21 de junho – Dia Nacional de combate a Asma

Muita gente confunde asma e bronquite. No entanto, embora atinjam as vias respiratórias e tenham sintomas parecidos, são doenças distintas.

A bronquite é uma inflamação dos brônquios e pode ser aguda ou crônica. A aguda, em que a duração e agravamento das crises são mais curtos, é causada, geralmente, por vírus, enquanto a crônica pode surgir como extensão da bronquite aguda, mas a principal causa é a fumaça do cigarro. Nas duas formas, a tosse é o principal sintoma.

A medida mais importante no tratamento da bronquite crônica é parar de fumar. As vacinas contra a gripe e contra a pneumonia também são importantes. A bronquite aguda é uma doença autolimitada e não existe tratamento específico para combater os episódios provocados por vírus. Boa hidratação, uso de vaporizadores, de analgésicos, de descongestionantes e evitar a exposição aos fatores de risco são recursos úteis para aliviar os sintomas e prevenir as crises.

Já a asma é uma doença crônica que afeta as vias respiratórias e o pulmão. Os pneumologistas do Hospital Naval Marcílio Dias falam mais sobre a doença.

O que é asma?

Asma é uma doença comum das vias aéreas ou brônquios (tubos que levam o ar para dentro dos pulmões) causada por inflamação das vias aéreas. Ela causa os seguintes sintomas: falta de ar ou dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou peito pesado, chio ou chiado no peito e tosse.

Qual o impacto e a realidade da asma no Brasil?

É uma das doenças crônicas mais comuns, afetando tanto crianças quanto adultos, sendo um problema mundial de saúde e acometendo cerca de 300 milhões de pessoas. Estima-se que no Brasil existam, aproximadamente, 20 milhões de asmáticos. A asma é uma causa importante de faltas escolares e no trabalho.

A asma de todas as pessoas é igual?

A asma varia muito de pessoa para pessoa e num mesmo indivíduo. Tem épocas que pode ser muito leve e os sintomas desaparecerem e tem momentos em que pode piorar muito, necessitando atendimentos de emergência e até mesmo internação. As crises de asma também podem variar, podendo ser mais fortes do que as outras.

Qual a causa da asma?

A causa exata da asma ainda não é conhecida, mas acredita-se que é causada por um conjunto de fatores: genéticos (história familiar de alergias respiratórias – asma ou rinite) e ambientais.

O que são gatilhos da asma?

São fatores que quando o asmático é exposto a eles podem piorar muito a doença ou provocar sintomas. Alguns gatilhos apenas pioram os sintomas, outros pioram também a inflamação dos brônquios. São eles: ÁCAROS, FUNGOS, PÓLENS, ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, INFECÇÕES VIRAIS, FUMAÇA DE CIGARRO, POLUIÇÃO AMBIENTAL E EXPOSIÇÃO AO AR FRIO.

Como é feito o diagnóstico da asma?

Inicialmente, o médico pergunta sobre o que você sente e tenta entender como os seus sintomas podem fazer parte da doença. Assim, você será perguntado sobre falta de ar, chiados no peito, cansaço, tosse, produção de muco (secreção tipo clara de ovo), dificuldade para fazer suas tarefas e/ou exercícios habituais.
É importante contar sobre o horário em que estes sintomas ocorrem porque, geralmente, nos asmáticos existe uma piora durante a madrugada e ao acordar. Também é importante falar se esses desconfortos melhoram usando algum remédio ou espontaneamente.

A asma tem cura?

A asma não tem cura. Mesmo se você não tiver nenhum sintoma, a asma está presente. Embora não exista cura, determinados tratamentos são capazes de melhorar muito os sintomas e proporcionar o controle da doença. Assim, asmáticos tratados podem ter uma qualidade de vida igual à de qualquer pessoa saudável.

Como deve ser o tratamento da asma?

Na maior parte são dois tipos de medicação: uma é chamada “controladora ou de manutenção”, que serve para prevenir o aparecimento dos sintomas e evitar as crises de asma; a outra medicação é “de alívio ou de resgate”, que serve para aliviar os sintomas quando houver piora da asma.
As medicações controladoras reduzem a inflamação dos brônquios, diminuindo o risco de crises de asma e evitando a perda futura da capacidade respiratória. O uso correto delas diminui muito ou até elimina a necessidade da medicação de alívio. As principais medicações controladoras são os corticóides inalados isolados ou em associação com uma droga broncodilatadora de ação prolongada.

O que são bombinhas?

Bombinha é a maneira que as pessoas chamam todas as medicações inalatórias usadas no tratamento da asma. Esse nome vem dos primeiros dispositivos que surgiram e ainda existem. Na verdade, bombinha quer dizer o recipiente que é utilizado para armazenar os diferentes tipos de remédios (broncodilatadores e corticóides inalatórios). Hoje, existem dispositivos com medicação na forma líquida (aerossol) e em pó. Uma mesma substância pode vir sob aerossol ou sob pó. Os médicos preferem usar o termo dispositivo porque retira a ideia de que o remédio é ruim (bomba).

As bombinhas viciam?

Não. Nunca. Essa é a ideia errada mais comum entre asmáticos. Além disso, o tratamento da asma deve ser contínuo, pois quando se interrompe o tratamento a doença volta. O tratamento com medicações controladoras da asma também é inalado. Esses remédios não curam a asma, mas controlam muito bem, assim como hipertensão arterial e diabetes. Se você tomasse um comprimido todo dia para controlar a pressão ou o açúcar, acharia que está viciado nesses remédios?

Bombinhas fazem mal para o coração?

Não. Quando surgiram os primeiros remédios broncodilatadores para asma, eles eram substâncias que tinham como efeito colateral aceleração do coração (taquicardia). A sensação era bem desconfortável e as pessoas começaram a achar que o remédio “atacava” o coração. Com as novas e melhores drogas broncodilatadoras e os novos e melhores dispositivos, esse efeito foi desaparecendo.

Corticoide inalado é perigoso ou faz mal?

Não. Os corticóides inalados são as medicações mais importantes para o tratamento da asma. Exatamente por serem inalados, são corticóides mais modernos e potentes, que podem ser usados em doses muito pequenos. Nessas doses, os corticóides inalados são seguros para serem usados em crianças, adultos, gestantes, diabéticos, enfim, quando forem necessários. Os efeitos colaterais mais comuns (rouquidão, pigarro e “sapinho”) são locais e, em geral, podem ser prevenidos enxaguando a boca com água após o uso da medicação, gargarejando bem e não engolindo essa água (ou seja, cuspindo a água).

Carlos Eduardo Costa Magalhães
Capitão de Corveta (Md)
Chefe da Clínica de Pneumologia
Hospital Naval Marcílio Dias

Samantha Eis Ferreira Apostolídes
Capitão de Corveta (Md)
Assistente da Clínica de Pneumologia
Hospital Naval Marcílio Dias