Psicomotricidade: dê voz ao seu corpo

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Hoje em dia, é muito comum ouvir os profissionais de saúde falando sobre a necessidade de se exercitar. E, de fato, isso é muito importante para o corpo! O exercício físico de forma regular previne algumas lesões musculares e articulares, ajuda no controle da obesidade, hipertensão, diabetes, entre outros benefícios.

Mas, já parou para pensar que, além do seu corpo, a sua mente também precisa se exercitar? Que é através da dinâmica da sua mente que o seu corpo se movimentará? E de que maneira podemos exercitar a mente? Podemos pensar em palavras cruzadas, jogo da memória, tricô, crochê... isso tudo movimenta a mente, mas não é sobre esse tipo de movimento que gostaríamos de abordar aqui.

Não há nada dentro do nosso corpo que possa ser identificado como mente – diferente, por exemplo, de nosso coração, pulmões, ossos, tendões. No entanto, a mente está ali, construindo e desconstruindo conceitos e, principalmente, gerando movimentos (pensamentos).

Talvez você pense que o sofrimento seja provocado por outras pessoas, pela falta de condições materiais ou pela sociedade, porém, na verdade, ele vem de nossos próprios estados mentais alterados. Quando a nossa mente fica estagnada, ou seja, não é capaz de sozinha sair de algum problema, produzimos o que chamamos de recidivas corporais. Em outras palavras, uma dor que temos na coluna, por exemplo, por mais que façamos fisioterapia, não vai embora nunca. Portanto, o que precisa ser feito é dar voz ao corpo. Deixar a coluna, os ombros, os joelhos falarem, para que a mente transgrida a dor (física e mental – da alma). Dar voz ao corpo é o mesmo que tirar a mente da estagnação, promovendo movimentos organizados e integrados, em função das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.

Nesse contexto, apresentamos a Psicomotricidade – uma ciência que estuda o homem em seu contexto físico e mental – como uma ponte entre o corpo e a mente, para que o indivíduo não separe essas estruturas e organize suas relações internas e externas. Organizando essas relações, promove-se uma melhor integração desse sujeito consigo mesmo, com os outros e com o mundo em que vive. Para isso, a Psicomotricidade se baseia em três pilares básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Na prática, trabalhamos de diversas formas – música, dança, arte, dinâmicas etc – estimulando sempre o pensamento e as relações humanas, e construindo vieses positivos para a formação de novas sinapses motoras e emocionais.

Em outras palavras, o psicomotricista irá acolher e promover movimentos em sua mente, fazendo com que o indivíduo entenda que não existe um corpo e uma mente, e sim que um precisa do outro para existir. Sem a mente, o corpo adoece e, sem o corpo, a mente entristece. Não distancie o seu corpo de sua mente! Movimente-se, saia da estagnação mental! Falar da sua dor é uma forma de se curar.


Ana França
Primeiro-Tenente (RM2-S)
Fisioterapeuta e Psicomotricista
Ambulatório Naval da Penha