Page 129 - Livro - Economia Azul
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ambiental; carência de diálogo entre o Sis-  atores de diferentes setores e desenhos   limita a capacidade de abordar questões   rial e da transversalidade da agenda azul e
 tema Nacional do Meio Ambiente (SISNA-  organizacionais apropriados. Em outras   maiores e mais abrangentes de maneira   abre uma janela de oportunidade para re-
 MA) e os sistemas voltados a áreas especí-  palavras, a governança intersetorial de-  intersetorial. A compreensão dos órgãos,   visão dessas lacunas institucionais horizon-
 ficas da gestão ambiental, como o Sistema   manda uma gestão e processos adminis-  no nível federal, envolvidos nas diversas po-  tais. No que se refere especificamente à go-
 Nacional  de  Gerenciamento  dos  Recursos   trativos adaptados a este fim.   líticas ambientais e seu nível de comprome-  vernança da Década no Brasil, aplicam-se
 Hídricos (SINGREH), que reúne os comitês   Como objeto de estudo, a governança   timento, notadamente os Ministérios, será   as boas práticas da coordenação interseto-
 de bacia e as agências de água; prevalên-  compreende as seguintes funções: tomada   um sinalizador importante das limitações e   rial. Há uma coordenação interministerial
 cia da visão utilitarista quanto aos recursos   de decisões; seleção de objetivos; mobili-  do possível efeito oposto relacionado às in-  diretamente realizada via o Comitê Execu-
 naturais sobre a ambientalista nas decisões   zação de recursos; implementação; e fee-  terações dadas por normas e regras formais,   tivo para o Desenvolvimento Sustentável
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 governamentais de maior impacto; elevado   dback, avaliação, aprendizagem (PETERS   bem como permitirá identificar sobreposi-  da Comissão Interministerial dos Recursos
 grau de descumprimento das determina-  et al., 2016). Destaca-se a centralidade da   ções de agendas/atores e/ou lacunas.             do Mar (CIRM), que contém 17 membros
 ções insertas em sua base normativa. Ain-  tomada de decisões, que perpassa trans-  No caso aplicado à governança do mar,   de órgãos correlatos do Governo Federal.
 da, os autores Damacena e Farias (2017)   versalmente as demais funções em todo o   a intersetorialidade da temática está rela-  As ações para Década da Ciência Oceânica
 indicam que os instrumentos da política   processo de produção de políticas públicas.   cionada com a necessidade de articulação   também estão integradas no X Plano Se-
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 ambiental têm implementação excessiva-  Assim, ao observar o nível de articulação   da gestão de recursos hídricos de forma in-  torial de Recursos do Mar, que orienta as
 mente morosa, alta demanda de controle,   entre setores governamentais envolvidos   tegrada com a gestão costeira. Assim, as   principais ações do Governo Federal para
 possuem custos administrativos elevados,   na esfera federal para a implementação da   instituições e os atores do Sistema Nacio-  gestão dos recursos do mar.
 necessidade de fiscalização e falta de estí-  governança do mar, devem ser analisadas   nal de Gerenciamento de Recursos Hídricos   A governança intersetorial também
 mulo para aprimoramento tecnológico. A   as participações dos atores e sua maior ou   precisam estar estreitamente conectados   pressupõe  a  intersetorialidade  entre  seto-
 explicação para estas lacunas pode ser rea-  menor inclusão nas tomadas de decisões,   com o setor da Gestão dos Sistemas Estua-  res estatais, não estatais privados e não
 lizada pela trajetória de governança nestas   desde a definição de objetivos até o pro-  rinos e Zona Costeira.   estatais societais. As políticas ambientais
 políticas à luz das teorias que são apresen-  cesso de aprendizagem dos resultados das   Em nível institucional, estes setores es-  incluem, historicamente, como parte fun-
 tadas a seguir.  políticas implementadas.   tão compreendidos pelas políticas públicas   dante da agenda: a) Organizações Não
 Como muitos atores são coletivos, pode   associadas como a Política Nacional de Re-  Governamentais (ONGs); b) Setor priva-
 Governança horizontal intersetorial  ser difícil estabelecer se o coletivo é o ator   cursos Hídricos (Lei 9.433/1997) e a Política   do; e c) Comunidades acadêmicas. Para
 ou se subgrupos dentro deste coletivo atu-  Nacional de Gerenciamento Costeiro (Lei   análise da participação e inter-relação de
 A governança intersetorial intragover-  am por conta própria. Assim, o governo   7.661/88 e Decreto 5.300/04). Entre esses   atores envolvidos, a teoria da governança
 namental trata das relações intergoverna-  pode ser visto como um ator, mas vários   marcos setoriais, há significativos desafios   em redes aborda a interdependência entre
 mentais horizontais, ou seja, a interação   Ministérios têm as suas próprias políticas   para  uma  efetiva  intersetorialidade.  Loit-  atores e padrões complexos de interação.
 entre setores de governo da mesma esfera   e atuam sobre elas (KLIJN; KOPPENJAN,   zenbauer e Mendes (2016) analisam o caso   A grande maioria das políticas públicas é
 federativa. Nesse sentido, compreende as   2016). É importante destacar a necessida-  concreto da influência costeira em bacias   produzida com a presença de uma grande
 interações entre Ministérios setoriais distin-  de de compreensão da governança a partir   de Santa Catarina e indicam que as lacu-  diversidade de atores e, portanto, com di-
 tos para a superação das lacunas e evitar   do nível ministerial ou de suas subunida-  nas legais, institucionais e administrativas   ferentes pontos de vista sobre os proble-
 sobreposições entre agendas que obrigato-  des, comitês e fóruns como atores.   na gestão integrada de recursos hídricos   mas, as causas e soluções.
 riamente devem estar alinhadas na provi-  Peters et al. (2016) argumentam que a   no território costeiro brasileiro têm tido um   A  compreensão  da  governança  a
 são de bens e/ou serviços para a sociedade.   própria divisão dos governos em ministérios   impacto crítico na degradação destes am-  partir do nível do ator evidencia as dife-
 A intersetorialidade tem a função de   e agências tende a segmentar as atividades   bientes. São faltantes regulação no uso e   rentes  percepções  entre os  atores, suas
 garantir a integração governamental entre   de elaboração de políticas, com algum es-  exploração desses ambientes, intervenções   divergências e consensos, bem como as
 os setores ministeriais aplicada a todo o ci-  treitamento do foco e o uso de aconselha-  de mediação de conflitos de uso e ações de   estratégias utilizadas pelos atores dian-
 clo de formulação, implementação e ava-  mento especializado de uma gama relativa-  controle de impactos oriundos de ativida-  te das incertezas do processo interativo
 liação de políticas públicas (CUNILL-GRAU,   mente estreita de fontes. Assim, para eles,   des terrestres sobre estes ambientes.  iterativo. O processo da governança para
 2014). Isto implica um design  de proces-  se a especialização cria certamente alguns   O contexto da Década da Ciência Oceâ-  solução de problemas complexos deman-
 sos de interação de forma iterativa entre   benefícios para a governança, também   nica traz a importância da integração seto-  da alternativas além das competências


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