Como ser saudável financeiramente

Quando falamos em ser saudável, logo pensamos em saúde física, mental e espiritual. Entretanto, a nossa saúde financeira é tão importante quanto as demais. Afinal, administrar corretamente nossos recursos garante suporte para estarmos bem em todas as outras áreas.

Pesquisas recentes apontam que pessoas desorganizadas financeiramente e endividadas tendem a desenvolver diversos problemas. Não são raros os casos de crises de ansiedade, depressão e, em situações mais extremas, o suicídio.

Alguns passos são importantes para se manter saudável financeiramente:

  • Passo um: faça um diagnóstico da sua saúde financeira
  • Entenda a sua real situação. Para tal, você precisa saber exatamente qual o valor do seu salário ou qualquer remuneração por serviços prestados, já com os devidos descontos, ou seja, o que você realmente recebe em conta ou em mãos.

    Em seguida, identifique despesas essenciais, como gastos referentes a supermercado, aluguel, contas de água, luz, gás, etc. Nesse sentido, também é importante mapear o tamanho de suas dívidas, tanto as de financiamentos e empréstimos quanto as do rotativo do cartão de crédito.

    Como última etapa deste diagnóstico, descubra quais são os seus gastos “fantasmas”, aqueles que ocorrem sem que você perceba, como o cafezinho ou lanche do dia a dia. Uma boa forma de fazer este controle é, pelo menos durante um mês por ano, anotar todos os gastos diariamente. Após este período de 30 dias, será possível identificar o total utilizado para cada tipo de pequena despesa, e assim, realizar os ajustes necessários.

  • Passo dois: defina sonhos e metas
  • Defina com clareza as suas metas. Quando não idealizamos onde queremos chegar, ficamos tentados a adquirir crédito fácil e somos influenciados pelos apelos cada vez mais ferozes do marketing nos dias de hoje, acarretando em um consumo pouco consciente. Saiba quais são os seus sonhos, quanto eles realmente custam e em quanto tempo pode realizá-los. Divida-os em três tipos:

    • os de curto prazo - realizáveis em até 1 ano;
    • médio prazo - realizáveis em até 5 anos; e
    • de longo prazo - aqueles que vamos realizar depois de 5 anos.

    É fundamental definir metas com prazo de realização menor, pois qualquer conquista, mesmo que pequena, nos mantém mais engajados para concretizar projetos maiores, que demandem mais esforço e tempo.

    Caso existam dívidas, quitá-las deve ser um dos sonhos de curto ou médio prazo, pois esses débitos envolvem o pagamento de juros, e, por consequência, menos recursos para serem empregados na realização de outros sonhos. Também é muito importante ter uma reserva para emergências, pois ela servirá como um “seguro”, que protegerá todos os outros sonhos. Especialistas recomendam que tenhamos de 3 a 6 meses de nossas despesas essenciais como valor base para esta reserva.

  • Passo três: organize seu orçamento priorizando os sonhos
  • Monte um orçamento para organização de todas as despesas, identificando quanto custa realizar os seus sonhos e em quanto tempo conseguirá realizá-los a partir de seus rendimentos atuais.

    Nos orçamentos convencionais, geralmente, utilizamos a equação receitas menos despesas, e, por fim, verificamos se sobra ou se falta dinheiro. No entanto, em um orçamento voltado para atingir os objetivos determinados, primeiro devemos pagar os nossos sonhos e somente depois destinar o restante dos recursos para as despesas, adequando nosso padrão de vida ao valor disponível.

    Para a realização destes orçamentos é possível utilizar ferramentas como planilhas eletrônicas, aplicativos para celular ou, até mesmo, um simples bloco de anotações. O importante é ter este tipo de organização, independentemente do meio que será utilizado.

  • Passo quatro: poupe e invista para realizar os seus sonhos
  • Superada a fase de reorganização financeira e mudança de comportamento, inicia-se o processo de poupança, ou seja, guardar uma parcela de seus ganhos, aproveitando as oportunidades dos diferentes tipos de investimentos do mercado financeiro para potencializar esta poupança.

    Para escolher o melhor investimento, devemos sempre levar em consideração para qual finalidade estamos guardando o dinheiro. Por exemplo, no atual momento de nossa economia, para os sonhos de curto prazo, investir na caderneta de poupança ou em títulos do Tesouro Direto com liquidez diária seria uma das estratégias recomendadas.

    Já para os sonhos de médio e longo prazo, devemos buscar opções mais rentáveis, como os títulos do Tesouro Direto pré-fixados ou de longo prazo (atrelados à inflação), produtos bancários como CDB, LCI, LCA e fundos de renda fixa. Para aqueles mais propensos a correr um risco um pouco maior, a aquisição de ações de empresas de capital aberto, ou participação em fundos imobiliários também são boas opções.

    A escolha do investimento está ligada diretamente ao objetivo para qual o dinheiro está sendo retido e o risco que o investidor está disposto a correr para a potencialização destes rendimentos.

    Seguir os quatro passos propostos é um bom caminho para se organizar financeiramente, realizar projetos pessoais, e, por consequência, aumentar a qualidade de vida e o bem-estar social, equilibrando todos os prismas de nossa saúde.


Paulo Vitor Junqueira Ferreira
Capitão-Tenente (QC-IM)
Chefe do Departamento de Administração
Serviço de Assistência Social da Marinha





Referências:
DOMINGOS, R. Terapia financeira: realize seus sonhos com educação financeira. São Paulo: DSOP Educação Financeira, 2011.
CERBASI, G. Investimentos Inteligentes. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.