Envelhecimento saudável: atividade física

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A partir dos 30 anos de idade, o desempenho funcional dos indivíduos declina progressivamente devido ao processo fisiológico do envelhecimento. Esse processo natural é caracterizado como complexo por se referir não só a fenômenos fisiológicos, mas, também, biológicos, psicológicos e sociais, tendo implicações tanto para a pessoa que vivencia, como para a sociedade que o assiste, suporta e promove. Devido ao avanço contínuo da medicina junto às pesquisas científicas e a facilidade de acesso às informações, o número de mortalidade diminuiu ao longo dos anos e a longevidade vem aumentando. O cenário mundial se transformou e a maioria dos países já está classificada como um “país envelhecido”, em que 15% da população encontra-se com 65 anos ou mais. Dados obtidos em pesquisas realizadas pelo IBGE apontam que no Brasil, em 1996, tínhamos 7,6 milhões de idosos, até 2020, este número irá aumentar 16 vezes.

A atenção para esta população ainda é falha, visto que muito do processo de envelhecimento é possível de evitar ou retardar com a atenção preventiva na área da Educação Física. Algumas comorbidades são notórias na vida do idoso, como a perda de massa muscular, denominada sarcopenia, a diminuição da densidade óssea, osteoporose, o aumento da gordura corporal, a queda na produção de hormônios, redução no débito cardíaco, diminuição das funções vitais dos pulmões, a elevação da pressão arterial, entre outras. Somado ao sedentarismo, esse processo natural tende a diminuir significativamente a capacidade funcional do idoso, deixando o indivíduo dependente de familiares, amigos e/ou enfermeiros, na realização de tarefas diárias comuns e simples.

Por meio da prática corporal é possível não só retardar todo o processo natural do envelhecimento, como também reverter alguns aspectos fisiológicos que irão melhorar significativamente a saúde e a qualidade de vida do idoso, reintegrando o mesmo à sociedade, para que vivam com mais independência e vitalidade. Nesse sentido, o profissional de Educação Física é membro essencial para que tais mudanças possam ser construídas com eficácia e segurança.

O primeiro passo deve ser dado em direção ao cardiologista, que através de exames, avaliará as condições para o início da prática de exercícios físicos. Em seguida, somente um profissional de Educação Física poderá prescrever e acompanhar os exercícios que melhor se adequam ao indivíduo. Cabe lembrar que exercício físico não é a mesma coisa que atividade física. Atividade física pode ser definida como o ato de se movimentar, seja subindo e descendo escadas, fazendo uma caminhada ao ar livre, arrumando a casa etc. Já o exercício físico é aquele em que o profissional habilitado, educador físico, prescreve conforme as necessidades e objetivos de cada um.

A prática regular de exercícios físicos é a essência da saúde para os idosos; eles atuam de forma aguda e crônica nas mais diversas doenças não transmissíveis. Os exercícios resistidos ajudam na manutenção da massa muscular, na força e na densidade óssea. Exercícios aeróbios auxiliam na perda de gordura corporal, melhoram a capacidade cardiorrespiratória fortalecendo corações e pulmões. Exercícios de alongamento aumentam a amplitude articular para uma melhor mobilidade e todos esses juntos atuam na vida social do idoso, fazendo com que ele se mantenha motivado, ativo e independente.

Vivian Buenaga
Primeiro -Tenente (RM2-T)
Encarregada dos esportes e Coordenadora do Programa de Reabilitação Funcional
Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória