Page 329 - Livro - Economia Azul
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3.2 A nossa Política Marítima   segundo informa seus “objetivos”, totali-  objetivos são ousados pois além de buscar a   uma avaliação ex-post da política em vigor,
 Nacional  zando 14, em geral bastante abrangentes   integração das políticas relacionadas ao uso   e que redundaria em subsídios de reformu-
 e em alguns casos já obsoletos (como o   do mar – que, como já foi abordado, é um   lação. Tal processo tornou-se inviável. A vi-
 A Política Marítima Nacional não é ato   desejo de privatização de atividades marí-  conjunto bastante complexo de instrumen-  gente PMN não possui nenhum indicador
 normativo recente. Sua primeira versão foi   timas); e, um capítulo terceiro constituído   tos de diversos níveis e propósitos –, visa   que permitisse sua mensuração e avaliação
 instituída por Decreto-Lei, em 1984, apenas   de uma tabela de “Ações a realizar” des-  definir os objetivos e prioridades de cada   ao longo do tempo; os órgãos responsáveis
 dois anos após a assinatura da Convenção   crevendo-as e atribuindo responsabilida-  segmento, elaborar ou propor atos e ins-  foram, em sua maioria, descontinuados ou
 das Nações Unidas sobre o Direito do Mar   des de coordenação e de participação nas   trumentos normativos decorrentes e avaliar   modificados; seu recorte de vigência (supe-
 (de 1982) e antes mesmo de sua vigência   mesmas. Essa tabela, reflete a estrutura go-  formas de financiamento e de implementa-  rior a 25 anos inviabilizava a busca de dados
 internacional. Foi um marco relevante na-  vernamental  de  1994,  portanto,  congrega   ção da nova PMN. Ou seja, almeja ser o do-  no tempo passado), ou seja, realizar a ava-
 cional e internacional, posto que, à época,   órgãos, ministérios e entidades que foram   cumento  aglutinador  da  vontade  nacional   liação ex-post e executiva seria um esforço
 muito poucos Estados já haviam formaliza-  extintas, modificadas  ou que  tiveram suas   em relação ao mar, atribuindo prioridades e   pouco frutífero. Assim, a primeira decisão
 do suas vontades em termos oficiais de uma   atribuições completamente alteradas, ou   mecanismos decorrentes de implementação   do GTI-PMN foi quase que a de “recriação
 Política, em que pese essa seja uma das de-  seja, não pode ser considerada minimamen-  eventualmente necessários.  de uma PMN”. Obviamente a experiência
 mandas da ONU, assumidas pelos Estados.   te perene. Isto posto, considerá-la como a   Para tanto, nasce da participação de 15   passada serve como bom balizador para
 Em 1994, nova versão da nossa PMN foi ins-  expressão máxima da vontade nacional em   órgãos da Administração Pública vigente2,   o futuro, mas, diante da PMN vigente, ela
 tituída por meio do Decreto Nº 1.265, de 11   assuntos atinentes ao mar pode ser bastan-  o que reforça a mesma postura já aprendi-  apenas foi utilizada como subsídio de início
 de outubro de 1994 – ou seja, mesmo antes   te anacrônico e obsoleto. O desejo de sua   da com a citada CIRM de construção cole-  à uma reformulação para uma nova PMN.
 da vigência internacional da CNUDM, que   modernização/atualização já não é recente,   giada. Diante de metas tão ousadas e da   Na qualidade de relato empírico desse
 se deu em 10 de dezembro do mesmo ano   mas até mesmo a designação de qual órgão   pluralidade de visões de setores do Poder   processo, ainda em construção, conside-
 – e que é a vigente até o momento.   capitanearia tal empreitada não era clara,   Executivo, sob a coordenação do Comando   ra-se que a experiência do presente autor
 A PMN vigente (1994) bem atendeu aos   uma vez que até mesmo a Marinha do Bra-  da Marinha, seus trabalhos somente foram   – integra o referido GTI-PMN – serve como
 seus propósitos vislumbrados, à época, de   sil sofreu alterações em seu posicionamento   iniciados em abril de 2021, após a expedi-  relato dos caminhos e opções trilhados.
 nortear  a vontade  nacional  e fez  o Brasil   estrutural governamental (deixando o nível   ção, por Portaria de designação, pelo Mi-  As primeiras questões que se colocaram
 figurar, até o início da década de 2020,   ministerial para o de Comando de Força).   nistro da Defesa de seus integrantes.  no GTI-PMN foram:
 como um dos 12 países que possuíam do-  Assim, cabe mesmo a pergunta: a   Como descrito anteriormente, uma Po-
 cumentos similares1. Hoje esse contingen-  quem cabe essa iniciativa? Duas respostas   lítica Pública, de mais alto nível na estrutu-  . qual o contexto internacional
 te é bem mais extenso por diversos fatores,   se apresentam: pode ser de iniciativa le-  ra nacional, vocacionada a um ambiente (o   que se insere essa iniciativa nacio-
 dentre eles, o tempo de maturação e mes-  gislativa; uma vez que, sendo o Congres-  mar, latu sensu) que, por sua vez congrega   nal? A resposta para tal questão
 mo de adesão à CNUDM e, principalmente,   so Nacional a casa da expressão plural da   diversos setores interconectados (ambiental,   pressupôs um estudo comparado
 à crescente atenção e foco dado aos ocea-  sociedade, dele poderia advir uma vontade   de trabalho, exploratório, de pesquisa, de   internacional.
 nos, especialmente após a Agenda 2030,   estatal manifesta em uma nova Política Pú-  transporte e integração nacional e interna-
 com metas específicas referentes ao mar e   blica voltada ao mar. Outra opção – sendo   cional, e fonte de sustento econômico-so-  . No contexto nacional, como o
 à instituição da Década da Ciência Oceâni-  a reorganização dos esforços nacionais,   cial de tantos brasileiros, por exemplo) não   Brasil tem estruturado políticas
 ca (2021-2030). Efetivamente, o mar en-  portanto mais executivos, cabe enquanto   é uma tarefa simples. Fazê-lo sem a devida   desse nível. Isso, então, pressupôs
 trou na agenda internacional.  inciativa, à formulação de política pública   resposta da sociedade pode enfraquecer   estudo comparado nacional.
 A vigente PMN é bastante reduzida em   advinda do Poder Executivo nacional. Uma   suas opções. Ao mesmo tempo, esse pro-
 seu conteúdo, dispõe de uma introdução   vez que a primeira opção não se manifes-  cesso laborativo, do ponto de vista da ciên-  . Qual a melhor forma de debate
 que a contextualiza e valoriza, um capítulo   tou pela inciativa, desde 1994, por inciativa   cia, foi bastante enriquecido na última dé-  com a sociedade para que o ins-
 primeiro que informa alguns documentos   do Poder Executivo (Decreto Nº 10.607, de   cada com métodos e sistemáticas próprias.   trumento fosse mais bem elabora-
 condicionantes à sua elaboração (vários   22 de janeiro de 2021) (BRASIL, 2021), foi   Se considerada como já vigente uma   do, refletindo os múltiplos interes-
 deles de forma genérica e que já não mais   instituído Grupo de Trabalho Interministe-  PMN (o que é fato), sua reformulação, do   ses sociais cotejados aos interesses
 existem ou foram substituídos); o capítulo   rial para reformular a PMN (GTI-PMN). Seus   ponto de vista metodológico, passaria por   estratégicos nacionais.



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