“Uma ocasião meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.”
Adélia Prado
Ao final da licença maternidade, os pais que não podem contar com a casa da vovó, nem com o horário livre da “dinda”, começam a buscar a melhor creche para seus bebês. Cada família tem critérios distintos para sua busca: proximidade de casa, horário de funcionamento, posicionamento religioso, opinião ambiental, robótica, alimentação vegana, musicalidade, índice de aprovação no ENEM (!?!) etc.
Todas as preocupações e ansiedades com o mundo se apresentam nesse momento difícil para os pais: a primeira grande separação de sua jóia! Tranquilizem-se. De fato, ninguém melhor do que vocês para cuidar e confortar seu filho, mas a cultura familiar está presente na vida do bebê desde o útero, eles já sabem que mamãe trabalha. Agora, ele ou ela também terá parte ativa nessa dinâmica. É importante que eles se apropriem dessa rotina, conhecendo e reconhecendo seus pais como seres humanos, trabalhadores, intelectuais, esportistas, multifacetados. Pois, assim, se construirão e se posicionarão no mundo.
Para facilitar essa transição do “ninho” para creche, existe o período de adaptação para o bebê e a família. Cada instituição tem um método, um cronograma, e esse também é um item a pesar na hora da escolha da creche.
Mamadeiras e chupetas etiquetadas. Roupinhas confortáveis para brincar e se sujar, pacote de fraldas e pomada para assaduras na bolsa. Remedinho para febre e cólica anotado na agendinha. Ótimo! Ao planejar a bolsa organize também o coração. Passe serenidade e segurança para o seu bebê. Conte às educadoras como ele ou ela prefere o banho, se dorme com paninho na mão, se evacua bem, crie laços afetivos com elas. Isso sinalizará para ele que é seguro ficar ali. Diga como vai ser divertido brincar e pintar na creche.
Eles podem chorar? Sim! Estão se adaptando a um novo espaço, novos horários de refeição, outras pessoas estão os alimentando e pondo para dormir. E isso é muito íntimo para o bebê. Eles também têm saudades, é natural, e isso não faz com que “percamos pontos”. Isso é crescer, para ambos. Quando forem entregar eles no portão o façam sorrindo, celebrando o dia criativo que vão ter. Mas pode chorar baixinho depois que os deixar, mãe e pai também choram, também têm medo e isso é viver.
Capitão de Corveta (T )
Encarregada da Creche O Marinheiro e da Classe Hospitalar
Hospital Naval Marcílio Dias

