Dependência, intoxicação e reação: os perigos da automedicação

Enviado em: 18/11/2021

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A automedicação é o ato de ingerir medicamentos sem orientação médica ou odontológica. Embora seja vista, muitas vezes, como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer graves consequências, como:

  • Intoxicação: uso de dose inadequada do medicamento;
  • Interação medicamentosa: interação de medicamentos utilizados ao mesmo tempo, um podendo anular ou intensificar o efeito do outro;
  • Reação alérgica;
  • Resistência ao medicamento;
  • Dependência ou até morte.

A automedicação gera, também, o mau hábito de acumular medicamentos em casa. Isto pode causar problemas graves, como:

  • Confusão entre medicamentos;
  • Ingestão de substâncias após o vencimento;
  • Condições ineficazes de armazenamento do medicamento;
  • Ingestão acidental por crianças.

A importância do uso racional de antibióticos
Os antibióticos são medicamentos capazes de eliminar ou impedir a multiplicação de bactérias. Eles não são efetivos contra infecções causadas por vírus, parasitas ou fungos. Para esses microrganismos, existem medicamentos específicos, que são os antivirais, antiparasitários e antifúngicos.

Uso indiscriminado pode favorecer “superbactérias”
Os antibióticos agem contra bactérias específicas que sejam sensíveis àquele determinado antibiótico. O uso indiscriminado faz com que as bactérias sofram alterações e os antibióticos perdem o poder de ação sobre elas, tornando-as resistentes. Além disso, favorece o surgimento de “superbactérias”, que são bactérias resistentes a vários antibióticos e têm poucas opções de medicamentos para o tratamento. O uso indiscriminado também pode afetar as bactérias benignas, que contribuem para o bom funcionamento do nosso organismo, como por exemplo, as que equilibram a flora intestinal.

O uso irracional de antibióticos ocorre quando:

  • São utilizados sem a indicação do médico ou dentista;
  • São utilizados fora do prazo de validade;
  • Os antibióticos são usados para tratar infecções que não são causadas por bactérias, como viroses, resfriados ou gripes;
  • Os antibióticos são tomados na dose incorreta;
  • Os antibióticos são tomados fora do horário determinado pelo médico;
  • O tempo de tratamento é interrompido devido à melhora do paciente, porém isso ocorre antes do prazo determinado pelo médico.

Referências:
ANVISA. Uso racional de antimicrobianos e a resistência microbiana.
https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/atm_racio...(acessado dia 10/11/2021).

CEARÁ. Uso racional de antibióticos. Secretaria de Saúde do Estado. Grupo de Prevenção do Uso Racional de Medicamentos (GPUIM). Fortaleza, 2021.

DIÁRIO OFICIL DA UNIÃO. Decreto nº 10.388 de 05 de junho de 2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 222, DE 28 DE MARÇO DE 2018.

NATIONAL GEOGRAPHIC. Rios do mundo inteiro estão contaminados por antibióticos, revela estudo global inédito.
https://www.nationalgeographicbrasil.com/2019/05/rios-contaminados-antib... (acessado dia 10/11/2021).

PFIZER. Antibiótico: a importância de uso racional.
https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/antibiotico-importan... (acessado dia 10/11/2021).


Ana Paula Felix Trindade Carmo
Capitão-Tenente (S)
Farmacêutica do Laboratório Farmacêutico da MarinhaI