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Novembrinho Azul é hora de cuidar da saúde do homem do futuro

  • Publicado em 28/10/2025 - 10:00
  • Atualizado em 31/10/2025 - 14:18
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O Saúde Naval entrevistou a Dra. Márcia Takey, Médica Pediatra/Hebiatra da Policlínica Naval Nossa Sra da Glória. Confira esse bate-papo repleto de informações sobre a campanha Novembrinho Azul.


Embora Novembro Azul e Novembrinho Azul compartilhem a cor azul e pareçam campanhas semelhantes, elas têm focos e públicos diferentes. No Novembro Azul, as ações são voltadas para a conscientização sobre a saúde de homens adultos, com ênfase na prevenção e diagnóstico de câncer de próstata e reforça a importância do autocuidado, do diagnóstico precoce e do acesso à saúde. Por sua vez, o Novembrinho Azul é uma campanha voltada para a saúde de meninos até 15 anos, com ações que incluem: a conscientização sobre HPV (papilomavírus humano), a investigação precoce de dores testiculares e aumento de volume da bolsa escrotal, diagnóstico e tratamento precoce de condições que sejam fatores de risco para doenças na vida adulta e o incentivo à capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender essa faixa etária.


Muitos problemas de saúde do homem adulto (como obesidade, hipertensão arterial, diabetes e até o câncer de próstata) estão relacionados a hábitos iniciados na juventude. Novembrinho Azul é um convite para que os adolescentes se conscientizem e comecem a cuidar da própria saúde desde cedo. Também é um momento para conversar sobre alimentação, exercícios, saúde mental, prevenção de doenças (como as infecções sexualmente transmissíveis – ISTs), sexualidade e respeito. Durante a adolescência, o corpo e a mente passam por muitas mudanças e, cuidar de si é o primeiro passo para crescer com saúde e confiança. Começar a ter o hábito de fazer acompanhamento médico, cuidar da alimentação e praticar atividades físicas ajudam a formar adultos mais saudáveis. Conscientizar os adolescentes hoje é preparar uma geração de homens no futuro que cuidam de si mesmos, com responsabilidade e sem tabus.


O autoconhecimento é muito importante e é uma das bases da saúde na adolescência. O corpo muda muito nesse período e os testículos também. É importante conhecer o próprio corpo para perceber se algo não está normal. Se o adolescente anda muito cansado, com dores de cabeça, febre que não passa, mudança no peso ou no crescimento, ou se percebeu algo diferente em qualquer parte do corpo ou nas partes íntimas, como coceira, “caroço”, dor ou corrimento, não ignore! E se estiver triste, irritado, desanimado ou com vontade de se isolar, isso também é sinal de que ele precisa de atenção.


Tanto a torção testicular quanto o testículo não descido, exigem atenção médica e acompanhamento especializado, pois podem afetar a fertilidade e a saúde futura do adolescente. A torção testicular é quando o testículo gira sobre o próprio eixo, interrompendo o fluxo de sangue que chega até ele. Assim, o adolescente sente dor intensa e súbita no testículo e/ou parte baixa do abdome ou virilha; inchaço e vermelhidão na bolsa escrotal; náuseas e vômitos; o testículo pode parecer mais “alto” que o outro. É uma urgência médica e necessita de cirurgia de emergência, que deve ser feita o mais rápido possível. Já o testículo não descido (criptorquidia) é quando um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal até o nascimento ou nos primeiros meses de vida. O testículo pode estar na virilha ou ainda dentro do abdome. Neste caso, o paciente também deve ser avaliado por um urologista ou cirurgião pediátrico, pois há risco de infertilidade, maior probabilidade de câncer de testículo no futuro e possibilidade de torção testicular. O tratamento é a cirurgia (orquidopexia) para posicionar o testículo na bolsa escrotal. Mesmo após a cirurgia, é importante acompanhar o crescimento e o funcionamento do testículo com o urologista.


