O Profissional de educação física na área da saúde

Dia do Profisional da Educação Física, abra os ouvidos!

Desde a criação dos primeiros cursos de Educação Física no Brasil, na década de 30, passando pela “era do cooper”, até os dias atuais, a atividade física e o entendimento de como ela interfere na saúde das pessoas passou por grandes transformações.

A partir de 2008, o Ministério da Saúde passou a considerar a atividade física como um dos pilares para a promoção da saúde da população. Assim, inseriu o Profissional de Educação Física no Programa de Saúde da Família (atuando na prevenção) ou na atenção secundária à saúde, em âmbito hospitalar (atuando na reabilitação).

Apesar desse avanço, os cursos de formação de profissionais de educação física não contemplam disciplinas que preparem os formandos para atuarem na área da saúde, mas tão somente no mercado fitness (academias e clubes) ou nas escolas. A ausência de disciplinas que abordem o envelhecimento, a fisiopatologia (estudo dos fenômenos que provocam alterações anormais no corpo) das principais doenças crônicas não transmissíveis, noções de farmacologia (estudo das propriedades químicas dos medicamentos) e de interpretação de exames complementares dificultam a interação com outros profissionais e a inserção do profissional de educação física na área da saúde.

As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte em todo o mundo. Entretanto, em termos de serviços de reabilitação cardíaca oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Município do Rio de Janeiro, apenas cinco hospitais dispõem à população esse tipo de atendimento, mas só em quatro há profissionais de educação física inseridos. Vale ressaltar que há outras áreas de atuação conjunta pouco exploradas, como oncologia, psiquiatria e neurologia, por exemplo. Possivelmente serão, em um futuro próximo, alguns dos mais promissores campos de atuação para os profissionais de educação física.

Como Educador Físico, sinto-me privilegiado por ter sido o primeiro profissional da áreaa atuar com reabilitação cardíaca na Marinha do Brasil. No Hospital Central da Marinha, tive a oportunidade de participar da reestruturação do serviço de reabilitação cardíaca e de interagir com especialistas em diversas áreas e Organizações Militares da Saúde.

Engana-se quem pensa que reabilitação cardíaca deve ser apenas exercício físico. O exercício é o principal pilar, mas não o único. A reeducação alimentar, o controle do diabetes, do colesterol, da pressão arterial, do equilíbrio emocional, são importantíssimos para se alcançar a tão almejada melhora da saúde.

Quando falamos de controle de doenças crônicas com base no exercício físico, devemos abolir fórmulas mágicas. O exercício físico, por si só, não é capaz de melhorar a saúde global de uma pessoa, principalmente quando houver comorbidades (existência de duas ou mais doenças em simultâneo na mesma pessoa). Ou seja, se um diabético não controla a sua glicose e faz exercícios, ele está correndo mais riscos do que permanecendo sedentário.

Por fim, enquanto há algum tempo o profissional de educação física focava no aumento da massa muscular e na perda de peso à custa de exercícios extenuantes, hoje o foco é a redução dos fatores de risco associados às doenças crônicas não transmissíveis. E é essa visão global do ser humano que representa o maior desafio dos profissionais de educação física que desejam atuar na área da saúde.

Antonio Gil Castinheiras Neto
Primeiro-Tenente (RM2-T)
Assistente do Serviço de Cardiologia do HCM