Sífilis e Deficiência Auditiva

Perdas auditivas podem ocorrer por diversas causas: genética, congênita (presente desde o nascimento) ou adquirida. Existem várias doenças que, quando ocorrem durante a gestação, podem levar a alterações congênitas no recém-nascido, incluindo a deficiência auditiva.

Das várias enfermidades que podem ser transmitidas durante esta fase, a sífilis é a que tem as maiores taxas de transmissão. É uma doença sexualmente transmissível, também chamada de Lues, descrita pela primeira vez há aproximadamente 500 anos.

Ao longo do tempo, medidas voltadas para o tratamento sanitário, para a educação sexual e para a descoberta da penicilina reduziram bastante a ocorrência da doença. Contudo, nos últimos 10 anos, vem ocorrendo um aumento do número de casos de sífilis gestacional e congênita no país. Estudos estimam uma ocorrência em gestantes de 1,6%, representando cerca de 50 mil parturientes (mulheres que estão em trabalho de parto ou acabaram de parir) com sífilis ativa e uma estimativa de 15 mil crianças nascendo com sífilis congênita, em média.

Quando a mulher adquire sífilis durante a gravidez, poderá haver infecção com ou sem sintomas nos recém-nascidos. Mais de 50% das crianças infectadas são assintomáticas ao nascimento, com surgimento dos primeiros sintomas, geralmente, nos primeiros três meses de vida. Para que a sífilis possa ser diagnosticada e tratada precocemente, o Ministério da Saúde preconiza a realização de exames não apenas durante o pré-natal, mas também durante o período de internação dessas mães nas maternidades, para que não haja alta hospitalar sem o diagnóstico.

Estatisticamente, a ocorrência de perda auditiva na sífilis congênita varia de 25 a 38%. Nestes casos, a perda é irreversível, de instalação súbita ou progressiva, unilateral ou bilateral. Em geral, de grau moderado a severo, com impactos significativos para a inteligibilidade da fala, conforme a evolução da doença. A sífilis também pode levar à perda auditiva, tardiamente, em torno dos dois anos de idade. Por esta razão, torna-se imprescindível programar um acompanhamento audiológico para estes casos.

É extremamente importante que você, gestante, saiba como se prevenir de doenças que futuramente poderão afetar a saúde do seu bebê. No caso em questão, isto é possível adotando medidas bem simples: pré-natal adequado com obstetra/ginecologista, proteção nas relações sexuais e não compartilhamento de seringas.

A detecção e o tratamento da sífilis são possíveis ainda no pré-natal. Assim, as grávidas precisam se prevenir para não transmitirem a doença para seus filhos. O diagnóstico e o tratamento precoce ainda são as formas mais eficazes de proteção para os bebês.

Ana Paula Almeida do Nascimento
Capitão-Tenente (S)
Conselho Editorial do Saúde Naval