O médico de família nos dias atuais

18 de outubro, Dia do Médico, mais que um profissional, parte da família. abra os ouvidos!

No passado, o médico de família visitava os doentes em casa, fazia o diagnóstico e as orientações de tratamento e participava da vida de todos os membros daquela família, chegando a estar presente no momento da morte de algum deles. Com o passar do tempo, este profissional deixou de existir, tanto por conta do avanço tecnológico, do crescimento da população e das cidades, como das formas de remuneração do médico.

A saúde passou a ser um serviço prestado de forma fragmentada, no qual a doença se sobrepõe ao doente e a tecnologia busca substituir a anamnese (entrevista feita pelo profissional de saúde) e o exame físico, em nome da rapidez e da padronização de procedimentos.

Atualmente, diversas instituições, a Marinha entre elas, procuram resgatar, até certo ponto, a atuação de médicos que equivalham aos antigos médicos de família. Como as características do ambiente e da prática médica são muito diferentes dos existentes no passado, o profissional que mais se aproxima de tal figura é o Médico de Atenção Básica.

Este médico não mais se faz presente na residência dos pacientes, mas atua em um estabelecimento de saúde, coordenando a prestação da atenção à saúde. Na Marinha, o setor responsável por este tipo de atendimento é o Serviço de Medicina Integral (SMI), instituído nas Policlínicas e Ambulatório Navais no Rio de Janeiro.

O atendimento

Nestes setores, os pacientes têm a oportunidade de receber atendimento médico continuado, sendo acompanhados pelo mesmo profissional de saúde que resolve ou controla, em média, 75% dos casos de doenças apresentadas. Os casos mais complexos (cerca de 25%) são encaminhados às diversas especialidades, após a definição da linha de conduta a ser adotada. Tão logo estes sejam resolvidos ou controlados, retornam ao acompanhamento do Médico de Atenção Básica no SMI.

Relação médico-paciente

Cada paciente é único e deve ter a certeza disso - dúvidas, temores, expectativas, decepções, linguagem. Por isso, a relação médico-paciente é sempre exclusiva. Olhar nos olhos, ouvir com atenção, esmiuçar a receita, desenhar a explicação, ser sincero e acolhedor. Não se perde tempo com nada disso, conquista-se a confiança. Minha experiência nesse assunto decorre de estar atuando no SMI da Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória desde julho de 2016. De lá para cá, tive a oportunidade de acompanhar diversos pacientes e seus familiares, verificando que é possível estabelecer uma relação médico-paciente humanizada, com espaço para um atendimento diferenciado e personalizado em que a confiança tem sido um elemento fundamental na condução dos casos.

Benefícios para o paciente

Desta forma, o médico de Atenção Básica, que podemos chamar de médico de família dos novos tempos, passa a ser uma peça importante na prestação de uma assistência médica integrada, na qual a tecnologia não é nem a única solução, nem a inimiga da humanização do atendimento, mas uma ferramenta a ser utilizada nos casos realmente necessários. Com isso, percebo que os pacientes que procuram o SMI demonstram segurança, satisfação, respeito, carinho e se sentem valorizados. A equipe tem conseguido atuar inclusive em situações com potencial de agravamento, imprimindo rapidez à prestação do atendimento em nosso hospital de referência (HNMD). O Médico de Atenção Básica também atua na prevenção de doenças e seus agravos, por meio de orientações quanto aos hábitos de vida e ao correto encaminhamento aos programas de saúde.

Carlos Henrique
Capitão de Mar e Guerra (RM1-Md)
Encarregado do Serviço de Medicina Integral da PNNSG