Page 337 - Livro - Economia Azul
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5. Influências internacionais nas políticas públicas nacionais voltadas  6. Considerações finais
 ao mar
                     O presente trabalho além de buscar con-  do nível federal. Recorde-se que, somente
 O  pensamento  evidente  de  que  a  es-  descontrolada, fluxo de refugiados, ou   ceituar e usar metodologia tipológica para   pelo tipo de instrumento de implementa-
 sência das políticas públicas é a manifes-  outras – estejam pautando debates em   entendimento das políticas públicas nacio-  ção superior a decretos, há levantamen-
 tação formal da vontade do Estado para   diversas  organizações  internacionais  nais voltadas ao mar procurou apresentar a   to de mais de duas centenas de tratados
 determinado setor ou atividade, portanto,   (ONU, EU, IMO, OTAN). Pelo viés ambien-  complexidade da rede de instrumentos que   internalizados, leis federais, leis comple-
 de caráter eminentemente interno é ade-  tal e científico, vê-se a Agenda 2030, com   acabam por sinalizar a vontade do país para   mentares, leis ordinárias e decretos ati-
 quado. Entretanto, não é incomum a visão   Objetivos de Desenvolvimento Sustentá-  o grandioso, estratégico e fundamental mar   nentes às diversas temáticas do mar.
 de international public policy, inclusive com   vel  (ODS)  claramente  relacionados  com   que margeia o Brasil. Essa complexidade   Isto posto, optou-se por breve análise
 Associação formalmente estabelecida (In-  o mar e outros transversalmente relacio-  torna-se ainda maior, na medida que não é   das duas Políticas consideradas mais holís-
 ternational Public Policy Association - IPPA )   nados (quando observadas suas metas),   oriunda de um único órgão central de de-  ticas em relação ao mar: a Política Nacio-
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 ou mesmo construção teórica nacional e   ou mesmo a instituição da chamada Dé-  cisão4, ainda que, seja bastante facilitada   nal de Recursos do Mar, uma vez que ela é
 internacional sobre tal, como assegura An-  cada da Ciência Oceânica (2021-2030).   essa articulação em função da acumulação   assunto específico tratado na versão mais
 tonio Lassance (2020) ou mesmo acadê-  Ainda, vê-se movimento de tentativa de   de funções de Comandante da Marinha e   ambiental e a Política Marítima Nacional,
 micos mais clássicos como Jacob Dolinger   consolidação de relevante nova Conven-  de Autoridade Marítima Nacional. Essa du-  de onde, teoricamente, todas deveriam
 em seu artigo “World Public Policy: Real   ção sobre a temática para as chamadas   pla missão, facilita sobremaneira a comple-  afluir, mas que se encontra em processo
 International Public Policy in the Conflict of   “águas além das jurisdições nacionais”   xa relação do tráfego marítimo e toda sua   de reformulação que foi abordado. Essa re-
 Laws” (1982). Em verdade, sendo a vonta-  com o chamamento à Conferência (ainda   rede com os aspectos da segurança no mar.  formulação, certamente, passa por amplo
 de estatal, não parece haver espaço para se   em finalização) para a elaboração de uma   Entretanto, não se pode entender que   debate nacional.
 falar de “política pública internacional” ou   Biodiversity Beyond National Jurisdiction   todas as políticas públicas voltadas ao mar   Posteriormente,  mostrando  que  se  a
 mesmo “política pública global”.   Convention (BBNJ-Convention).   sejam decorrentes apenas dessas vertentes,   primeira política abordada (Recursos do
 Até mesmo para alguns mais legalistas,   Todo esse movimento da vontade dos   muito menos exclusiva do Poder Executivo   Mar)  privilegiava a perspectiva  “por te-
 essa vontade internacional somente passa   Estados, acaba por influenciar também a   federal, nem somente feita a partir de leis e   mática transversal”, de forma exemplifi-
 a vigorar como autêntica política pública,   gestão nacional dos assuntos marítimos,   decretos. Essa matriz de complexidade pro-  cativa, optou-se por abordar outra políti-
 no país, quando formalmente internaliza-  logo, se anteriormente, já se mostrou o   curou demonstrar que, pelo menos quatro   ca, por outra perspectiva, no caso “pelo
 da (ou seja, após todo o trâmite de assina-  complexo sistema de cotejamento de qua-  grandes prismas têm simultaneidade na   ambiente geográfico”, ou seja, a Zona
 tura, aprovação congressual, ratificação e   tro  perspectivas  nacionais:  por  temática   gestão de  políticas públicas voltadas ao   Costeira, e que nasce sob o nome de
 promulgação interna).   transversal; por competência decisória;   mar. São as quatro perspectivas abordadas   “Plano Nacional de Gerenciamento Cos-
 Entretanto, a argumentação contras-  por ambiente geográfico e por níveis e   (por temática transversal; por competência   teiro”, ainda antes da entrada em vigor
 senso é que não se pode entender, ainda   tipo de instrumentos de implementação   decisória; por ambiente geográfico e por   da atual Constituição Brasileira, de 1988.
 mais em temáticas tão globais como “es-  (ver Fig.1), agora ainda haveria um amplo   níveis e tipo de instrumentos de implemen-  Esse exemplo, serviu como estudo de
 paço”, “meio ambiente” e “mar” que o   contexto internacional que acaba se so-  tação) e que acabaram justificando a cria-  caso para demonstrar a complexa relação
 movimento internacional não acabe bali-  brepondo a todo esse arcabouço. Assim,   ção do citado Observatório de Políticas Ma-  com os diversos “níveis de instituciona-
 zando, também, a vontade estatal. E, esse   não parece concebível dissociar a vonta-  rítimas que tentasse fornecer instrumentos   lização” (federal, estadual e municipal”.
 é um momento particularmente especial,   de nacional da influência internacional   de acompanhamento, avaliação e proposi-  Feitas essas três análises de macro políti-
 sob a perspectiva internacional, do mar   que acaba por, também, ajudar a pautar   tura de melhoramento ou de implantação   cas, procurou-se pautar ainda a relação de
 e sua gestão. Diversas temáticas maríti-  as políticas públicas brasileiras voltadas   de políticas públicas voltadas ao mar.   superveniência de uma agenda internacional
 mas têm dominado a agenda internacio-  ao mar. Em questões marítimas, não bas-  O presente trabalho não pretendeu ser   sobre o mar, que muito acaba influenciado a
 nal de debates. Por exemplo, pelo viés   ta “apenas” a vontade nacional, ela deve   conclusivo em tentar analisar as quatro   agenda nacional e os rumos decididos pelo
 securitário, observa-se que determinadas   considerar como variável relevante (ainda   perspectivas, então optou por analisar o   Estado (mais que por governos).
 áreas sensíveis e sob ações ilegais – sejam   que não impositivo) todo o ambiente in-  estado atual e as perspectivas das princi-  Dessa maneira, espera-se ter contribuí-
 de pirataria, roubo armado, migração   ternacional e sua relação com o mar.   pais políticas nacionais, portanto, partindo   do em demonstrar o quanto sua contínua
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