A Ditadura da Beleza

A palavra “beleza” está cada vez mais presente nas conversas dos brasileiros e brasileiras, isto porque, nos dias de hoje, os homens estão se cuidando tanto quanto as mulheres. O conceito de beleza é retratado há muito tempo, seja nas pinturas da nobreza ainda na época feudal como nas estátuas gregas, que demonstravam simetrias humanas perfeitas.

O problema surge quando a sociedade impõe uma cobrança sobre o que vem a ser um padrão de beleza e um corpo bonito, a chamada Ditadura da Beleza. Atualmente, o tal “padrão de beleza” vem sendo ditado pela indústria da moda e dos cosméticos a fim de atender as necessidades do mundo do glamour. O resultado é a valorização de roupas e maquiagens na busca por mais vendas.

Costumam afirmar que a magreza é a perfeição, significado de pessoa saudável, mas nem sempre é assim. Por muitas vezes, nos bastidores deste cenário, estão presentes problemas como transtornos psíquicos e alimentares. A exigência sobre o peso ignora qualquer norma de saúde e a pressão para a manutenção desta forma física cria distúrbios psicológicos que frequentemente são irreversíveis e letais.

O público feminino é o principal alvo da mídia, que mostra uma gama de produtos e serviços estéticos (botox, lifting e plásticas em geral) para, supostamente, melhorar a performance das mulheres. Com isso, elas tornam-se escravas dessa indústria que está difundida em todos os meios de comunicação por meio de comerciais, novelas e anúncios.

Fato é que muitas pessoas perderam o prazer de viver, tornando-se solitárias por estarem inconformadas com sua forma física e controlando os alimentos que ingerem para não engordar. Esta escravidão assassina a autoestima, produz uma guerra contra o espelho e gera uma rejeição terrível.

Logo, seguir um padrão de beleza ditado pela sociedade, adquirindo acessórios de alto custo e realizando plásticas, nunca foi e nunca será sinal de saúde e bem-estar. Cada pessoa tem uma beleza interna e externa únicas e precisa ser aceita de uma forma natural.

Ser saudável não é somente ter um corpo magro, sarado e escultural, mas sentir-se feliz e bem consigo mesmo, sem recorrer às tantas ilusões da ditadura da beleza. O importante é encontrar o equilíbrio na busca do bem-estar do corpo, mente e espírito.

KARINA BRANCO
Primeiro-Tenente(RM2-S)
Enfermeira
Conselho Editorial Saúde Naval