A Terapia Ocupacional no Sistema Prisional


A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que, diante da ampliação do conceito de saúde – entendido como o completo estado de bem-estar biopsicossocial e não somente como a ausência de doença – estendeu seu campo de ação. Abrange práticas sociais através do uso de atividades, visando a promoção da saúde e a (re)inserção social, de forma integral e independente, de indivíduos excluídos por problemas físicos, mentais ou sociais.

O principal foco dessa profissão são as ocupações humanas:

  • Atividades de vida diária (alimentação, vestuário, autocuidado, dentre outras);
  • Descanso/sono;
  • Lazer;
  • Educação;
  • Relações sociais;
  • Trabalho.

Dentre tais ocupações, o trabalho preenche um espaço de grande importância na vida do homem e o terapeuta ocupacional é o profissional que desenvolverá ações relacionadas à promoção da saúde nessa área.

Neste contexto, um dos maiores desafios da Terapia Ocupacional é a atuação no âmbito do sistema prisional, tendo como suas principais intervenções a reestruturação do trabalho e a promoção da saúde, utilizando ações individuais e em grupos.

O terapeuta ocupacional trabalha em conjunto com a equipe multiprofissional e tem um papel ímpar na avaliação do interno dentro da Unidade Prisional. Sua participação consiste no levantamento do histórico laborativo prisional, para fins de aprovação dos internos na execução de atividades laborais e escolares. Avalia, ainda, o estado físico-funcional e mental dos internos para a execução de tais atividades. No caso de ser diagnosticada alguma deficiência, o terapeuta identifica as necessidades com intuito de favorecer o potencial funcional residual do avaliado, determinando claramente suas capacidades e definindo suas restrições das situações de trabalho.

No sistema prisional, a Terapia Ocupacional volta-se para as questões de integração e reinserção social; busca ações que visam introduzir os internos às práticas reais da vida cotidiana, trabalhando para a desinstitucionalização dos mesmos. Nesse sentido, é fundamental que o terapeuta ocupacional desenvolva projetos orientados para novas formas de sociabilização, de narrativas de vida, de reconstrução do “eu” confinado, propondo novos percursos no enfrentamento da exclusão social.

Rahiza Bueno Rodrigues
2º Tenente (RM2-S)
Terapeuta Ocupacional
Presídio da Marinha