Comida em excesso: a solução ou a piora dos seus problemas?

Muitas pessoas possuem uma relação emocional com a comida e não conseguem ter o controle da quantidade e do tipo de alimento que consomem. Geralmente, se sentem confusas e impotentes, pois mesmo que tentem iniciar hábitos alimentares mais saudáveis, acabam comendo demais. O problema, que atinge tanto homens quanto mulheres, é mais frequente a partir dos 25 anos. Além disso, a ansiedade e a obesidade estão interligadas.

Quando você não sabe lidar com as angústias, compensa o desconforto que sente. Quando a comida é objeto de desejo incontrolável para alguém, ela se torna uma válvula de escape, ocupando um lugar central na vida da pessoa. O fato é que a comida provoca um prazer apenas momentâneo, e não é capaz de agir na origem da fome emocional, além de agravá-la, podendo levar a um sobrepeso ou obesidade.

Fome física x fome emocional

O mais importante é aprender a diferenciar a fome física (estômago vazio) da fome emocional. Esta última é como um desejo que surge do nada, diferente da fome física, que surge aos poucos. Além disso, ela é direcionada para alimentos específicos, geralmente doces e massas, o que não acontece quando você está com fome física, que te leva a comer todo tipo de alimento.

A fome emocional não acaba mesmo depois de comer o suficiente, pois ela tem origem na mente não no estômago. Geralmente, ela leva à culpa e ao arrependimento por ter comido em excesso quando poderia ter evitado.

Como sair do círculo vicioso?

Quebrar um padrão de alimentação requer muita força de vontade e persistência. Caso a pessoa já esteja com sobrepeso, isso pode ser ainda mais difícil. O primeiro passo é tomar consciência de estar acima do peso. Depois, entender que reverter o quadro de obesidade não depende apenas dos hábitos alimentares. Para que as emoções não dominem a relação com a comida, devemos agir de forma mais consciente. Identificar as causas que nos levam a comer de forma descontrolada ajuda a evitar os excessos na hora de comer. Sentimentos como estresse, ansiedade, frustração, ócio e tédio podem ativar o impulso de comer. Identifique quais situações levam você a comer descontroladamente e quando elas ocorrerem, pergunte a si mesmo: “eu estou realmente com fome?”. A partir daí, aja de forma consciente.

Porém, quando a vontade de comer for incontrolável, compre apenas um bombom ao invés de uma caixa, um picolé ou uma bola de sorvete ao invés de um pote. Mantenha o controle! Não deixe alimentos à vista, nem mesmo na hora das refeições principais. Assim, você não sente vontade de ficar pegando mais um pouquinho de comida o tempo todo. Concentre-se e saiba focar os seus objetivos.

Não compense sua ansiedade com comida. Existem diversas formas de aliviar esses sentimentos: praticar atividade física, fazer caminhadas, yoga, meditação, ler, ouvir música e inúmeras outras atividades.

Compreender como lidar com a fome emocional é, sem dúvida, um importante passo em direção à mudança de um padrão alimentar disfuncional. Procure conhecer o que está por trás dos excessos que você comete na vida. Três perguntas podem ajudar:

  • O que está faltando na sua vida para que a comida ocupe um lugar tão grande?
  • Onde mais você poderia encontrar o prazer de viver?
  • Qual aspecto da sua vida precisa de mais atenção?
Sabrina de Albuquerque Santos Cola Pim
Primeiro-Tenente (RM2-S)
Conselho Editorial do Saúde Naval