Suicídio: preconceito e prevenção

Enviado em: 09/09/2019

image

Hoje, trataremos de um tema pouco confortável, envolto por inúmeras “justificativas”, “explicações”, “motivações”, “pré-conceitos” e “questões pessoais” que, muitas vezes, afastam as vítimas desse sofrimento psíquico/psiquiátrico da busca por ajuda. Esse assunto, muito visto e pouco comentado, assustador e preocupante, é o suicídio. Desde já, convocamos você, leitor, a lutar contra o preconceito e a ajudar aqueles que estão passando por esse momento delicado de vida.

Mas, por que falar desse assunto? Por que trazer algo tão desagradável para ser lido? Como pensar nesse tema em um momento da vida em que a pessoa pode se julgar bem e achar que é impossível de acontecer? Bem, vamos esclarecer o motivo da nossa preocupação:

  • 1. cerca de 800.000 pessoas se matam em todo o mundo por ano – já pensaram que, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo, em uma proporção de 15 homens para cada 8 mulheres?;
  • 2. para cada suicídio, há cerca 10 a 20 vezes mais pessoas que ainda não conseguiram êxito tentando;
  • 3. o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, e, em alguns países, a faixa etária é de 10 a 24 anos;
  • 4. 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa renda; e
  • 5. a ingestão de pesticidas, o enforcamento e as armas de fogo estão entre os métodos mais comuns em nível global.

CONHECIMENTO - O suicídio é uma questão complexa, por isso há a necessidade de todos os nossos esforços para buscar a prevenção. Os tabus deixam de existir com o conhecimento da situação, sendo assim, falar do tema é uma maneira de abordá-lo minimamente como também de convocar o apoio de todos para uma jornada contra o problema.

Sabia que as taxas mais altas de suicídio ocorrem na terceira idade? Porém, o aumento expressivo do suicídio entre adolescentes e jovens tornou esse grupo o de maior risco. Além disso, ainda que raro, há casos de suicídio em crianças e pré-púberes (criança que ainda não atingiu a puberdade).

Acredite! A partir dos 8 anos de idade, a criança passa a compreender o conceito e torna-se capaz de cometer o suicídio. Entre as crianças, a taxa de suicídio é baixa e pode ser explicada por: menor exposição a fatores de risco (como doenças mentais e uso de drogas e álcool); e por estarem mais protegidas pela família, desde que tenham um relacionamento saudável.

PROCESSO - Entenda! O suicídio, geralmente, não acontece de uma “hora para outra”. Esse processo de adoecimento é chamado de “síndrome pré-suicida”. Inicialmente, o indivíduo apresenta o pensamento sobre a morte e o mantém. Então, ele torna-se convicto de que a morte seja a solução para “os seus problemas e sofrimentos” e, após tudo isso, pode chegar ao ato “efetivo”. Por isso, fique alerta ao observar alguém com:

  • 1. sentimento de desesperança, autocorreção (autocobrança), solidão;
  • 2. pessimismo, autopiedade;
  • 3. retraimento social;
  • 4. autoagressão;
  • 5. fantasias e planejamentos suicidas;
  • 6. disforia (amargura, irritabilidade, desgosto, ansiedade, inquietação); e
  • 7. problemas de sono, fadiga, perda de apetite.

Deixemos o preconceito de lado e respeitemos o sofrimento do outro. Estimulemos a busca de cuidados ou, inclusive, leve a pessoa com problemas (ou até mesmo você) para ser cuidada pelos profissionais da Saúde Mental. Lembre-se: sua mente, o cérebro, é um órgão, cuide dele e da sua saúde.

CT (Md) Lucas Machado Sanchez
Espaço Consciência e Cuidado



Saiba mais em: