Crianças e adolescentes também podem ter reumatismo?

Enviado em: 28/10/2019

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O termo reumatismo serve para designar um grupo bastante extenso de doenças que acometem não só as articulações, músculos, ligamentos e tendões, mas inclui também doenças que afetam o sistema imunológico e atacam órgãos como cérebro, rins e coração.

Normalmente, relaciona-se reumatismo às pessoas mais velhas, no entanto, esse grupo de doenças acomete milhares de crianças e adolescentes e seus sintomas são similares aos dos adultos: dor e inchaço nas articulações, febre, emagrecimento, fraqueza e atrofia muscular, podendo haver inflamação de vários órgãos internos.

De acordo com o número de articulações afetadas, podem-se distinguir três tipos de artrite infantil ou juvenis:

  • Pauciarticular (Oligoarticular) - quando menos de 4 articulações são afetadas. É a mais comum das artrites nas crianças e pode se dar nas articulações maiores como os joelhos e cotovelos.
  • Poliarticular - quando existem mais de 5 articulações afetadas, que podem ser tanto articulações grandes (joelhos, por exemplo) como pequenas (mãos e pés, por exemplo). Além disso, pode ser uma artrite simétrica, que afeta a mesma articulação em ambos os lados do corpo.
  • Sistêmica - que além das articulações pode afetar o coração, fígado, baço e nódulos linfáticos e acontecer etapas de febre.

Nessa faixa etária, a doença mais comum é a artrite idiopática infantil (AIJ), podendo, também, apresentar a febre reumática, o lúpus eritrematoso sistêmico (LES), a fibromialgia juvenil, as vasculites e a esclerodermia, entre outras.

A criança pode passar a cair repetidamente, tropeçar ou caminhar com dificuldade, deixando de fazer atividades rotineiras, como correr ou jogar bola. Ou começar a sentir alguma dor que pode ser constante e não melhora com analgésicos até mesmo em repouso, incomodando o sono à noite, podendo indicar algum problema reumatológico. As causas são as mais diversas: má postura e infecções na garganta, além de predisposição genética.

A abordagem terapêutica deve ser multiprofissional em crianças com doenças reumáticas com o objetivo de proporcionar uma melhoria clínica mais rápida e efetiva e, sobretudo, conseguir que o paciente tenha uma vida normal.

Todas as crianças e adolescentes, independentemente da gravidade dos sintomas, devem ter acompanhamento multiprofissional adequado (e longo) para evitar deformidades articulares e até invalidez.


Ana Lúcia da S. Castilhioni
Capitão de Mar e Guerra (RM1-S)
Coordenadora do Conselho Editorial



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