
Você sabia que o hábito de fumar acompanha a humanidade há milhares de anos? Mas a sua popularização se deu através do tabaco fumado, a partir de 1830, com a indústria espanhola dos “cigarrillos”. Daí se espalhou pela Europa e assim pelo mundo. Durante o século 20, em especial durante as grandes guerras, o cigarro era distribuído gratuitamente aos soldados. Outro grande impulso na popularização deste hábito foi a introdução, no cinema hollywoodiano, de charmosos galãs, todos eles fumando. A partir dos anos 50, o cigarro chega e se estabelece em nossa cultura, como um hábito glamouroso e relaxante.
Trinta anos mais tarde, fomos nos dando conta dos prejuízos físicos desse “hábito charmoso”. Não só para quem fuma, mas para quem convive com o fumante em casa ou no trabalho, que chamamos de fumante passivo.
Você sabia que o cigarro contribui para o surgimento de doenças respiratórias e circulatórias e para sua cronificação? Além de ser fator de risco para quase todos os tipos de câncer hoje conhecidos, inclusive para os que não fumam mas convivem com tabagistas em ambiente fechado, ele interfere na formação do feto durante a gestação, caso a mãe seja fumante.
Então, por que é tão difícil parar de fumar? Há dados científicos que esclarecem que apenas 5% dos tabagistas param de fumar só com sua força de vontade. Os outros 95% precisam de ajuda profissional, especialmente por causa da ação da nicotina, que provoca grande dependência física, e dos componentes emocionais envolvidos nessa dependência.
O que fazer? Procurar um médico? Mas qual médico? Ainda que o tabagismo prejudique quase todos os órgãos vitais e interfira em várias funções do nosso corpo, ele não é tratado pelo pneumologista quando já afetou os pulmões de quem desenvolveu um enfisema pulmonar, nem pelo cardiologista quando o coração ou as artérias já foram prejudicados, levando ao infarto. Por ser um transtorno que causa prejuízos físicos e psicológicos que vão se estabelecendo ao longo dos anos, envolvendo comportamentos, funções específicas do cérebro e emoções, o tratamento do tabagismo exige ajuda especializada.
Tratar o tabagismo significa não somente tratar a dependência da substância em si, mas também mudar hábitos, rever rotinas e colocar a qualidade de vida como prioridade. É um processo que requer motivação e dedicação. Se este for o seu caso, busque, preferencialmente, ajuda de profissionais de Saúde Mental como psiquiatras e psicólogos, que poderão lhe ajudar neste sentido. Afinal, tirar o cigarro da sua vida vai demandar o manejo da abstinência do ponto de vista físico, mental e emocional com medicação e psicoterapia específica.
A Marinha oferece tratamento para as pessoas interessadas em parar de fumar por meio do Espaço Consciência e Cuidado, que funciona no Hospital Central da Marinha. O telefone para mais informações é o (21) 2104-5588.
Capitão de Corveta (S)
Encarregada do Espaço Consciência e Cuidado
Hospital Central da Marinha

