Mitos que cercam o Aleitamento Materno

É consenso mundial que o leite materno é o alimento mais completo para o bebê. Contudo, nem sempre amamentar é fácil! Especialmente, se a dupla mamãe-bebê não recebe o apoio e as orientações necessárias.

Após o nascimento da criança, já nas primeiras semanas, a insegurança torna-se parte dos vários sentimentos experimentados pela mãe. Uma das suas grandes preocupações é ter a certeza de que a sua produção de leite está correspondendo às necessidades do bebê. Nesse contexto, surgem diversas crenças equivocadas, que podem comprometer muito o sucesso do aleitamento materno.
Dentre os principais mitos que cercam o aleitamento, falaremos sobre sete deles:

1) Durante a fase do pré-natal, é necessário preparar as mamas para o aleitamento?
Existe uma cultura de que é necessário “engrossar” a pele da aréola e do mamilo com o objetivo de preparar as mamas para o momento do aleitamento. Isso é desnecessário! Nessa região estão presentes as Glândulas de Montgomery, que são responsáveis por produzir uma secreção que protege e hidrata aréola e mamilo. Assim, quando passamos buchas ou toalhas ásperas nesses locais, na verdade estamos removendo esta secreção protetora!

2) O uso de compressas quentes ou frias ajudam no controle da produção de leite?
As famosas compressas, quando utilizadas de forma indiscriminada, podem ser bastante perigosas. O uso indevido da compressa quente pode aumentar demais a produção e o uso da fria pode reter o leite na mama, dificultando a sua saída. Em ambos os casos, o equilíbrio da produção pode ser seriamente afetado.

3) É recomendado usar medicações ou ervas para estimular a produção de leite?
O uso de qualquer recurso terapêutico para o aumento da produção, seja por meio de uma medicação convencional ou de um método natural, só deve ocorrer com a indicação e a orientação de um profissional habilitado para tal. Jamais lance mão desses recursos por conta própria!

4) A alimentação da mãe pode interferir no aleitamento materno?
Muito ouvimos falar sobre a influência de alguns alimentos nos processos envolvidos na produção de leite. Nesse aspecto, o fundamental é lembrarmos sempre que um dos pré-requisitos para a produção satisfatória é uma alimentação saudável e equilibrada! Algumas restrições alimentares podem ser necessárias, por exemplo, pois muitas mães observam que, quando comem determinados alimentos, o bebê fica mais inquieto e com sintomas de cólica. Ainda não está cientificamente comprovada a eficácia de um ou de outro alimento específico sobre o processo de produção de leite, mas o que se sabe é que, aliada à orientação para uma alimentação saudável, está totalmente desaconselhada a ingestão de bebidas alcoólicas!

5) O uso de cremes e pomadas nas mamas está indicado?
É desaconselhado o uso destes recursos na região da aréola e do mamilo sem a orientação de um profissional. Pois, além da hidratação natural proporcionada pela secreção produzida pelas Glândulas de Montgomery, no leite materno há substâncias cicatrizantes que tratam os mamilos quando há presença de fissuras ou rachaduras. Outro dado importante, é que cremes e pomadas podem obstruir os ductos lactíferos, podendo contribuir para o desenvolvimento da tão temida mastite. Portanto, não use cremes e pomadas sem prescrição médica!

6) O banho de sol nas mamas ajuda mesmo ?
Para situações em que os mamilos estão feridos, o banho de sol, ou mesmo a exposição das mamas a uma fonte artificial, como uma luminária, por exemplo, podem sim ser muito úteis para o processo de cicatrização.

7) Algumas mulheres têm pouca produção de leite ou leite fraco?
Muitas mulheres ouvem que têm pouco leite ou que seu leite é fraco, quando o bebê não para de chorar. É importante estar ciente de que não existe leite fraco ou pouca produção por parte da mãe. A principal regra da amamentação é: quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido.

Para o sucesso no aleitamento materno é importante que a mãe possa contar com o apoio de familiares e pessoas próximas. Ainda na fase do pré-natal, ela deve receber todas as orientações necessárias para que tenha a possibilidade de vivenciar o melhor desse momento tão delicado e valioso, que é poder nutrir o seu bebê, não somente no sentido literal da palavra, mas também sob o ponto de vista emocional. O vínculo que se estabelece entre mãe e filho é único!


Ana Paula Almeida do Nascimento
Capitão de Corveta(S)
Conselho Editorial do Saúde Naval




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