Prevenção da obesidade: começando pelas crianças

O Brasil tem enfrentado mudanças no perfil nutricional da sua população, com aumento da obesidade nas diversas faixas etárias e camadas sociais. Antes a desnutrição era a grande preocupação, agora acompanhamos uma transição para obesidade, que já é considerada uma epidemia. Ela é uma doença crônica e multifatorial, e na maioria das vezes envolve fatores genéticos, comportamentais e ambientais.

O excesso de peso na infância tem associação com as doenças crônicas da vida adulta, e mais do que isso, podem ser desencadeadas ainda na infância. São observadas modificações metabólicas, anatômicas e comportamentais. Hipertensão arterial, resistência à insulina, dislipidemia são alguns exemplos. Refletir sobre a prevenção da obesidade em crianças e adolescentes é um passo imprescindível para a intervenção nessa epidemia, por representar um grupo de grande vulnerabilidade e com prejuízos a curto e longo prazo.

Os cuidados para a prevenção devem ser iniciados já no período intra-uterino, passando pela infância e adolescência. Acredita-se que as experiências nutricionais iniciais podem influenciar na suscetibilidade para algumas doenças crônicas na vida adulta, e a obesidade é uma delas.

Na primeira infância, o primeiro e grande passo é o aleitamento materno de forma exclusiva nos primeiros 6 meses de vida, sendo a alimentação equilibrada da mãe uma importante aliada para a nutrição ótima do bebê. Um próximo passo é a introdução, de forma adequada, da alimentação complementar ao leite materno, iniciada em torno dos 6 meses de vida. Ressalta-se que devem ser evitados o acréscimo de açúcar e outros alimentos que o contenham até os 2 anos de idade, além do uso moderado de gorduras e sal nos períodos que se seguem.

Além disso, novos sabores estão sendo apresentados e as quantidades ingeridas são autorreguladas pela própria criança. É preciso ter atenção a qualidade! Devem ser evitados longos períodos de jejum, e a oferta de água não deve ser esquecida. E mais: lembre-se que os filhos costumam seguir os hábitos alimentares e de atividade física dos pais!

CC(S) Simone de Matos Liparizi
Hospital Naval Marcílio Dias

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