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programa garante à Marinha o acesso am- O PROSUB foi formalizado após parceria Figura 3 - Estaleiro de construção de Submarinos em Itaguaí-RJ
plo aos conhecimentos e às tecnologias, estratégica assinada entre Brasil e França em
bem como seu direito de uso, sob a forma 2008, por meio da qual foram estabeleci-
de licença geral de uso de know-how (SI- dos contratos e documentos estratégicos,
NAVAL, 2020; MARINHA DO BRASIL, 2021). que preveem a efetivação de três grandes
Observa-se, de modo geral, que o PCT empreendimentos: i) o projeto e a constru-
tem como foco a produção de embarca- ção de um Estaleiro e Base Naval (EBN) e de
ções com elevados índices de conteúdo na- uma Unidade de Fabricação de Estruturas
cional, além de estimular a cultura e adotar Metálicas (UFEM); ii) a construção de qua-
o modelo de gestão do ciclo de vida, bem tro submarinos convencionais (S-BR), tendo
como o caráter de autossustentabilidade. como modelo a classe francesa Scorpène, e
Além de contribuir diretamente para a vigi- o projeto de sua seção intermediária, mo-
lância e para a proteção da Amazônia Azul, dificada para atender a requisitos específi-
o PCT beneficiará a presença e a atuação cos da Marinha do Brasil; e iii) o projeto e a
brasileira no Atlântico Sul e promoverá ex- construção do casco do primeiro submarino
ternalidades positivas relativas ao fomento convencional de propulsão nuclear brasileiro
da indústria e da economia nacional em sua (SN-BR) (MARINHA DO BRASIL, 2014).
vertente marítima. Nesse sentido, o progra- O Programa abarca, em suas diversas
ma consiste em um indutor da atividade frentes, transferência de tecnologia, capa-
econômica e do desenvolvimento nacional. citação de pessoal e aprimoramento das in- Fonte: Marinha do Brasil. PROSUB. Disponível em:
Nessa perspectiva, combina-se com outros fraestruturas necessárias para a construção https://www.marinha.mil.br/programas-estrategicos/prosub
projetos de elevado potencial de fomento, e a manutenção dos submarinos. Tendo em
como o Programa de Desenvolvimento de seu escopo um acentuado componente de
Submarinos, o PROSUB, abordado a seguir. nacionalização de equipamentos e de siste- Paralelamente, prossegue o projeto e que favorece, inclusive, diferentes formas
mas de alto teor tecnológico, o programa desenvolvimento do primeiro submarino de atuação desses meios no Atlântico Sul. 9
3.4 PROSUB e o Programa Nuclear da resulta na promoção do nível de ciência, convencional de propulsão nuclear brasilei- Cabe destacar que, além de gerar ao
Marinha tecnologia e inovação (CT&I) da indústria ro, previamente denominado Álvaro Alber- Brasil uma maior capacidade de vigilância e
nacional (ANDRADE et al., 2019). to (SN-10). Entre as principais vantagens de proteção da Amazônia Azul, o PROSUB
O Programa de Desenvolvimento de No contexto da proteção e da vigilância desse tipo de submarino, em comparação traz também reflexos relativos ao desenvol-
Submarinos (PROSUB) é um subprograma da Amazônia Azul, o PROSUB permitirá ao ao convencional (de propulsão diesel-elé- vimento de CT&I autóctone. Os processos
do Programa de Construção do Núcleo do Brasil maior capacidade dissuasória e maior trica), destacam-se: sua autonomia virtual- de transferência de tecnologia e de na-
Poder Naval com enfoque na construção de controle das atividades realizadas em suas mente ilimitada, não sendo necessário se cionalização de componentes, elementos
quatro submarinos convencionais e do pri- águas jurisdicionais – ampliando, sobre- expor para carregar as baterias; navegação fundamentais do programa, promovem as
meiro submarino convencional de propulsão tudo, sua capacidade de resposta a ame- em maiores distâncias e velocidade, por condições necessárias para um expressivo
nuclear brasileiro. De modo geral, o PRO- aças existentes em seu espaço marítimo. tempo praticamente irrestrito; sua estrutu- arrasto tecnológico, ou seja, para a difu-
SUB busca assegurar o objetivo apresentado Até 2022, os submarinos Riachuelo (S-40) ra extremamente robusta, garantindo uma são dos conhecimentos e dos equipamen-
desde a primeira versão da Estratégia Nacio- e Humaitá (S-41) já haviam sido lançados maior resistência a altas pressões e con- tos por diferentes cadeias produtivas civis
nal de Defesa (END) de negação do uso do ao mar. O Tonelero (S-42) e o Angostura sequentemente uma maior profundidade e militares (ANDRADE et al., 2019). Nesse
mar, garantindo ao Brasil uma “força naval (S-43), por sua vez, estão em fase avança- de imersão a ser alcançada (ANDRADE et contexto, deve-se ressaltar a parceria da
submarina de envergadura” e a capacidade da de construção (MARINHA DO BRASIL, al., 2019). Contudo, a alta complexidade e Marinha com universidades, institutos de
de “projetar e fabricar tanto submarinos de 2021). A Figura a seguir mostra parte do alto custo contrastam com tais característi- pesquisa e empresas privadas e estatais,
propulsão convencional como de propulsão estaleiro de construção de submarinos em cas, tornando ideal que a frota submarina bem como outros componentes da BID,
nuclear” (BRASIL, 2008, p. 21). Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro. do Brasil seja composta pelos dois tipos – o nos esforços de pesquisa relacionados ao
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