Volta às aulas: como está a visão dos seus filhos

Fim das férias escolares!

Lista interminável de material escolar, uniforme para comprar, livros e cadernos para encapar, mochilas para organizar, lancheiras... Tudo pronto para o início do ano letivo. Tudo mesmo?

Na época da volta às aulas, é importante que a criança faça o exame de acuidade visual para detectar possíveis problemas que reduzem o aproveitamento escolar. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, cerca de 10% das crianças com menos de quatro anos necessitam de óculos. O número chega a 20% entre crianças até 10 anos e 30% para o grupo de adolescentes. Porém, na fase escolar, é raro a criança relatar espontaneamente que não enxerga bem. Algumas crianças apresentam baixo rendimento na escola sem que pais ou professores sequer suspeitem que há relação com a visão.

Muitas vezes, o problema é descoberto pelo professor, que observa sinais como lacrimejamento, olhos vermelhos aos esforços visuais, ‘apertar’ os olhos para enxergar de longe, falta de atenção para leitura da lousa, letra feia, dor de cabeça, entre outros sintomas.

As disfunções mais comuns são a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e o estrabismo. Saiba mais sobre cada uma delas:

  • - Miopia – o sintoma mais relatado e que, com frequência, anuncia o aparecimento de miopia é a visão turva dos objetos distantes. A criança pode apresentar, também, um pestanejar constante, dores de cabeça ou tensão ocular. Um aluno nessas condições (e sem os óculos) só enxergará a lição se estiver muito próximo do quadro negro.
  • - Hipermetropia - faz com que a pessoa veja desfocados os objetos que estão à curta distância, enquanto os objetos distantes são vistos normalmente. À medida que a condição se agrava, é possível que se comece a ver os objetos desfocados a qualquer distância. Entre outros sintomas comuns estão: dor ao redor dos olhos, fadiga ocular, cefaleias, dificuldades de concentração, de leitura e de executar tarefas que necessitem da visão de perto.
  • - Astigmatismo – o sintoma principal é visão distorcida ou desfocada a qualquer distância, ou visão dupla. Os sintomas mais comuns são dificuldade na leitura, maior sensibilidade à luz, piora da acuidade visual no período noturno, “apertar os olhos” para ver de longe e de perto, “olhos cansados” e dores de cabeça.
  • - Estrabismo - quando um dos olhos fica estrábico, duas imagens diferentes são enviadas para o cérebro. Nas crianças com pouca idade, o cérebro aprende a ignorar a imagem do olho desviado, passando a receber somente a imagem do olho não desviado ou de melhor visão. Ou seja, o estrabismo provoca a perda da visão tridimensional na criança.

Muitos desses problemas podem ser corrigidos ou estabilizados quando detectados precocemente. Por isso, é recomendada uma avaliação oftalmológica no primeiro ano de vida. Dependendo dos achados nos exames, as avaliações seguintes poderão ser feitas aos 3 e 5 anos. Como a criança está crescendo, o olho também está crescendo, por isso, essa avaliação deve ser anual ou a cada 2 anos, em casos de normalidade da visão. Em caso de disfunção, este espaço de tempo pode ser menor, dependendo da recomendação médica.

Fique atento à visão e à saúde do seu filho!

Ana Lúcia Castilhioni
Capitão de Mar e Guerra (RM1-S)
Conselho Editorial do Saúde Naval