação assegura a continuidade do suporte logístico durante o inverno, período no qual a estação permanece isolada e inacessível por meios convencionais. Dessa forma, os lançamentos aéreos por paraquedas constituem um elemento essencial para a sustentação das atividades logísticas e científicas, provendo segurança das equipes que permanecem na Antártica ao longo do inverno.

