Você reconheceria uma fake news sobre Aids?

Enviado em: 28/11/2019

No dia 1 de dezembro, é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Apesar de ser uma doença conhecida por todos, ainda existem muitos mitos, desinformações e fake news (notícias falsas) relacionados a ela. Será que você saberia dizer o que é verdade e o que é mentira sobre o HIV e sobre a Aids? Aqui vão 4 perguntas para testar seus conhecimentos sobre esse tema:

1. HIV e Aids significam a mesma coisa?

Não, HIV e Aids não são sinônimos! Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é a doença em si, que se caracteriza por uma queda excessiva da imunidade, o que leva ao surgimento de um conjunto de sinais e sintomas.

Já o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus que causa a Aids. Ele é o agente causador da doença. O fato de uma pessoa estar infectada pelo HIV não significa que ela está apresentando Aids. Por exemplo, um indivíduo HIV positivo que segue seu tratamento de forma correta, muito provavelmente não terá queda no seu sistema imunológico e, com isso, não estará com Aids.

2. O HIV existe por que alguém teve relações sexuais com um macaco?

De fato, o HIV é derivado do Vírus da Imunodeficiência Símia, o SIV, uma espécie de HIV dos macacos. Mas o HIV não se originou a partir de um humano que teve relações sexuais com um macaco infectado e sim porque, na África, existe o hábito de se consumir carnes de primatas. Provavelmente, esse contato com fluidos corporais de um macaco com SIV permitiu que esse vírus infectasse um humano e, posteriormente, se tornasse o HIV que conhecemos hoje.

3. O contato com lágrimas ou saliva de uma pessoa HIV positiva pode me infectar também?

Não, não ocorre transmissão do HIV por meio de saliva ou lágrimas. Esses fluidos corporais (assim como a urina, o suor e o espirro) não contêm uma quantidade de vírus suficiente para infectar outra pessoa. Já o sangue, o sêmen, as secreções vaginais e o leite materno são capazes de transmitir o HIV.

4. Existe cura para o HIV?

Infelizmente, ainda não existe cura para o HIV. Apesar da terapia anti-HIV ser bastante eficiente, a maior barreira para a cura é a chamada latência viral, a capacidade que o vírus tem de “se esconder” no organismo do hospedeiro. Devido à latência, os medicamentos utilizados na terapia contra o HIV não conseguem eliminar totalmente a carga viral existente na pessoa.

Hoje, o foco das pesquisas científicas é justamente no desenvolvimento de meios para se retirar o HIV da latência, garantindo a eliminação completa do vírus. Os casos de cura descritos na literatura (por exemplo, o Paciente de Berlim) são muito específicos e não têm como serem refeitos em toda a população HIV positiva.

Diante de tantos mitos que ainda existem sobre o tema, é importante lembrar que, atualmente, as pessoas infectadas pelo HIV que estão em tratamento têm uma expectativa de vida bem próxima àquelas não infectados. Não existe mais um estereótipo de indivíduo HIV positivo e até mesmo o termo “aidético” não deve ser utilizado, por ser pejorativo.

Mas, é bom reforçar que a Aids ainda mata e que o número de novos casos tem crescido no Brasil, indo na direção oposta da média mundial. As fake news que circulam nas redes sociais certamente têm influência nisso.

Tão importante quanto o uso de preservativo, é o questionamento quanto à veracidade das informações que são divulgadas nas mídias sociais. Não acredite em tudo o que lê, sua saúde pode depender disso! Informe-se e previna-se!


GM (T) Tailah Bernardo de Almeida
Bióloga – Especialidade Genética




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