NACIONALIZAÇÃO

O PROSUB pode ser considerado um dos maiores contratos internacionais já feitos pelo Brasil e o maior programa de capacitação industrial e tecnológica na história da indústria da defesa brasileira.

Tal como a transferência de tecnologia francesa para o Brasil, também foi preconizada no PROSUB a nacionalização dos produtos e sistemas adquiridos em todas as fases do programa, desde a construção da fábrica de estruturas metálicas até a manutenção do submarino com propulsão nuclear.

A nacionalização engloba 104 subprojetos e representa nada menos que € 400 milhões em offset (contrapartida referente à transferência de tecnologia e know-how) para capacitação de empresas. As encomendas de sistemas, equipamentos e componentes para construção dos submarinos convencionais feitas ao parque nacional serão da ordem de € 100 milhões. Esse mesmo valor é o mínimo previsto para a nacionalização dos equipamentos e componentes para o SN-BR.

A primeira tarefa da Marinha do Brasil foi selecionar entre as demandas do programa o que interessaria fabricar nacionalmente — produtos de alto teor tecnológico. Em seguida, o segmento industrial brasileiro foi convocado para que se avaliasse o que poderia ser produzido no país, entre motores e sistemas de propulsão elétrica, compressores e baterias, radares, periscópios etc.

Em alguns casos, o produto já estava disponível no mercado nacional; em outros, foram encontrados produtos similares e o fornecedor pôde fazer as adaptações necessárias. Mas houve também situações em que as empresas brasileiras precisaram de capacitação específica para atender à demanda do PROSUB.

Para a construção da UFEM e do Estaleiro e Base Naval (EBN), foram envolvidas mais de seiscentas empresas brasileiras, que garantiram a nacionalização de 95% dos componentes e sistemas. Na busca por fornecedores para os submarinos convencionais, foram visitadas quase duzentas empresas nacionais, das quais a metade foi pré-qualificada. O contrato de nacionalização dos S-BR lista mais de 90 itens a serem adquiridos internamente e prevê ainda a integração de softwares e o suporte técnico para as empresas durante a fabricação dos produtos.

Um dos primeiros itens a serem nacionalizados foi o IPMS (Integrated Plataform Management System), sistema de computador responsável pelo controle de navegação, profundidade, propulsão, qualidade de vida e segurança a bordo, energia elétrica etc. A Mectron, sediada em São José dos Campos, foi selecionada pela DCNS e pela Marinha para desenvolver esse sistema no Brasil e participou de treinamentos na França.

Engenheiros da Fundação Ezute (antiga Fundação Atech) também estão na França e serão responsáveis pela manutenção dos sistemas de combate dos submarinos convencionais. Os motores elétricos serão fabricados pela WEG Equipamentos, empresa de Jaraguá do Sul (SC). A fabricação das baterias está a cargo da empresa alemã Hagen, do grupo Exide, que fará a primeira unidade (para o S-BR1) na Alemanha, mas já contratou a empresa Rondopar, de Londrina (PR), para participar da fabricação das demais unidades. Sediada em Barueri (SP), a Adelco vai produzir conversores estáticos — de um total de 16, dois serão feitos na França e os outros no interior paulista.

A lista dos fornecedores interessados em participar do PROSUB é extensa. As empresas e laboratórios nacionais têm absorvido conhecimentos específicos para desenvolver componentes e sistemas, de forma a atender não só à demanda da Marinha do Brasil, mas também ao mercado internacional.

Esse é um aspecto que se estende a toda a cadeia de produção. Uma vez capacitado, o Brasil, além de não depender da contribuição externa para seus projetos de submarinos, poderá exportar sua nova tecnologia. As indústrias brasileiras se especializarão na fabricação de peças e equipamentos para submarinos, ao passo que a Marinha do Brasil saberá projetá-los e construí-los. O País possivelmente passará a contar com uma base industrial eficiente na área da defesa.

Fora isso, o que atrai o interesse da indústria é a dualidade das tecnologias absorvidas e desenvolvidas em razão do PROSUB e a possibilidade de aplicação em outros setores da economia. Várias tecnologias bélicas já foram apropriadas com êxito pelas indústrias para uso civil, sobretudo nos segmentos químico, mecânico e naval, consolidando um arrasto tecnológico que vai muito além da área militar.