Álcool: droga lícita, mas gravíssima

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O alcoolismo, compreendido como síndrome de dependência de álcool, é considerado um grave problema de saúde pública, sendo um dos transtornos mentais mais prevalentes na sociedade. Uma célebre frase de Benjamin Rush, considerado o pai da psiquiatria norte americana, traz a clareza do conceito de dependência química: “beber começa como um ato de vontade, caminha para um hábito e finalmente afunda na necessidade”. Trata-se de uma patologia de caráter crônico, marcada por grandes possibilidades de recaídas e responsável por inúmeros prejuízos clínicos, sociais, trabalhistas, familiares e econômicos.

No cenário global, o consumo de álcool tem aumentado nas últimas décadas. Infelizmente a dependência é subdiagnosticada, além da doença ser de difícil tratamento. Sabe-se que quanto mais precoce for o diagnóstico/tratamento, maiores são as chances de resultados satisfatórios.

Não existe consumo de álcool isento de riscos, sendo polêmica qual a quantidade que possa implicar em maiores consequências para o indivíduo. Apesar disso, há um nível de consumo considerado de baixo risco para o gênero masculino (21 unidades de álcool no período de uma semana) e para o feminino (14 unidades de álcool no período de uma semana). Para determinar tais unidades, deve-se saber o volume da dose ingerida e a concentração alcoólica da bebida em questão.

O conceito de dependência envolve os seguintes sintomas do alcoolismo, sendo necessários que, pelo menos, três deles estejam presentes em qualquer momento durante o ano anterior:

  • desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas;
  • necessidade de doses crescentes de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância (tolerância);
  • estado de abstinência;
  • aumento do tempo empregado para conseguir consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância;
  • abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo;
  • desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos; e
  • persistência no consumo de álcool apesar de provas evidentes dos prejuízos causados.

É importante que o alcoolista busque auxílio e a chance de se recuperar independente do nível de gravidade dos sintomas. Há inúmeros tipos de tratamentos farmacológicos e intervenções psicossociais, sendo desejável que o alcoolista sinta-se respeitado, acolhido e seguro e que conte com a participação de familiares nesse processo.


Conheça o trabalho do Centro de Tratamento da Dependência Química (CEDEQ),
realizado no Hospital Central da Marinha.
O telefone para mais informações é (21) 2104-5588.


Paulo Thiago Bandeira de Mello Buys Gonçalves
Capitão-Tenente (Md)
Ajudante da divisão de Psiquiatria
Unidade Integrada de Saúde Mental (UISM)