Nutrição e Diabetes Infantil


E agora? O que ele pode comer? Tenho que cortar as frutas? Como farei na escola e nas festinhas? Estas são perguntas típicas de pais que acabaram de ter seu filho diagnosticado com diabetes. Muitas dúvidas e mitos giram em torno deste assunto, gerando ansiedade e receio com relação ao futuro da criança.

A diabetes tipo I representa 5 a 10% dos casos de diabetes e atinge, principalmente, crianças e adolescentes. Ela ocorre quando o corpo produz pouca ou nenhuma insulina, hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue. Se o corpo não fabrica insulina, ele não consegue utilizar a glicose ingerida por meio dos alimentos e ela começa a ficar em um nível elevado no sangue.

Apesar de séria e de envolver vários órgãos, o diagnóstico da diabetes não deve ser visto como uma sentença. Na diabetes tipo I, o tratamento envolve uma equipe profissional multidisciplinar, na qual a necessidade diária de insulina, planejamento alimentar, apoio psicológico e atividade física serão planejados individualmente para a criança, com o intuito de controlar os níveis de glicose no seu sangue.

Com relação à alimentação, equilíbrio é a palavra-chave! Nenhum alimento isoladamente vai causar ou tratar a diabetes. Dentro de um contexto saudável, com acompanhamento e tratamento corretos, a criança diabética poderá ter uma vida longa e cheia de saúde.

Reforçando as orientações da família Rangel, que convive com a diabetes há sete anos, apresentamos algumas dicas sobre Nutrição e Diabetes na infância:

  • A família deve educar e informar a criança para que ela adote um hábito saudável mesmo quando estiver sem a vigilância dos pais, sendo consciente para fazer boas escolhas alimentares por conta própria;
  • Dentro do possível, tentar não fazer distinção entre a comida da casa e a comida da criança, evitando que ela se sinta excluída. O mesmo cuidado deve ser adotado no ambiente escolar. Uma boa dica é tentar manter o mesmo sabor de um suco ou do recheio de um sanduíche, mudando apenas a forma de adoçar ou o tipo de pão, se for o caso. A refeição deles deve continuar sendo saborosa e visualmente atrativa;
  • Se o hábito alimentar das pessoas que cercam a criança inclui o consumo de balas, doces e chocolates com frequência, é interessante que seja modificado. Se isso não for possível, que esse consumo aconteça longe da criança de forma a permitir que ela tenha uma melhor adesão à dieta;
  • Realize as refeições em intervalos regulares, evitando longos períodos de jejum ou ingestão excessiva num mesmo horário. Isto evita a hipoglicemia e a hiperglicemia, respectivamente;
  • A hipoglicemia (nível muito baixo de glicose no sangue) pode ocorrer principalmente quando há aumento da atividade física sem ajuste correspondente na alimentação ou na medicação e/ou quando as refeições são puladas ou reduzidas. Os principais sinais são: tremedeira, suores, sonolência, fome, visão turva e confusão mental, mas eles variam de pessoa para pessoa e, em algumas, não aparecem, o que é muito perigoso. Individualmente o médico irá definir para o paciente quais valores de glicemia serão os limitantes para tratar a hipoglicemia. O tratamento imediato consiste em consumir 15g de carboidrato simples (1 colher de sopa de açúcar em água ou 1 colher de sopa de mel ou 1 copo 150mL de suco de laranja integral ou 3 caramelos). Após 15 minutos, a taxa de glicemia deve ser medida e o esquema repetido até que a glicemia seja corrigida. O ideal é que a criança tenha sempre alimentos que possam corrigir um episódio de hipoglicemia;
  • Já na hiperglicemia (nível muito alto de glicose no sangue), deve ser avaliada se a dose de insulina prescrita e a quantidade de alimentos ingerida está correta e, se necessário, endocrinologista e nutricionista farão ajustes de forma a manter o controle glicêmico;
  • Dê preferência aos pães, biscoitos, arrozes e farinhas feitos com carboidratos integrais, ricos em fibras alimentares. Eles podem e devem fazer parte da rotina alimentar. Quanto menos processado ou refinado, mais nutritivo e mais benéfico para a saúde;
  • As fibras alimentares reduzem a absorção de açúcar e gorduras e são excelentes aliadas. As cascas das frutas, vegetais folhosos e farinhas como as de maracujá, de berinjela, aveia, chia e linhaça são ricas em fibras! Se aumentar a ingestão de fibra, aumente também a de água. Juntas elas atuam muito melhor;
  • Apesar das carnes e ovos não possuírem açúcar, não podem ser consumidos à vontade, pois contêm muita proteína e gordura que, se ingeridas em excesso, podem interferir na glicemia, além de elevar o colesterol e o peso;
  • As frutas, apesar de conterem o açúcar frutose, devem ser consumidas diariamente! Mas nada de exageros, 3 a 4 porções já é o suficiente por dia. Priorize as frutas em vez de sucos, elas possuem mais fibras e menor índice glicêmico, ou seja, elevam o açúcar do sangue de forma mais lenta do que os sucos;
  • Prefira adoçantes naturais, como a stévia, em substituição ao açúcar refinado;
  • A contagem de carboidrato, método em que há contagem dos gramas de carboidrato ingerido na refeição e o cálculo de quanto de insulina deve ser usado para cobrir esta ingestão e controlar a glicemia, é uma estratégia no planejamento alimentar, permitindo flexibilidade e liberdade na dieta da criança. Sua utilização deve ser discutida com o endocrinologista e o nutricionista que assistem à criança; e
  • A atividade física auxilia no controle glicêmico e, se não houver contraindicação médica, deve ser sempre estimulada, desde que bem supervisionada.

Dúvidas com relação a aplicação da insulina? Clique e saiba mais

Referência: Sociedade Brasileira de Diabetes

Jamile Coutinho Coelho de Novaes
Capitão-Tenente (S)
Conselho Editorial do Saúde Naval