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INTRODUÇÃO tuações, até mesmo potencialmente perigosas, mesmo
que raras, sem que seja necessário construir protótipos
Durante as últimas décadas, o desenvolvimento de e sem causar danos às pessoas envolvidas no projeto
processadores computacionais cada vez mais rápidos (SCHLAGER, 2008).
(EDENFELD et al., 2004), juntamente com o avanço
em tecnologias de informação e em novas técnicas de Sua utilização, pelas indústrias aeroespacial e de
programação, permitiram o surgimento de ferramen- defesa, foi introduzida nos anos 1950 (NABI et al.,
tas mais sofisticadas e com isso, novas metologias de 2004). Naquele tempo, os altos custos não permitiram
desenvolvimento de projetos de sistemas embarcados uma maior difusão dessa técnica, porém, atualmente,
(FARIAS, 2016). a simulação HIL é aplicada a diversos segmentos de
atuação como a indústria aeroespacial, química, de
Para garantir que um sistema funcionará com alto produção, da robótica e de defesa. Na indústria auto-
grau de confiabilidade, é necessário que sejam reali- mobilística, vem sendo amplamente aplicada, pelo fato
zados diversos testes em diferentes condições de ope- de ser um segmento de mercado bastante competitivo
ração, continuamente avaliando-se e validando-se o exigindo que os custos e o tempo de entrega do produ-
comportamento do sistema. Entretanto, a realização to sejam reduzidos (LOPES, 2017).
desses testes pode se tornar uma tarefa complexa, dado
que os altos custos para a construção de um protótipo
físico apenas para testes podem ser significativos, além Apresentação do Problema
disso, eles podem ser considerados potencialmente pe- Com a constante e rápida evolução tecnológica
rigosos tanto para as pessoas envolvidas quanto para o no setor de defesa, criou-se, para a Marinha do Brasil
equipamento a ser testado. Tem-se ainda a questão de (MB), uma necessidade de incorporar novos e moder-
que na fase de projeto do sistema de controle, o pró- nos sistemas e sensores (radares, sonares, etc) aos na-
prio equipamento a se controlar não está acessível, ou vios de sua frota (LONGO; MOREIRA, 2013). Parte
seja, a planta física ainda não foi concebida (ÍRENO, do desafio é garantir o desempenho dessas novas tec-
2014). Adiciona-se, também, o fato de que, atualmen- nologias dentro do sistema de bordo como um todo.
te, os engenheiros têm um prazo cada vez menor para Isso é ainda mais complicado pelo fato de as platafor-
o desenvolvimento desses sistemas. Nesses casos, uma mas de destino para a implantação dessas tecnologias
forma de se contornar alguns desses problemas é a rea- ainda não terem sido construídas ou totalmente pro-
lização de testes simulados em computadores. jetadas no momento em que os novos sistemas estão
Nesse contexto, uma metodologia, que vem sendo sendo desenvolvidos.
utilizada por diversos setores, é o Model-Based Design Além disso, depara-se, muitas vezes, no alto custo
(MBD) (ZANDER; SCHIEFERDECKER; MOSTER- para o desenvolvimento e, principalmente, para os tes-
MAN, 2011) a qual é voltada para o desenvolvimen- tes em ambientes reais de determinado equipamento.
to de projetos de sistemas de controle de modo que Soma-se a isso, o fato de que o teste pode não sair
o processo seja continuamente verificado e testado, a como o esperado, podendo danificar ou mesmo per-
fim de garantir que os requisitos de projeto estejam der por completo todo o aparato construído. Assim, o
sendo cumpridos. Cada etapa de um projeto dessa aumento de tempo para conclusão do projeto torna-se
natureza usando o modelo acima é caracterizado por fator relevante.
uma das seguintes técnicas: Model-in-the-loop (MIL),
Software-in-the-loop (SIL), Processor-in-the-loop (PIL) Desse modo, é necessário que sejam utilizadas
e Hardware-in-the-loop (HIL), sendo que esta última novas técnicas para o desenvolvimento de sistemas
será o foco deste trabalho. embarcados. Uma abordagem é a simulação desses sis-
temas. Segundo (HOSSEINPOUR; HAJIHOSSEINI,
A simulação em HIL geralmente é utilizada para 2009) a simulação permite que o sistema seja testado
validação de sistemas antes de sua conclusão. Seu pro- antes da sua implementação, ajudando a entender me-
cedimento é, basicamente, simular uma parte do siste- lhor como o mesmo se comporta.
ma (software), sendo seu controle efetuado por uma
parte física (hardware) (LOPES, 2017). Sua simulação Entretanto, nem sempre as simulações são capazes
é feita o mais próximo possível da realidade, de modo de reproduzir, fielmente, as condições de operação no
que torne possível o teste do sistema em diversas si- mundo real (LU et al., 2007), isto é, podem não ser su-
ficientes para validar vários tipos de sistemas. Normal-
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