Page 128 - Livro - Economia Azul
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ambiental; carência de diálogo entre o Sis-  atores de diferentes setores e desenhos                               limita a capacidade de abordar questões   rial e da transversalidade da agenda azul e
              tema Nacional do Meio Ambiente (SISNA-   organizacionais apropriados. Em outras                                    maiores e mais abrangentes de maneira     abre uma janela de oportunidade para re-
              MA) e os sistemas voltados a áreas especí-  palavras, a governança intersetorial de-                               intersetorial. A compreensão dos órgãos,   visão dessas lacunas institucionais horizon-
              ficas da gestão ambiental, como o Sistema   manda uma gestão e processos adminis-                                  no nível federal, envolvidos nas diversas po-  tais. No que se refere especificamente à go-
              Nacional  de  Gerenciamento  dos  Recursos   trativos adaptados a este fim.                                        líticas ambientais e seu nível de comprome-  vernança da Década no Brasil, aplicam-se
              Hídricos (SINGREH), que reúne os comitês    Como objeto de estudo, a governança                                    timento, notadamente os Ministérios, será   as boas práticas da coordenação interseto-
              de bacia e as agências de água; prevalên-  compreende as seguintes funções: tomada                                 um sinalizador importante das limitações e   rial. Há uma coordenação interministerial
              cia da visão utilitarista quanto aos recursos   de decisões; seleção de objetivos; mobili-                         do possível efeito oposto relacionado às in-  diretamente realizada via o Comitê Execu-
              naturais sobre a ambientalista nas decisões   zação de recursos; implementação; e fee-                             terações dadas por normas e regras formais,   tivo para o Desenvolvimento Sustentável
                                                                                                                                                                                                                2
              governamentais de maior impacto; elevado   dback, avaliação, aprendizagem (PETERS                                  bem como permitirá identificar sobreposi-  da Comissão Interministerial dos Recursos
              grau de descumprimento das determina-    et al., 2016). Destaca-se a centralidade da                               ções de agendas/atores e/ou lacunas.             do Mar (CIRM), que contém 17 membros
              ções insertas em sua base normativa. Ain-  tomada de decisões, que perpassa trans-                                    No caso aplicado à governança do mar,   de órgãos correlatos do Governo Federal.
              da, os autores Damacena e Farias (2017)   versalmente as demais funções em todo o                                  a intersetorialidade da temática está rela-  As ações para Década da Ciência Oceânica
              indicam que os instrumentos da política   processo de produção de políticas públicas.                              cionada com a necessidade de articulação   também estão integradas no X Plano Se-
                                                                                                                                                                                                   3
              ambiental têm implementação excessiva-   Assim, ao observar o nível de articulação                                 da gestão de recursos hídricos de forma in-  torial de Recursos do Mar, que orienta as
              mente morosa, alta demanda de controle,   entre setores governamentais envolvidos                                  tegrada com a gestão costeira. Assim, as   principais ações do Governo Federal para
              possuem custos administrativos elevados,   na esfera federal para a implementação da                               instituições e os atores do Sistema Nacio-  gestão dos recursos do mar.
              necessidade de fiscalização e falta de estí-  governança do mar, devem ser analisadas                              nal de Gerenciamento de Recursos Hídricos   A governança intersetorial também
              mulo para aprimoramento tecnológico. A   as participações dos atores e sua maior ou                                precisam estar estreitamente conectados   pressupõe  a  intersetorialidade  entre  seto-
              explicação para estas lacunas pode ser rea-  menor inclusão nas tomadas de decisões,                               com o setor da Gestão dos Sistemas Estua-  res estatais, não estatais privados e não
              lizada pela trajetória de governança nestas   desde a definição de objetivos até o pro-                            rinos e Zona Costeira.                    estatais societais. As políticas ambientais
              políticas à luz das teorias que são apresen-  cesso de aprendizagem dos resultados das                                Em nível institucional, estes setores es-  incluem, historicamente, como parte fun-
              tadas a seguir.                          políticas implementadas.                                                  tão compreendidos pelas políticas públicas   dante da agenda: a) Organizações Não
                                                          Como muitos atores são coletivos, pode                                 associadas como a Política Nacional de Re-  Governamentais (ONGs); b) Setor priva-
              Governança horizontal intersetorial      ser difícil estabelecer se o coletivo é o ator                            cursos Hídricos (Lei 9.433/1997) e a Política   do; e c) Comunidades acadêmicas. Para
                                                       ou se subgrupos dentro deste coletivo atu-                                Nacional de Gerenciamento Costeiro (Lei   análise da participação e inter-relação de
                 A governança intersetorial intragover-  am por conta própria. Assim, o governo                                  7.661/88 e Decreto 5.300/04). Entre esses   atores envolvidos, a teoria da governança
              namental trata das relações intergoverna-  pode ser visto como um ator, mas vários                                 marcos setoriais, há significativos desafios   em redes aborda a interdependência entre
              mentais horizontais, ou seja, a interação   Ministérios têm as suas próprias políticas                             para  uma  efetiva  intersetorialidade.  Loit-  atores e padrões complexos de interação.
              entre setores de governo da mesma esfera   e atuam sobre elas (KLIJN; KOPPENJAN,                                   zenbauer e Mendes (2016) analisam o caso   A grande maioria das políticas públicas é
              federativa. Nesse sentido, compreende as   2016). É importante destacar a necessida-                               concreto da influência costeira em bacias   produzida com a presença de uma grande
              interações entre Ministérios setoriais distin-  de de compreensão da governança a partir                           de Santa Catarina e indicam que as lacu-  diversidade de atores e, portanto, com di-
              tos para a superação das lacunas e evitar   do nível ministerial ou de suas subunida-                              nas legais, institucionais e administrativas   ferentes pontos de vista sobre os proble-
              sobreposições entre agendas que obrigato-  des, comitês e fóruns como atores.                                      na gestão integrada de recursos hídricos   mas, as causas e soluções.
              riamente devem estar alinhadas na provi-    Peters et al. (2016) argumentam que a                                  no território costeiro brasileiro têm tido um   A  compreensão  da  governança  a
              são de bens e/ou serviços para a sociedade.   própria divisão dos governos em ministérios                          impacto crítico na degradação destes am-  partir do nível do ator evidencia as dife-
                 A intersetorialidade tem a função de   e agências tende a segmentar as atividades                               bientes. São faltantes regulação no uso e   rentes  percepções  entre os  atores, suas
              garantir a integração governamental entre   de elaboração de políticas, com algum es-                              exploração desses ambientes, intervenções   divergências e consensos, bem como as
              os setores ministeriais aplicada a todo o ci-  treitamento do foco e o uso de aconselha-                           de mediação de conflitos de uso e ações de   estratégias utilizadas pelos atores dian-
              clo de formulação, implementação e ava-  mento especializado de uma gama relativa-                                 controle de impactos oriundos de ativida-  te das incertezas do processo interativo
              liação de políticas públicas (CUNILL-GRAU,   mente estreita de fontes. Assim, para eles,                           des terrestres sobre estes ambientes.     iterativo. O processo da governança para
              2014). Isto implica um design  de proces-  se a especialização cria certamente alguns                                 O contexto da Década da Ciência Oceâ-  solução de problemas complexos deman-
              sos de interação de forma iterativa entre   benefícios para a governança, também                                   nica traz a importância da integração seto-  da alternativas além das competências


     126   ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                      Governança do Mar na Década da Ciência Oceânica  127
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