Hipertensão arterial específica na gravidez

São muitas as mudanças que ocorrem na vida da mulher quando ela engravida: a expectativa de gerar uma nova vida, os enjoos, o aumento do peso, os desejos, dentre outras. Porém, existe uma questão que ainda é subvalorizada e pouco discutida: a mortalidade materna.

Na gravidez e até 42 dias após o parto, a mulher (puerpério) tem maior chance de desenvolver algumas doenças, além daquelas específicas da gestação, que necessitam de um acompanhamento cuidadoso. A hipertensão arterial específica na gravidez (ou pré-eclâmpsia) está entre as principais causas de mortalidade materna.

O aumento da pressão arterial durante a gravidez, associado à perda de proteínas na urina (proteinúria), é chamado de pré-eclâmpsia. Com uma evolução rápida e imprevisível, normalmente aparece depois da 20ª semana de gestação e afeta cerca de 8% de todas as gestações, segundo Nelson Sass, professor de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp). Geralmente, todo o quadro de hipertensão desaparece após o parto.

Os casos sem tratamento ou mal acompanhados podem apresentar lesão de órgãos e crises convulsivas (eclâmpsia), que é a forma grave da pré-eclâmpsia.

    Sintomas da pré-eclâmpsia:
  • Hipertensão arterial;
  • Edema (inchaço), principalmente nos membros inferiores, que pode surgir antes da elevação da pressão arterial; e
  • Aumento exagerado de peso e proteinúria (perda de proteína pela urina).
    Sintomas da eclâmpsia:
  • Convulsão (às vezes precedida por dor de cabeça, de estômago e perturbações visuais);
  • Sangramento vaginal; e
  • Coma.

ATENÇÃO: A pré-eclâmpsia é uma doença insidiosa, isto é, pode não apresentar sintomas. Qualquer descuido pode fazer com que uma forma leve evolua com diversas complicações.

Diagnóstico

O diagnóstico é estabelecido com base nos níveis elevados da pressão arterial, na história clínica, nos sintomas da paciente e nos resultados de exames laboratoriais de sangue e de urina.

    Fatores de risco para desenvolver a doença:
  • Pacientes portadoras de doenças crônicas, como a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes e o lúpus;
  • Primeira gestação;
  • Obesidade;
  • Histórico familiar ou pessoal das doenças citadas acima;
  • Gravidez depois dos 35 anos e antes dos 18 anos; e
  • Gestação de gêmeos.

Tratamento e prevenção

Não existe uma maneira de prevenção, mas o diagnóstico precoce aumenta as chances de evitar complicações tanto para a mãe como para o feto. O tratamento varia de acordo a idade gestacional e o estado de saúde de cada paciente.

A única maneira de controlar a pré-eclâmpsia e evitar que evolua para eclâmpsia é o acompanhamento pré-natal criterioso da gestação.

Recomendações

É fundamental comparecer a todas as consultas previstas no pré-natal e seguir rigorosamente as recomendações médicas durante a gestação.

Por meio das consultas, você poderá ser cuidada, orientada, tirar suas dúvidas e receber apoio profissional. Faça os exames necessários, cuide bem da alimentação e aumente a chance de você e seu bebê permanecerem saudáveis.

Kenio Almeida Magalhães
Primeiro-Tenente(RM2-Md)
Conselho Editorial do Saúde Naval