Tratamento completo e ininterrupto: previna a tuberculose multirresistente

Enviado em: 24/03/2019

Tuberculose

A tuberculose é uma doença infecciosa, transmissível pelo ar, que afeta principalmente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a doença ainda é um sério problema de saúde pública, com profundas razões sociais.

Além da queda da imunidade e à exposição ao bacilo, o adoecimento da tuberculose está ligado às condições precárias de vida. A cada ano, são notificados cerca de 70 mil novos casos e 4 mil mortes em decorrência da tuberculose comum.

Seu tratamento é longo, gratuito, disponível no SUS e compreende a utilização de 4 medicamentos básicos, simultaneamente. Quando realizado corretamente, tem um índice de cura de 100%.

Logo nas primeiras semanas de tratamento, o paciente sente uma melhora significativa dos sintomas, o que pode, na falta de uma orientação correta, fazê-lo abandonar o tratamento ou utilizar a medicação de forma incorreta ou irregular, podendo complicar a doença e resultar no desenvolvimento de tuberculose multirresistente (TBRM).

Ela ocorre quando a tuberculose se torna resistente a pelo menos dois dos medicamentos utilizados no tratamento básico. É um problema grave, temido, de difícil controle e vem apresentando tendência crescente em todo o mundo.

Em estudos da Organização Mundial de Saúde, cerca de um em cinco casos de tuberculose hoje são resistentes a pelo menos um tipo de antibiótico, e cerca de 5% são considerados microorganismos multirresistentes.

Por que isso ocorre? Como a tuberculose é causada por microorganismos (bacilo de Kock), é possível que alguns deles sofram mutações naturais e se tornem resistente à medicação. Essas mutações podem ser:

  • Quando o paciente, não tratado antes, se infecta com bacilos já resistentes; e
  • Adquirida ou secundária – a insuficiência na quantidade dos medicamentos recomendados, o descumprimento das doses indicadas, falhas na regularidade do uso dos medicamentos, o abandono antes de tempo do tratamento por parte do doente ou a má prescrição terapêutica são os fatores principais que podem levar à TBMR, inclusive contaminando outras pessoas.

Tratamento - Enquanto para a tuberculose comum, o tratamento dura, em média, seis meses, para a TBMR dura, no mínimo, dezoito meses. O índice de cura é menor e a mortalidade muito superior à tuberculose comum. O tempo habitual até o doente ficar não contagioso é, também, mais dilatado, obrigando o seu isolamento durante esse período.

Como prevenir? A melhor forma de prevenir a TBMR é prevenir a tuberculose comum e, caso desenvolva a doença, cumprir corretamente seu tratamento, incluindo os cuidados e medidas de proteção às pessoas que têm contato com o paciente.

Eller Daniel Busatto Heringer Werner
Primeiro-Tenente (Md)
Conselho Editorial do Saúde Naval



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