Outubro Rosa

Enviado em: 30/09/2021

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Outubro Rosa - vamos retomar os exames de rotina?

Com a pandemia de COVID-19, alguns cuidados de saúde foram adiados, e está na hora de colocar em dia a sua mamografia. Veja as dúvidas mais comuns das pacientes sobre Câncer de mama.


O que é mamografia de rastreamento?

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres (excluindo câncer de pele não melanoma). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele representou cerca de um quarto do total de casos novos de câncer em mulheres no mundo em 2020. Além disso, é a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, sendo a mais frequente em quase todas as regiões brasileiras. Por isso, existe um programa de rastreamento, o que significa fazer a mamografia mesmo mulheres sem nenhum tipo de sintoma nas mamas. A ideia é descobrir a doença em uma fase bem inicial, antes de causar sintomas ou se tornar palpável. A Sociedade Brasileira de Mastologia preconiza o rastreamento anual a partir dos 40 anos nas mulheres em geral. Já as pacientes que tenham um forte histórico familiar como parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, principalmente antes dos 50 anos, devem procurar avaliação com mastologista para um acompanhamento individualizado.


Por que a mamografia é tão importante? 

Porque o exame de mamografia é o método preconizado para o rastreamento, sendo o mais eficaz para detecção precoce de câncer de mama. É o único tipo de exame de rastreamento que provou reduzir a mortalidade por essa doença em estudos científicos. Esse impacto pode chegar a 25-30% de redução da mortalidade por câncer de mama com o rastreamento por mamografia. É uma taxa muito expressiva, porque a alta mortalidade associada ao câncer de mama se deve, na maioria dos casos, à detecção em fase tardia.


A ultrassonografia das mamas pode substituir a mamografia no rastreamento do câncer de mama?

Não, a ultrassonografia isolada não é recomendada como exame de rastreamento de câncer de mama, pois não substitui a realização de mamografia. Pode ser solicitada como exame complementar à mamografia em algumas situações, como no caso de lesões nodulares para diferenciação entre conteúdo sólido e cístico, além de ser o método de exame solicitado em casos de nódulos palpáveis em pacientes jovens e em gestantes.


Qual a diferença de se fazer o diagnóstico precoce do câncer de mama?

Proporciona um tratamento menos agressivo. A paciente pode não precisar se submeter à quimioterapia, por exemplo. As cirurgias tendem a preservar a mama, com menos comprometimento estético e da autoestima da mulher. Além disso, as pacientes que tiveram a detecção precoce e o tratamento correto realizado em fase inicial têm menor risco de morte em decorrência do câncer de mama.


Devo guardar os exames anteriores?

Sim, tanto a mamografia quanto a ultrassonografia ou ressonância magnética mamária devem ser guardadas pela paciente e levados no dia da realização dos novos exames. O exame anterior é utilizado como um comparativo durante a análise feita pelo médico radiologista. Portanto, quando a paciente tiver uma ultrassonografia de mamas e axilas agendada, por exemplo, deve levar as ultrassonografias de mamas e axilas e suas mamografias anteriores, tanto os laudos quanto as imagens. O radiologista consegue identificar pequenas alterações entre o exame antigo e o atual, o que podem fazer toda a diferença para a paciente.


O que significa BIRADS nos resultados dos exames?

Basicamente, é um sistema de descrição padronizada do laudo dos exames de mama, e os achados encontrados são classificados em categorias. A categoria 3 significa um tipo de imagem com um risco menor de 2% de malignidade, podendo, na maioria das vezes, ser acompanhado com novo exame de imagem solicitado pelo ginecologista em 6 meses. Lesões categoria 4 são alterações com risco maior que 2% de malignidade, e categoria 5 risco maior que 95%. Ambas precisam ser avaliadas por mastologista para indicação de uma biópsia. É importante ressaltar que, para o diagnóstico de câncer, é necessário fazer biópsia da lesão para avaliação por médico patologista. Portanto, o laudo do exame de imagem com a definição da categoria BIRADS não significa grau de câncer nem a fase da doença.


Todo câncer de mama é igual?

Nem todo câncer de mama é igual, eles podem ter características e comportamentos bastante diferentes, de acordo com o estudo realizado pelo médico patologista. Podem inclusive ter formas de tratamento distintos. De uma maneira simplificada, alguns tumores apresentam expressão de receptores de hormônio de estrogênio e progesterona, enquanto outros possuem a expressão da proteína HER2 e outros tipos podem não ter a expressão de nenhum deles, os chamados tumores triplo negativos. Esses receptores seriam como uma espécie de fechadura na célula do câncer, e alguns medicamentos funcionariam como as chaves dessas fechaduras. Por isso, pacientes com câncer de mama podem ter tratamentos diferentes, baseado nessas informações.


E o autoexame das mamas? Como devo fazer?

Atualmente não é correto preconizar o autoexame como prevenção do câncer de mama. Por exemplo, no caso de uma paciente não achar nenhuma alteração palpável em suas mamas, ela pode deixar de fazer a mamografia e perder a chance de diagnosticar a doença em uma fase bem precoce. A orientação é que a mulher pode palpar as mamas sempre que se sentir confortável para isso, em qualquer dia do mês e sem nenhum tipo de método específico de palpação. Isso funciona como uma forma de autoconhecimento, de autocuidado, de consciência da sua própria mama. Dessa forma, ao notar uma mudança na pele, no mamilo, ou um caroço na mama ou na axila, a mulher deve procurar atendimento médico o quanto antes.


O que posso fazer para prevenir o câncer de mama?

Manter hábitos saudáveis de vida contribuem para a redução da incidência de câncer. Em relação à alimentação, procurar ter uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, vegetais e fibras, reduzindo o consumo de alimentos industrializados ultraprocessados. O controle do peso corporal, realização de atividades físicas regulares, evitando o sedentarismo são os conselhos básicos para a saúde em geral. Isso porque o sobrepeso, a obesidade e o acúmulo de gordura na região abdominal aumentam o risco de câncer de mama. O consumo de bebidas alcoólicas também é fator de risco, mesmo em quantidade moderada, devendo ser evitado. A amamentação ajuda na prevenção do câncer de mama e diminui a chance de a mulher ter a doença na forma mais agressiva. Estudos mostram que um ano de amamentação diminui 4,3% a chance de a mulher ter a doença.

É importante falar sobre o estigma da doença, pois na mentalidade de muitas mulheres ainda prevalece a ideia de câncer como uma doença incurável, uma sentença de morte. Com isso, o medo de fazer o diagnóstico da doença afasta a paciente da possibilidade de um tratamento inicial. Essas pacientes acabam chegando no consultório médico com doenças muito avançadas, algumas vezes com doença fora de possibilidade de tratamento. No final das contas, o objetivo do rastreamento mamográfico é aumentar a qualidade de vida das mulheres, permitindo o tratamento de forma precoce, com menor impacto na vida das pacientes.


CC (Md) VIVIANE RENATA PHILIPSEN
Mastologista
Clínica de Ginecologia do Hospital Naval Marcílio Dias









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