A Doença de Parkinson

imagem

Durante o mês de abril, em homenagem ao nascimento do médico James Parkinson, a comunidade médica e a população se voltam para a doença, que foi descrita por ele em 1817, e que permanece como um desafio à ciência até os dias atuais.

Doença neurológica conhecida popularmente como Mal de Parkinson, a Doença de Parkinson é crônica e progressiva e afeta a chamada substância negra, região do cérebro responsável pela produção de dopamina, um neurotransmissor, ou seja, uma substância química cerebral, que participa, além de outras funções, do controle dos movimentos automáticos.

A perda de neurônios daquela região leva à falta de dopamina e à perda do controle motor, ocasionando sinais e sintomas que caracterizam a doença, como o tremor, a rigidez, a lentidão de movimentos, o desequilíbrio postural. Podem também estar presentes a falta de expressão facial, alteração do ritmo intestinal e do sono.

O fator mais importante relacionado à Doença de Parkinson é o envelhecimento. Em alguns indivíduos, o envelhecimento provoca uma perda mais acentuada dos neurônios da substância negra, o que leva ao início dos sinais e sintomas geralmente entre os 50 e 60 anos de idade. Conforme a idade avança, aumentam as chances de desenvolver a enfermidade.

Também existem causas chamadas secundárias para o desenvolvimento dos sintomas e sinais da doença, como o uso de determinados medicamentos e drogas ilícitas, podendo ocorrer em pessoas mais jovens, antes dos 50 anos de idade. No entanto, na maioria dos casos, em torno de 70%, trata-se da própria Doença de Parkinson, primária.

O diagnóstico é feito pelo especialista e em muitos casos não é tarefa fácil, por ser um diagnóstico clínico e o paciente encontrar-se numa fase inicial da doença, por exemplo.

Atualmente, existe tratamento para o controle da doença, mas ainda não há cura. O tratamento é feito com medicamentos e, em alguns casos selecionados com muito critério pelo neurologista, pode ser feito procedimento cirúrgico para o controle dos sintomas, quando os medicamentos disponíveis tiverem falhado, apesar da adesão do paciente.

Uma abordagem multidisciplinar é muito útil no controle do quadro clínico, como fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e psicológico, além da realização de atividade física regular.

O mais importante é ter em mente que nem todo tremor, nem todo desequilíbrio postural e nem toda alteração do ritmo do sono estão relacionados à Doença de Parkinson, porém não significa que esses sinais devem ser ignorados por familiares e pacientes.

A melhor estratégia é conversar com o médico, profissional que terá condições de avaliar se é o caso de uma consulta com o neurologista.

Duzentos anos após o primeiro relato da Doença de Parkinson, muitos avanços já foram feitos, tanto no entendimento de seus sintomas e sinais, suas causas, a área cerebral afetada quanto nos medicamentos e as terapias coadjuvantes utilizados para seu controle e que auxiliam a frear sua progressão.

Pacientes, familiares e amigos esperam, e a comunidade científica, médicos e terapeutas se empenham para que se descubra mais sobre a Doença de Parkinson, para que o controle dos sintomas se torne mais prolongado e duradouro, e haja melhora a cada dia na qualidade de vida do paciente parkinsoniano.

Greice Cardoso de Carvalho Silva
Capitão de Fragata
Neurologista
Membro da Junta Regular de Saúde
Centro de Perícias Médicas da Marinha


 


Compartilhe