Chikungunya: dores para toda a vida?

Enviado em: 21/11/2019

A chikungunya é uma doença viral, transmitida comumente pela picada do mosquito Aedes Aegypti. Esse inseto também é responsável pela transmissão de outras doenças como a febre de zika e a dengue. No verão de 2019, o Rio de Janeiro registrou milhares de casos confirmados da febre de chikungunya, o que nos levou a um recorde preocupante. O número de pessoas que buscam auxílio médico, principalmente para lidar com as intensas dores articulares causadas pela infecção viral, voltou nossa atenção para essa doença (até pouco tempo desconhecida pela maioria da população).

SINTOMAS - A maioria dos sintomas iniciais de chikungunya são semelhantes a outras doenças virais transmitidas pela picada do mosquito infectado. Uma semana após a picada, indivíduos adultos comumente apresentam:

  • Dores de cabeça;
  • Febre acima de 38°C;
  • Náuseas e/ou vômito;
  • Irritação na pele (exantema);
  • Dores intensas nas articulações.

Dentre essas manifestações, a mais característica é a intensa dor articular, muitas vezes acompanhadas de inchaço. Normalmente, várias articulações são afetadas, notadamente joelhos e pulsos. Essas dores nas articulações em parte dos casos perduram por meses ou até anos. Caracterizando, assim, que o paciente evoluiu para a fase crônica da doença. Além dos sintomas descritos, crianças também podem manifestar lesões em formato de bolhas na pele.

DORES PRA TODA A VIDA? Apesar da maioria dos indivíduos infectados pelo vírus apresentarem sintomas, o paciente com febre de chikungunya não terá, obrigatoriamente, dores para a vida toda. Isso dependerá de outros fatores da evolução da doença, de doenças articulares prévias e da idade.

Uma parte dos pacientes continua a apresentar dores nas articulações de intensidade moderada a severa ou torna a ter episódios de dor após períodos de alívio. Quando isso ocorre, o paciente deve retornar ao médico, que iniciará um tratamento direcionado ao tipo e intensidade de dor relatada.

A maioria dos pacientes que possuem sintomas crônicos menciona diminuição das dores ao longo do tempo. Pesquisas vêm sendo desenvolvidas para se entender quais são as razões de um grupo de pacientes sofrerem de dores crônicas, por vários anos, mesmo após o término da infecção.

DIAGNÓSTICO - Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito baseando-se apenas nos sintomas apresentados. Porém, pacientes dos grupos de risco (gestantes, menores de dois anos, maiores de 65 anos e pessoas com doenças crônicas) podem ter a confirmação da indicação clínica por meio de exames laboratoriais, como a sorologia – anticorpos contra o vírus – ou pelo método molecular que identifica o material genético viral, chamado de reação em cadeia da polimerase (PCR).

TRATAMENTO - O tratamento é realizado segundo a orientação médica de acordo com a fase da doença que o paciente se encontra. Nos primeiros dias de sintomas (fase aguda) é comum a recomendação de:

  • aumento na ingestão de líquidos para manter a hidratação.
  • uso de remédios analgésicos e antitérmicos com a finalidade de aliviar as dores e a febre.
  • repouso.

Já nos casos em que as dores articulares persistem (fase crônica), normalmente, são administrados anti-inflamatórios e/ou corticóides e indicado fisioterapia.

PREVENÇÃO - É importante ressaltar que ainda não há vacina, além de não existir um remédio específico para o vírus. Para a prevenção da doença, é necessário combater os focos do mosquito. Portanto, é fundamental a participação e a mobilização da população por meio de pequenas atitudes como a eliminação de água parada, onde o mosquito pode fazer seu criadouro. Nossa participação é essencial para reduzir o número de casos dessa doença!


Camilla Borges
Técnica em Biotecnologia

1ºTen (RM2-S) Shana Barroso
Bióloga Pesquisadora - IPB/HNMD



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