Para abordar o tema da saúde testicular e prevenção de problemas como o câncer de testículo com adolescentes, os pais ou responsáveis podem seguir algumas estratégias. Escolha o momento adequado. Comece de forma natural e tranquila. Prefira um ambiente tranquilo e privado, sem pressa ou interrupções. Use uma linguagem clara e direta, fale de forma objetiva, sem rodeios, mas também sem alarmismo. Normalize o tema mostrando que cuidar da saúde íntima é natural e importante: “Sabe, eu queria conversar um pouco sobre saúde dos meninos. É algo que todos precisamos cuidar, assim como escovar os dentes ou lavar as mãos.” Isso pode ajudar a reduzir o constrangimento ou a vergonha. Incentive a autonomia, ensine o adolescente a realizar o autoexame testicular regularmente, explicando passo a passo e enfatizando a importância de conhecer o próprio corpo. Observe sinais de alerta: dor persistente ou sensibilidade incomum, inchaço ou “caroços”, mudança repentina de tamanho ou aparência. Procure focar na prevenção, não no medo. Explique que detectar problemas cedo é importante e aumenta muito as chances de tratamento bem-sucedido. Lembre-se que esse momento é uma oportunidade para conversar sobre puberdade, ISTs, métodos contraceptivos. Esteja aberto para perguntas, ouça as dúvidas do adolescente com paciência e responda de forma honesta. Se não souber a resposta, busque a informação juntos. Sirva de exemplo: mostre que adultos também cuidam da própria saúde, reforce a importância do cuidado pessoal e finalize com encorajamento. Em caso de dúvidas ou qualquer queixa, procure ajuda médica.


Sim, existem fatores de risco que merecem atenção, especialmente no contexto da saúde do adolescente e de problemas relacionados à genitália masculina. Histórico familiar de testículo não descido ou câncer testicular, aumentam o risco. Adolescentes estão mais sujeitos à torção testicular, porque os testículos estão em fase de crescimento rápido e de maior mobilidade. Testículo não descido aumenta risco de torção e de infertilidade. Impactos diretos ou movimentos bruscos podem desencadear torção testicular. Relações sexuais sem preservativos expõem o adolescente a contrair várias ISTs.


A vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) é extremamente importante por vários motivos. Primeiro, porque previne a infecção por esse vírus que pode causar: câncer de colo do útero (em mulheres), câncer de ânus, pênis e garganta (orofaringe) e verrugas genitais, em homens e mulheres. Vacinar-se reduz significativamente o risco de desenvolver essas doenças no futuro. A vacinação é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas e meninos entre 9 a 14 anos, sendo mais eficaz antes do início da vida sexual. Adolescentes vacinados têm menos chance de contrair o HPV e, consequentemente, menos chance de transmitir o vírus futuramente para parceiros sexuais. Vacinar nessa faixa etária ajuda o adolescente a entender a importância da prevenção de ISTs de forma saudável e responsável. Vacinar agora é garantir saúde para o futuro!


O autoexame dos testículos não substitui uma consulta médica, mas é uma forma simples e rápida do adolescente conhecer melhor o próprio corpo e detectar precocemente problemas nos testículos. O ideal é fazer uma vez por mês, durante ou logo após o banho morno, pois o calor relaxa e facilita o toque dessa região do corpo. Uma sugestão é o adolescente ficar em pé diante do espelho e observar se há aumento de volume, inchaço ou mudança na cor da pele dos testículos. Palpe um testículo de cada vez. Use ambas as mãos: segure o testículo entre os dedos indicador, médio e o polegar. Palpe com cuidado, fazendo movimentos suaves para sentir toda a superfície. O testículo deve ter uma consistência firme e lisa, sem caroços ou áreas endurecidas. Repita o passo a passo no outro testículo. Procure ajuda médica se notar: alterações no pênis; qualquer caroço ou endurecimento, aumento ou diminuição de tamanho de um dos testículos; dor ou desconforto que não passa; sensação de peso ou inchaço no testículo.


Para os adolescentes de 12 a 15 anos, o atendimento médico pode ser realizado através do agendamento de consulta ambulatorial com hebiatra na PNNSG. Outra opção para os pacientes a partir de 12 anos nas OM que não dispõem de hebiatra é o atendimento no Serviço de Medicina Integral (SMI) por um clínico geral ou o agendamento de consulta com o urologista.


Não tenha vergonha de procurar ajuda. Falar sobre o corpo e sobre o que a gente sente é um ato de coragem, um sinal de maturidade. Lembre-se: cuidar da saúde é se respeitar.

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