Hemofilia e exercícios físicos: essa dupla combina?

Enviado em: 04/01/2020

Eles aumentam a produção de endorfina, diminuem a tensão muscular, baixam o hormônio do estresse, promovem mudanças na mente e no corpo, melhoram a ansiedade, a depressão e até a autoconfiança. Sabem de quem estamos falando? Do exercício físico, que, como diria uma famosa música, igual a canja de galinha, não faz mal a ninguém.

Mas a pergunta de hoje é: será que os exercícios físicos podem ajudar também os pacientes com hemofilia? Para isso, precisamos esclarecer que a doença é um distúrbio genético e hereditário, em que o sangue não coagula normalmente, ocasionando sangramentos (externos - quando ocorrem cortes na pele - e internos - quando acontecem dentro das articulações, dos músculos ou em outras partes internas do corpo).

É um mito pensar que as pessoas com hemofilia não podem praticar exercícios físicos e esportes. Com o tratamento adequado, os pacientes podem fazer diversas atividades como natação e corrida, mas, em geral, não se recomenda que pratiquem aquelas que envolvam impacto físico. Por isso, é muito importante começar o exercício devagar e progredir gradualmente.

Se tenho hemofilia, qual exercício físico devo praticar? Não existem atividades específicas para a doença. Elas devem ser selecionadas de forma a adaptar-se aos objetivos e habilidades de cada indivíduo. Algumas vezes, os exercícios mais simples são os mais adequados. Logo, não é preciso frequentar uma academia cara ou gastar dinheiro em equipamentos para ter um bom resultado. O ideal é começar com práticas acessíveis e observar o progresso do tratamento.

É necessário também ter cuidado, principalmente, com joelhos, tornozelos e cotovelos, que são as articulações mais frequentemente afetadas pelos sangramentos na hemofilia. Segundo a Associação Brasileira de Pessoas com Deficiência, a prática dos exercícios físicos é recomendada e até estimulada, de acordo com cada caso, para todas as idades desde que o paciente tenha acompanhamento e esteja em dia com seu tratamento. Isso porque os exercícios físicos reduzem os sangramentos, fortalecem a musculatura, aumentam a mobilidade e favorecem a reabilitação músculo-esquelética.

Mas, atenção! Os exercícios devem ser suspensos enquanto o paciente estiver com um sangramento, devendo-se, também, respeitar o período de repouso pós-hemorragia, que pode variar dependendo da gravidade e do local da ocorrência. Para a Capitão de Fragata, médica, Marianne Borges Landau, Chefe da Clínica de Hematologia do Hospital Naval Marcílio Dias, os exercícios físicos, se bem orientados e adequadamente prescritos, podem ser aliados ao tratamento da doença.

“Eles melhoram a qualidade de vida e não apenas contribuem para os músculos e articulações, são capazes de promover o bem-estar e a integração social, por isso, para as crianças hemofílicas, por exemplo, a participação em atividades práticas, inclusive na educação física escolar, deve ser estimulada, sendo observadas ressalvas apenas para atividades de contato, tais como lutas, com impacto direto por trazerem mais riscos de hemorragias”, afirmou Landau.

É importante lembrar que quando uma pessoa com hemofilia se machuca, não sangra mais rápido do que outra sem hemofilia, apenas permanece sangrando durante um tempo maior e pode recomeçar a sangrar vários dias após um ferimento ou uma cirurgia. Vale dizer que o tratamento evoluiu muito nos últimos anos e hoje pode ser realizado de forma preventiva, evitando a ocorrência de sangramentos e sequelas físicas.

O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo SUS nos Centros de Tratamento de Hemofilia (CTH)/Hemocentros. No Rio de Janeiro, você pode procurar o HEMORIO - Rua Frei Caneca, 8, Centro, Rio de Janeiro, (21) 2332-8611 / 2332 -8612 / 2332-8613 / 2332-8614). Caso não esteja no Rio, busque a unidade de tratamento mais próxima acessando o site da Federação Brasileira de Hemofilia.

Confira 5 dicas para os pacientes hemofílicos*:

  1. DEVAGAR E SEMPRE – é muito importante começar os exercícios devagar e progredir gradualmente para os mais intensos.
  2. CUIDADO COM A DOR – ela mostra que algo está errado no exercício. Portanto, se ela aparecer, respeite o seu corpo e analise o que está ocorrendo.
  3. QUANTIDADE DE EXERCÍCIOS – o tipo físico de cada pessoa deve ser levado em conta no momento de definir o número de repetições a serem feitas. Atenção ao que o seu organismo tolera, principalmente se tiver havido hemorragia recente.
  4. O CORPO COMO UM TODO - leve em consideração o seu corpo como um todo e não apenas uma articulação isolada. Exercícios indicados para uma parte do corpo, se feitos de forma inadequada, podem prejudicar outras.
  5. ATIVIDADES DIÁRIAS TAMBÉM DEVEM SER REALIZADAS - muitas atividades rotineiras como caminhar, andar de bicicleta ou subir escadas podem ser benéficas também. Por isso, não devem ser descartadas.

*Dados da Federação Brasileira de Hemofilia

Comitê Gestor Saúde Naval




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