Você já ouviu falar em TDAH?

Enviado em: 25/01/2019

Todos conhecem aquelas crianças que não conseguem ficar paradas, escalam móveis, vivem a “mil” ( “plugadas na tomada 220V” ) ou aquelas avoadas, desastradas, desajeitadas, que não prestam atenção em nada e se distraem por qualquer motivo. Muitas são rotuladas como crianças rebeldes, impulsivas, mal-educadas, indisciplinadas, burras, preguiçosas, “cabeças de vento”, pestinhas...

Com dificuldade de aprendizado e de relacionamento, essas crianças transformam a sala de aula em um verdadeiro campo de guerra: arrumam brigas com colegas e professores, não fazem provas de acordo com o que estudaram, não conseguem ficar paradas, conversam demais e não prestam atenção ao que é explicado.

Comportamentos como esses, dependendo da sua intensidade e frequência, podem ser característicos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Mas o que é o TDAH?

É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por três sintomas básicos: desatenção, impulsividade e hiperatividade ou agitação motora.

Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), a prevalência do TDAH gira em torno de 3 a 5% da população infantil do Brasil e de vários países onde o transtorno já foi pesquisado. Nos adultos, estima-se prevalência em aproximadamente 5%.

De acordo com a Sociedade Americana de Pediatria, levantamentos populacionais sugerem que o TDAH ocorre na maioria das culturas em cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos, sendo a hiperatividade mais frequente no sexo masculino e a desatenção mais comum no sexo feminino.

Tipos de TDAH

Os sintomas apresentados podem classificar o TDAH em três subtipos:

• Predominantemente desatento – caracterizado por desatenção, dificuldade em sustentar o esforço em atividades mais exigentes e dificuldade de perceber a passagem do tempo.

Situações mais comuns:

  • Falta de atenção a detalhes e repetição de erros cometidos por descuido;
  • Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  • Não escutar quando as pessoas lhe dirigem a palavra;
  • Falta de capacidade de seguir instruções e terminar deveres e tarefas;
  • Dificuldade para organizar atividades;
  • Hábito de evitar se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado;
  • Costume de perder objetos necessários às tarefas;
  • Ser facilmente distraído por estímulos externos;
  • Ser esquecido em relação às atividades cotidianas.

• Hiperativo-Impulsivo – caracterizado pela agitação, hiperatividade e impulsividade. A hiperatividade pode ser um problema, pois a busca constante por estimulação e a impulsividade aliadas à dificuldade de pensar antes de agir podem trazer consequências graves.

Situações mais comuns:

  • Mania de remexer ou batucar mãos e pés ou de se contorcer na cadeira;
  • Não conseguir ficar sentado em sala de aula ou em qualquer outra situação em que é necessário permanecer parado;
  • Correr ou subir nas coisas em situações e lugares inapropriados;
  • Sensação de inquietude;
  • Incapacidade de brincar ou se envolver calmamente em atividades de lazer;
  • Incapacidade de ficar parado por muito tempo;
  • Hábito de falar demais;
  • Não conseguir aguardar a vez de falar, respondendo uma pergunta antes que seja terminada ou completando a frase dos outros;
  • Dificuldade de esperar sua vez;
  • Mania de interromper ou se intrometer em conversas e atividades, tentando assumir o controle do que os outros estão fazendo.

• Misto – apresenta simultaneamente as características dos tipos de TDAH desatento e hiperativo-impulsivo.

Além disso, a pessoa pode ter três diferentes graus de TDAH:

• Leve – poucos sintomas estão presentes além daqueles necessários para fazer o diagnóstico, resultando em pequenos prejuízos no funcionamento social, acadêmico ou profissional.

• Moderada – sintomas ou prejuízo funcional entre “leve” e “grave” estão presentes.

• Grave – muitos sintomas além daqueles necessários para fazer o diagnóstico estão presentes; vários sintomas particularmente graves acontecem ou, ainda, os sintomas podem resultar em prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional.

Diagnóstico de TDAH

Em geral, para o diagnóstico de cada tipo e grau de TDAH, as crianças precisam apresentar seis ou mais critérios diagnósticos, enquanto adultos e adolescentes com mais de 17 anos podem apresentar até cinco deles para serem classificados dessa forma.

No entanto, é importante lembrar que o diagnóstico deve ser realizado por um especialista utilizando testes baseados nos sintomas apresentados e avaliações clínicas. Psiquiatras, psicólogos, pediatras e neurologistas especializados na doença podem auxiliar nesse processo.

Tratamento

O tratamento precoce do TDAH é fundamental e envolve psicoterapia estrutural e organizadora, envolvendo toda a dinâmica familiar, medicação (quando necessário) e muita informação e conscientização sobre o problema.


Ana Lúcia da S. Castilhioni
Capitão de Mar e Guerra(RM1-S)
Coordenadora do Conselho Editorial





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