A trombose dificulta a circulação do sangue. Antecipe-se e dificulte o seu surgimento.


ENTREVISTA CB-PC Josiana


Meu nome é Josiana e tenho 38 anos. Sou Cabo, com especialidade em Patologia Clínica (PC), trabalho no setor de expedição da Hemoterapia do Hospital Naval Marcílio Dias (HNMD).

Em 2015 eu tive uma trombose, já em 2017, uma tromboflebite e por fim, em 2020, outro episódio de trombose.

Em todas as vezes, senti dor, vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura local do membro inferior esquerdo. Nas segunda e terceira vezes, já imaginei o que pudesse ser, mas na primeira, o diagnóstico foi um pouco mais demorado e só veio após dias de internação. O exame que confirma, além do exame de sangue, é o dopller venoso.

Sim. Em todas as vezes foram realizadas, a pedido médico, investigação para doença hematológica, doença autoimune, câncer e associação ao uso de anticoncepcional.

Em 2020, no atendimento de emergência, no dia em que iniciaram os sintomas de um novo episódio, me queixei das ocorrências anteriores terem sido no mesmo lugar, membro inferior esquerdo, que apresentava inchaço e vasos. Ele, então, após descartar todas as possibilidades já pensadas, resolveu investigar para Síndrome de May-Thurner.

Nos primeiros episódios foram recomendados o uso de anticoagulante por períodos de seis e oito meses, depois do ocorrido, e meia de elastocompressão por igual período. Após a confirmação da Síndrome de May-Thurner, para maior eficácia do tratamento, foi realizada uma angioplastia (cirurgia que permite abrir uma artéria estreita), para a colocação de stent.

Uso de anticoagulante pelo período de oito meses, assim como meias de elastocompressão por igual período. Após a cirurgia, anticoagulante perene e meia de elastocompressão.

Mudei minha alimentação, passei a ter hábitos alimentares mais saudáveis, e perdi peso para não sobrecarregar tanto os membros inferiores.

Se atente para qualquer sinal do seu corpo. Ele fala e reclama quando algo não vai bem e, a qualquer sinal, procure atendimento médico e, de preferência, com profissional da área, pois, no meu caso, o meu relato para um profissional com conhecimento na área fez toda a diferença para chegar a um diagnóstico rápido.


ENTREVISTA 1T (Md) Barrocas


Sou o 1ºTenente (Md) Barrocas, cirurgião vascular no HNMD.

Trombose é uma interrupção de caráter aguda ou crônica do fluxo sanguíneo em um determinado vaso por ação desregulada do nosso sistema homeostásico (que tem como função manter o organismo em equilíbrio mesmo quando ocorrem mudanças radicais no meio externo).

A trombose tem múltiplas causas que diferem em especial dependendo do local de ocorrência (veia). O evento pode acontecer de forma criptogênica (sem causa determinada), na menor parcela, ou secundária, como no caso de traumas, imobilização longa, trombofilias (predisposição para a formação de coágulos de sangue), obesidade, neoplasias (crescimento anormal do número de células), tabagismo, uso de anticoncepcional oral, entre outros.

Tromboflebite é, na verdade, um termo em desuso referente a uma trombose de uma veia superficial.

Sim. A trombose pode ocorrer tanto nas veias quanto nas artérias e as causas, geralmente, são diferentes. Uma trombose venosa profunda não tratada em tempo hábil pode ocasionar extensão da mesma (progressão proximal, ou seja, crescendo para cima), TEP (tromboembolismo pulmonar, quando o trombo se desprende e para no pulmão, dificultando a oxigenação) e aumento do risco de síndrome pós-trombótica (a veia acometida passa a apresentar incompetência e suas válvulas tornam-se disfuncionais causando refluxo venoso).

A Síndrome de May-Thurner não é uma doença comum. Sendo assim, seu diagnóstico exige, naturalmente, que o médico desconfie dessa entidade para adequada pesquisa. Quando a vi pela primeira vez, seu quadro era bem mais rico que quando os outros colegas a avaliaram, o que tornou mais fácil a desconfiança.

Na maior parte das vezes a trombose venosa profunda manifesta-se com dor, inchaço súbito e assimétrico e vermelhidão. Entretanto não é raro atendermos pacientes que realizam exames de imagem por outras causas e têm uma trombose já crônica que os pacientes não sabem relatar quando ocorreram. Esse fato ocorre mais em pacientes diabéticos e em tromboses não tão extensas.

Ainda é possível, mas as chances reduziram muito, uma vez que tratamos a causa do problema e ela mantém o uso de medicação.

A trombose venosa profunda não é uma patologia comum, porém a ocorrência é, efetivamente, maior no sexo feminino. O que difere principalmente são os fatores de risco. A questão hormonal tem grande importância para as mulheres (seja com anticoncepcional, seja com gestação), enquanto nos homens têm maior relação com hábitos de vida como sedentarismo, obesidade, tabagismo.

Quando se trata de causas evitáveis conseguimos sim prevenir, com exercício, evitar o tabagismo e alimentação saudável.

Mantenha-se em movimento sempre. Exercício físico é, isoladamente, capaz de controlar fatores de risco para inúmeras doenças.