A AIDS ainda mata

Especialmente nos anos 80 e 90, uma extensa conscientização em relação à AIDS tomou conta do mundo. Um grande número de pessoas tornou-se vítima do vírus, sofrendo um adoecimento doloroso e fatal devido à falta de tratamento eficaz. A imagem dos pacientes emagrecidos refletia um longo sofrimento e gerou um forte impacto social, que culminou em um maior cuidado durante as atividades sexuais.

A partir do surgimento de medicações eficazes, essa imagem se dissipou. O controle farmacológico permitiu um enorme aumento de sobrevida, minimizou sua gravidade e, como consequência, reduziu a educação das novas gerações em relação aos riscos da AIDS.

O resultado disso, na contramão da maioria dos países desenvolvidos, é que a prevalência da doença vem subindo na população brasileira, principalmente entre os mais jovens (15 e 24 anos), que iniciam a vida sexual sem consciência do perigo presente no sexo desprotegido.

O uso adequado do preservativo é imprescindível para evitar o contato direto com os fluidos corporais considerados infectantes: sangue, sêmen e secreções vaginais. Dessa forma, a relação sexual desprotegida é a principal forma de transmissão do HIV. Não usar a camisinha em uma única relação já pode ser suficiente para que ocorra o contágio e a necessidade de utilizar medicamentos pelo resto da vida.

O vírus HIV ataca o sistema imunológico, mudando a vida do paciente por completo e tornando-o vulnerável a diversas doenças. Resfriado, gripe e doenças gastrointestinais, por exemplo, podem evoluir para condições mais graves.

A impressão de que é fácil conviver com o vírus não é verdadeira. A AIDS NÃO TEM CURA. Nenhum dos remédios disponíveis é capaz de eliminar o HIV do corpo humano. Além disso, as medicações trazem inúmeros efeitos colaterais e, se usadas de forma inadequada, podem tornar o vírus mais resistente.

Outra informação nova e muito importante é o conhecimento a respeito da Profilaxia Pós-Exposição (PEP). Quando cometemos um erro e realizamos alguma atividade sexual sem proteção, existe a possibilidade de reduzir o risco da infecção, caso seja feito o uso de medicamentos específicos dentro das primeiras 72h após o contato, com duração de 28 dias. Por isso, não espere para procurar atendimento médico e receber orientação sobre a melhor conduta a ser adotada.

A partir do momento que uma pessoa é infectada, a melhor estratégia para prevenir o adoecimento é o diagnóstico precoce. Quanto antes se descobre a presença do agente no organismo, melhor será a resposta ao tratamento e menor a chance de transmissão. Faça o teste, vença o seu medo, é sigiloso e seguro.

A falta de prevenção tem impactado diretamente no aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo vírus.

Pedro Morgan Loureiro Miguelute
Segundo-Tenente (RM2-Md)
Conselho Editorial do Saúde Naval