O primeiro passo é preencher um cadastro. O segundo é decidir se preenche uma vida.

Enviado em: 09/12/2021

image

É um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, popularmente conhecido como “tutano”. Didaticamente, podemos dizer que é a “Fábrica do Sangue” pois, produz todos os seus componentes: os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas.

Não. A medula espinhal é formada por tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.

O transplante de medula óssea é também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas e consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células progenitoras normais, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. É o tratamento com maior potencial curativo, sendo sempre combinado com quimioterapia ou radioterapia.

Pacientes com doenças do sangue, como a anemia aplástica grave, outras anemias adquiridas ou congênitas e na maioria dos tipos de leucemias, como a mieloide aguda, mieloide crônica e a linfoide aguda, têm indicação de receber o transplante. Além desses, pacientes com diagnóstico de mieloma múltiplo, linfomas e doenças autoimunes também podem receber esse tratamento.

Existem dois tipos de transplante:

  • O transplante alogênico é aquele no qual as células precursoras da medula provêm de outro indivíduo (doador), de acordo com o nível de compatibilidade do material sanguíneo. A primeira opção é sempre pela medula de um irmão. Se o indivíduo não tem irmão ou este não é compatível, também se verifica a compatibilidade com a mãe e o pai. Se não há um doador aparentado com boa compatibilidade, procura-se um não aparentado compatível. Este tipo de transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue de um cordão umbilical.
  • Já o transplante autólogo é aquele no qual as células precursoras da medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). As células da medula ou do sangue periférico do próprio paciente são coletadas e congeladas para uso posterior.

Sim. No Hospital Naval Marcílio Dias existe a Unidade de Transplante de Medula Óssea (UTMO) em que são realizados os transplantes de medula óssea do tipo autólogo. Os pacientes que necessitam de transplante alogênico são inseridos no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME), caso não possuam doador aparentado, e encaminhados para um Centro Transplantador de referência, que realize esse tipo de transplante.

O transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. Mas, infelizmente, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras. Em 75% dos casos, os pacientes necessitam localizar um doador a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis. Assim, ser um doador não-aparentado de medula óssea pode mudar o destino e salvar a vida de alguém.

Para se tornar um doador é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos de idade;
  • Estar em bom estado geral de saúde;
  • Não ter doença infecciosa ou incapacitante (HIV/AIDS, Hepatites B e C, por exemplo);
  • Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico;
  • Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Procure, primeiramente, o Hemocentro do seu Estado. No caso do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ, que realizam os cadastros atualmente.

O voluntário irá:

  • Preencher uma ficha com informações pessoais;
  • Assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE);
  • Coletar uma amostra de sangue para realização do exame de histocompatibilidade (HLA).

O exame de histocompatibilidade (HLA) irá identificar suas características genéticas. Seus dados pessoais e o tipo de HLA serão então incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Por último, a lista de doadores cadastrados no REDOME será cruzada com os dados dos pacientes no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME), dando início à busca pelo doador compatível.

Para aqueles doadores que moram em MG, CE e RJ, é possível também realizar um pré-cadastro pelo aplicativo do REDOME. No entanto, trata-se somente de um pré-cadastro, sendo necessário ir presencialmente ao Hemocentro responsável para realizar a coleta da amostra de sangue para o HLA e, consequentemente, ter seus dados genéticos inseridos no REDOME.

Não. Quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador será consultado para decidir quanto à doação. Por isso, é necessário manter os dados sempre atualizados. Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde. Somente após a conclusão de todas essas etapas é que o doador poderá ser considerado apto e realizará a doação. Nessa etapa será definida, pelo Centro Transplantador, a melhor forma de doação da medula óssea, visando o melhor desfecho para o paciente e a segurança do doador.

Ela pode ser feita de duas maneiras: por aférese ou procedimento cirúrgico.

  • Na coleta por aférese, o doador faz uso de uma medicação por cinco dias, com o objetivo de estimular a produção das células-tronco. A célula é coletada através de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários. Não é necessária internação e nem anestesia.
  • Na coleta realizada em centro cirúrgico, o doador é submetido a anestesia peridural ou geral, com necessidade de internação por 24 horas. A medula é retirada do interior do osso da bacia, por meio de punções. O procedimento leva em torno de 90 minutos e a medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias. Nos 3 primeiros dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado. O doador retorna às suas atividades habituais na primeira semana após a doação.

Não. Sem pessoas que sejam doadoras de SANGUE E PLAQUETAS, transplantes de medula óssea não seriam realizados, pois esses hemocomponentes são vitais para garantir a recuperação do paciente transplantado.


Mariana Rietmann
Primeiro-Tenente (Md)
Escola de Saúde da Marinha