Enviado em: 21/05/2020

A tireoide é uma glândula que fica no pescoço com formato de uma pequena borboleta, sendo responsável pela produção de dois hormônios: a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4).
Os hormônios da tireoide são essenciais para a saúde da mãe e do feto na gestação. No início do período gestacional, há o desenvolvimento neurológico do bebê e isso depende de níveis adequados de hormônios tireoidianos.
A tireoide do feto somente começa a ser formada a partir da 8ª semana de gestação. Enquanto ela não está totalmente formada, o bebê depende totalmente do hormônio materno.
Na mãe, as disfunções da tireoide podem alterar a pressão arterial e aumentar o risco de abortos e partos prematuros. Por isso, as pacientes com doenças na tireoide devem estar atentas, caso pretendam engravidar, já que, durante a gestação, ocorrem modificações no funcionamento da glândula
Pacientes com disfunções na tireoide devem informar seu médico logo que descobrirem a gestação. Importante informar a sua intenção de engravidar para que as doses de seus medicamentos sejam ajustadas, reduzindo o risco de complicações para a mãe e o bebê.
Principais dúvidas da gestante com doenças na tireoide
Hipotireoidismo
Se o hipotireoidismo (quando a tireoide não produz a quantidade suficiente de hormônio) não estiver compensado, pode haver complicações para a mãe e para o bebê.
Pode haver necessidade de doses mais elevadas de hormônios tireoidianos. Nunca suspenda ou modifique a dose da levotiroxina durante a gestação ou amamentação sem a orientação do seu endocrinologista. Ela é segura e necessária.
Hipertireoidismo
No hipertireoidismo, o excesso de hormônios tireoidianos também pode levar a complicações para a mãe e o bebê. Existem casos de hipertireoidismo que podem ser desencadeados durante a gestação.
Nesse período, pode ser necessário ajustar a dose de seu medicamento ou, às vezes, trocá-lo por outro mais seguro para esse período.
Mulheres grávidas não podem receber iodo radioativo!
Caso tenha feito tratamento prévio para hipertireoidismo com iodo radioativo, deve-se aguardar pelo menos seis meses antes de engravidar.
Nódulos de tireoide
Geralmente os nódulos descobertos durante a gestação não necessitam de investigação até o parto. O médico poderá informar melhor sobre a conduta mais adequada.
Atenção!
Algumas mulheres têm maior risco de apresentar doenças da tireoide e devem estar atentas caso pretendam engravidar ou tenham descoberto recentemente que estão grávidas.
Depois do parto
O fato de a mãe ter doença da tireoide não quer dizer que o bebê também a terá. Em determinados casos, isso poderá ocorrer, apesar de ser pouco frequente. Por essa razão, é importante o acompanhamento da mãe também após o parto em conjunto com o pediatra, que poderá identificar precocemente qualquer alteração no recém-nascido. Não deixar de fazer o teste do pezinho.
A amamentação não é contraindicada para mulheres em tratamento de hipotireoidismo. Mulheres com hipertireoidismo, mesmo em tratamento, também podem amamentar com orientação de seu médico.
A mãe com doença tireoidiana deverá ser reavaliada no segundo mês após o parto.
Para não esquecer
Aguarde até que a doença da tireoide esteja bem controlada antes de engravidar.
Mantenha o acompanhamento durante toda gestação e após o parto.
E, finalmente, não se esqueça de fazer o teste do pezinho no seu bebê, que pode indicar se ele apresenta alguma disfunção da tireoide.
Chefe da Clínica de Endocrinologia do HNMD
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