Medicamentos psiquiátricos salvam vidas

Enviado em: 23/09/2021

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“Doutor, eu tenho medo de me viciar na medicação”

“Essa medicação causa dependência”

“Não quero tomar remédio o resto da vida”

Essas frases são recorrentes nas avaliações psiquiátricas. E o mais espantoso é que elas se repetem ao longo do tratamento, mesmo o paciente tendo sido esclarecido sobre o funcionamento das medicações.

Diante disso, temos um fato relevante: se existem pacientes que vão à consulta psiquiátrica com esse receio da medicação, ou qualquer outro sentimento que dificulta o tratamento medicamentoso, quantos não conseguem vencer essa barreira e procurar ajuda médica? E mais, quantos estão perdendo a vida por esse fato?

Como na maioria dos tratamentos médicos, a medicação se faz necessária no tratamento psiquiátrico. Pacientes hipertensos ou diabéticos, por exemplo, fazem uso diário de medicamentos, mas poucos têm receio do uso dessas medicações, apesar de a bula apresentar a possibilidade de vários efeitos colaterais. Assim, deve-se atentar que o risco existe não só para os medicamentos prescritos pelo psiquiatra.

É importante entender que os efeitos colaterais são reações adversas das medicações, indesejáveis em sua maioria. São ações possíveis de ocorrer no organismo e não há uma certeza de que vão acontecer, apenas a possibilidade.

“Mas doutor, e se acontecer?”

Nesse momento, o médico irá verificar a viabilidade ou não de manter o uso da medicação e tomar a melhor conduta para fim de tratamento.

“Mas não causa dependência?”

A possibilidade de dependência química relacionada aos psicofármacos aumenta quando o tratamento não é realizado da forma prescrita e o acompanhamento do paciente não ocorre como orientado pelo psiquiatra. Além disso, a maioria das medicações prescritas pela psiquiatria não causa dependência. Os medicamentos que incorrem no risco de causarem dependência, como alguns ansiolíticos, são prescritos com cautela e uma vez verificado o risco, por meio de consultas regulares, será ponderado pelo profissional a descontinuação ou não deles. Assim, qualquer dúvida em relação à medicação deve ser levada ao médico. Só ele saberá esclarecer e passar a confiança que o paciente precisa para tratar-se.

Estamos em setembro, mês em que é dada maior atenção a um tema delicado, em que é realizada a campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio (leia sobre a origem do Setembro Amarelo no quadro abaixo).

O risco de suicídio é maior nas pessoas que não fazem nenhum tratamento de saúde mental, sendo importante ressaltar alguns fatos:

  • Pessoas com transtorno bipolar têm o risco estimado (em pelo menos 15 vezes mais) de suicídio do que o da população em geral;
  • A possibilidade de comportamento suicida existe permanentemente durante os episódios depressivos maiores;
  • Pensamentos suicidas ocorrem, em algum momento, em cerca de metade dos indivíduos com TOC e as tentativas de suicídio também são relatadas em até um quarto daqueles com o transtorno;
  • As taxas de ideação suicida e tentativas de suicídio são altas tanto em adultos quanto em crianças/adolescentes com transtorno dismórfico corporal; e
  • O risco de suicídio é elevado em pacientes com anorexia e bulimia nervosa.

Infelizmente, a saúde mental ainda é estigmatizada e aqueles que procuram por tratamento muitas vezes são vítimas de preconceito, como “brincadeiras”, “piadinhas”, isso quando não lhe é retirada a credibilidade no trabalho, na família ou no meio social.

Combata esse tipo de comportamento, cuide-se e não deixe que o medo e/ou preconceito, seu ou de terceiros, deixe que a sua vida ou a de alguém em sofrimento corra risco.


CC (Md) Lucas Machado Sanchez
Psiquiatra do Espaço Consciência e Cuidado



Curiosidade:

O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio em 1994. Mike restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como "Mustang Mike". Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte. No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “se você precisar, peça ajuda”.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS), instituiu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar essa campanha. A história do jovem é a história de muitas crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Uma maneira importante de evitar o suicídio é o tratamento medicamentoso em conjunto com o psicoterápico em muito quadros.