Confira a entrevista com a CMG Carla

Segundo o professor da Faculdade de Medicina de Havard, Edward Phillips, mais de dois terços de todas as doenças do mundo são resultado de escolhas básicas de saúde que fazemos diariamente. Ele afirma que ao modificar hábitos alimentares e físicos, controlar a ingestão de drogas, cuidar da saúde emocional e dormir adequadamente, contribuímos para evitar a maioria dos casos de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e muitas formas de câncer. Ter consciência disso e não se deixar levar pela correria e estresse do mundo atual é o primeiro passo para planejar o envelhecimento saudável.

A Capitão de Mar e Guerra Carla Callegário, de 50 anos, foi para a reserva após 28 anos de serviço ativo na Marinha do Brasil. Carla, que é Farmacêutica, é um exemplo de como uma vida equilibrada desde a juventude tem impacto positivo no futuro. Hoje, prestes a completar dois anos de aposentadoria, ela fala um pouco sobre a sua rotina e como planeja os muitos anos de vida que ainda estão por vir.

vida saudavel

A partir de que idade você começou a se preocupar em ter uma rotina de vida mais saudável?

Aos 21 anos, quando terminei a minha graduação.

Que hábitos você adotou ou mudou?

Desde o início da adolescência, eu praticava atividades ao ar livre como natação e ciclismo, mas, aos 21 anos, incorporei a academia e o uso do protetor solar diariamente. Quanto à alimentação, como meus pais são do interior do Espírito Santo, cozinhar fez parte de minha educação e as refeições eram sempre feitas em casa com poucos itens industrializados. As refeições em restaurante também eram esporádicas. Com exceção das minhas duas gestações, quando engordei mais do que o desejado, nunca excedi meu peso ideal em mais de 10%. Hoje, peso apenas quatro quilos a mais do que aos 21 anos, quando ingressei na MB.

Quais hábitos você mantém até hoje, quais abandonou ou substituiu?

Mantive todos os hábitos citados anteriormente, incorporando a corrida nos últimos cinco anos e, em 2017, troquei a academia pelas aulas de ginástica funcional na praia. Além disso, mesmo permanecendo com a mesma pressão arterial (10 x 6mmHg), reduzi a ingestão de sal, que muitas vezes acrescentava na comida antes mesmo de prová-la. O açúcar sempre usei de forma comedida e a gordura só mesmo na picanha e na linguiça do churrasco. Quanto ao álcool, procuro manter a meta de beber apenas uma vez na semana, mesmo que eventualmente isso seja extrapolado.

Você se planejou para a aposentadoria? O que mudou na sua vida com a ida para a reserva?

Meu planejamento financeiro foi executado durante toda a minha carreira para que os meus gastos se efetivassem dentro da minha remuneração. Desta forma, hoje consigo dispor de minha pensão sem comprometimento com dívidas, o que me permite participar de atividades de lazer e cultura, além de viajar e participar de esportes radicais, como rafiting, rapel e mergulho autônomo.

Muitas pessoas têm medo da aposentadoria por acharem que não terão uma ocupação ou se sentirão pouco úteis. Isso aconteceu com você? Você sente falta do trabalho, da profissão?

Ser feliz garante atividades para mim todos os dias! Minha agenda não cabe em 24 horas e, mesmo na reserva, não sobra tempo para dormir de tarde. Além do famoso “Já que você está em casa...” que os meus dois filhos sempre usam, faço tudo que posso a pé, porque a caminhada é uma atividade extremamente saudável, e fujo do estresse do uso do carro. A profissão e o trabalho sempre foram uma paixão para mim, mas, hoje, lembro deles assim como lembro do tempo em que meus filhos usavam fraldas ou comiam papinhas. Foi maravilhoso, mas aconteceu quando tinha que acontecer. Agora é tempo de relaxar e cuidar mais de mim do que dos outros.

Quando falamos de saúde, muitas vezes, deixamos de lado os aspectos emocionais. De que forma você acha que as interações sociais, lazer e cultura influenciam na saúde e qualidade de vida de uma pessoa?

De forma fundamental. Passamos quase trinta anos de nossas vidas convivendo diariamente com inúmeras pessoas, sejam elas colegas, pacientes, clientes etc. Eu acredito que essa é a parte que mais nos faz falta. Para evitar esse distanciamento, a cada três meses encontro minhas colegas de turma de MB, além de almoços esporádicos com demais colegas que também foram para a reserva. Alguns amigos passaram a fazer parte de minha vida privada e nos vemos com maior frequência. As novas atividades incorporadas, como o motociclismo e cursos, sem o compromisso de fazerem nenhum bem maior do que estimular o meu cérebro, garantem novas amizades e conversas agradáveis. Além de tentar fazer ao menos uma viagem de moto por mês, mesmo que para um lugar perto e sem muitos gastos.

Como você se vê daqui a 20 anos?

Espero não estar mais ligada em 220v, mas ainda fazendo atividade física ao ar livre, estudando qualquer coisa diferente do que já sei, viajando de moto e, principalmente, encontrando amigos.

Qual dica você daria para aqueles que pretendem chegar à Terceira Idade de forma ativa e com qualidade de vida?

Não deixe para começar amanhã. Amanhã é muito tarde e pode não chegar. Segundo uma geriatra que realizou uma palestra no Centro de Estudos do Hospital Naval Marcílio Dias, devemos começar a pensar no envelhecimento quando começamos a envelhecer, ou seja, no dia de nosso nascimento.